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    Os Axiomas de Zurique: um dos livros mais populares de investimentos

    Os Axiomas de Zurique: um dos livros mais populares de investimentos

    O livro ”Os Axiomas de Zurique” desperta a curiosidade de boa parte dos investidores, apesar de alguns discordarem dos conceitos abordados.

    Um axioma é uma sentença que não pode provada, mas que mesmo assim é considerado um consenso essencial para construir alguma outra teoria. Por esse motivo, Os Axiomas de Zurique passou a ser para muitos um guia nos investimentos, em especial, na renda variável.

    O que são os axiomas de Zurique?

    Os Axiomas de Zurique é um livro escrito por Max Gunther, e se tornou um dos mais populares no assunto dos investimentos. Assim, o livro virou um verdadeiro sucesso de vendas pelo mundo afora.

    O livro revela segredos de um grupo que se reuniu no pós-guerra e resolveu ganhar dinheiro investindo. Contemplando desde ações, moedas até imóveis, esse grupo ganhou então muito dinheiro com especulação financeira e transformou a Suíça em um dos países mais ricos do mundo, segundo o autor.

    A popularização da obra também despertou a curiosidade de quem procura saber quais são os conceitos que ele propõe e que muitos seguem como regras, embora existam diversos pontos que muitos especialistas chegam a contradizê-lo.

    Quais são os axiomas de Zurique?

    Os Axiomas de Zurique são conselhos colocados como verdades estabelecidas, apesar do próprio autor do livro pedir um certo cuidado em relação a essas “verdades”. Na prática, são alguns conselhos que podem a princípio deixar o leitor desconfortável, já que contradizem alguns dos principais “clichês” do mercado financeiro.

    Com isso, o livro Os Axiomas de Zurique é dividido em 12 grandes Axiomas e outros 16, chamados Axiomas menores. Além disso, a maioria foca na gestão de risco, fator fundamental quando se trata de investimentos.

    Investir e especular?

    Para Gunther, não há distinção, todos somos especuladores, não importando o horizonte de investimentos. Assim sendo, uma visão totalmente oposta do que fora escrito por Benjamin Graham em seu livro mais bem fundamentado “O investidor inteligente”.

    Enquanto que para Gunther, todos somos apostadores, para Graham, o investidor é alguém que faz análises frias pensando sempre no longo prazo. Nesse sentido, Gunther entende a sorte como fator fundamental dentro desse processo de investimentos, o que deve ser visto com bastante cuidado. Existem diferenças claras entre o ato de investir e especular.

    Além disso, geralmente quando alguém resolve entrar no mundo dos investimentos, comete um erro fundamental, que é buscar conselhos por todo lado. Acaba comprando as ações da moda, segurando operações ruins e se desfazendo cedo de algumas posições boas, por conta de “maus conselhos”.

    Dessa forma, mesmo que tenhamos boas lições para tirar do livro, alguns conselhos são extremamente perigosos. Como há a ausência do conceito de diversificação, pode-se estimular um iniciante a acreditar ser super válido colocar “todos os ovos em uma mesma cesta”. É possível então explicar o livro através dessa breve resumo dos Axiomas de Zurique.

    1º axioma: seja sócio de grandes empresas

    O mercado de ações vai muito além da tela do home broker, já que é preciso entender que essas mesmas ações são parte de algo maior. Desse modo, um bom investidor deve conhecer o valor real de um ativo, ou seja, entender sobre a companhia da qual o capital é alocado. Assim, deve-se aprofundar os seus conhecimentos nos negócios, resultados e potencial de crescimento.

    Importante destacar que empresas consolidadas no mercado, no geral, além de possuírem um alto valor de mercado, tem como pontos positivos uma forte geração de caixa, relação amistosa com os acionistas, assim como periódica distribuição de lucros e boa governança corporativa.

    2º axioma: atue com margem de segurança

    Nessa parte, é importante dizer que o valor intrínseco de uma companhia diz respeito ao seu valor interno, ou seja, o valor que não pode ser medido com precisão. Desse modo, os investidores devem, com base em suas análises, terem uma folga para poderem incluir erros, mudança de expectativas e novas informações disponíveis.

    Com base na margem de segurança, quanto menor for a expectativa do mercado em relação a determinada empresa, mais baixo será o seu preço. Como resultado, quanto maior for a margem de segurança, maior será o potencial de retorno e menor risco. Tais divergências possibilitam aumentar ou reduzir suas posições de forma oportuna.

    3º axioma: só compre aquilo que você possa compreender

    Mais  importante do que encontrar as melhores oportunidades, é fugir das armadilhas que o mercado apresenta para aqueles que não o compreendem. Não entender de forma adequada os riscos que uma empresa pode oferecer, representa um enorme perigo para o seu capital. Por conta disso, este é uma parte muito importante de se observar no livro.

    Sendo assim, se aprofundar e confiar nos fundamentos que permeiam a tese de investimento, permite que o investidor se proteja das demais interferências externas e do movimento de subida e descida, que podem deixar os investidores menos experientes, ora mais otimistas, ora mais pessimistas.

    4º axioma: compre e abrace

    Aqui, traz a tona que há uma crença no mercado financeiro em que os investidores sabem exatamente o momento de comprar ou vender algum ativo.

    Isso significa vender no ponto máximo de uma ação e comprá-la em seu ponto mínimo. Mas como dito anteriormente, isso não passa de uma crença.

    Somente o investidor que tenha uma estrutura lógica para entrada e saída de posições poderá ter o conforto de realizar tal atitude. Para isso, é necessário saber com precisão os motivos pelo qual o investimento foi feito inicialmente e quais os motivos que te levaram a abandoná-lo. 

    Sabendo disso, a curto prazo continuará sendo dependente exclusivo das expectativas e do humor dos investidores. Entretanto, no longo prazo, os resultados serão medidos de forma diferente, ou seja, serão representados efetivamente pela entrega de resultados das empresas.

    5º axioma: diversifique com moderação

    A diversificação se faz necessária para mitigar eventuais riscos. Contudo, o excesso de ativos em carteira pode limitar os lucros do investidor. Além disso, quanto mais ativos em carteira, mais complicado fica para o investidor acompanhar todos os seus ativos.

    Nesse sentido, a obra acaba não levando tão em conta a diversificação.

    6º axioma: evite o giro desnecessário da carteira

    Realizar constantes trocas em sua carteira, interessa mais para as corretoras do que para o investidor, dado que estes lucram com as taxas de negociação. O investidor só deve realizar eventuais trocas à medida que os fundamentos que o fizeram comprar determinada ação se perderam.

    7º axioma: atenha-se aos fundamentos

    Nesta etapa é importante observar que a movimentação dos preços no mercado é algo comum e não deve ser motivo para desespero.

    O investidor deve entender de que forma suas empresas se comportam em diferentes cenários. Eventuais fatores exógenos apenas criam oportunidades para compras de ações mais “baratas”.

    8º axioma: desfrute o tédio

    Investir não é sobre se divertir ou buscar emoções o tempo todo. Na verdade, investir deve ser visto como algo tedioso, é sobre estudar, analisar e principalmente esperar.

    É importante que o investidor cultive a disciplina e a paciência. Pois, os resultados não são imediatos, por isso invista seu tempo em conhecer mais a fundo suas empresas.

    Quais as diferenças entre os Axiomas de Zurique e os de Omaha?

    Há uma grande diferença entre os princípios estabelecidos pelos diferentes autores, no que tange os Axiomas de Zurique e os axiomas de Omaha.

    Enquanto os de Zurique representam uma forma de investir mais agressiva e pouco segura, os de Omaha insistem em premissas que se consolidaram ao longo do tempo para milhares de investidores que utilizam a estratégia do “Value Investing”.

    Como diria Seth Klarman, um grande defensor do investimento em valor. “O Value Investing é simples de entender, mas difícil de implementar.

    A parte difícil é disciplina, paciência e bom senso”. Os Axiomas de Zurique são muitas vezes controversos e com conceitos errados sobre a realidade dos investimentos.

    Quais são os pontos importantes do livro?

    Apesar desse resumo do livro Axiomas de Zurique que foi apresentado, também é importante dizer que alguns pontos deste livro são bem interessantes e que devem ser considerados pelos investidores. Assim, pode-se destacar 3 partes fundamentais.

    Os perdedores são os protagonistas?

    Nessa parte do livro, Max Gunther lembra o oitavo axioma, em relação a não misturar religião e ocultismo com finanças. Nesse caso, ele cita o exemplo de um pastor, que orientou sua comunidade a comprar um terreno que depois verificaram estar sobre um solo pantanoso.

    O autor fala com corretores de imóveis e de valores – e não com grandes investidores – apontando histórias de outros perdedores.

    Vem para a história uma funcionária de carreira da (Ford) que se aposenta mais cedo para viver exclusivamente dos dividendos das ações da própria Ford.

    Quando a empresa corta os dividendos em um ano específico, a senhora se vê em apuros. Aqui Gunther fala do último axioma principal, sobre não fazer planejamento de longo prazo.

    Curiosamente ele se posiciona contra a diversificação em outro axioma, porém, foi justamente a falta de diversificação que deixou a ex-funcionária da Ford na penúria, e não a sua estratégia de viver de renda passiva.

    São todos especuladores?

    O problema central do livro é que não faz distinção entre investidores e especuladores. Para Gunther, todos são especuladores, sem exceção. É uma visão diametralmente oposta da expressa por Benjamin Graham em outro livro, bem mais fundamentado: “O investidor inteligente”.

    Segundo Gunter, o elemento “sorte” está no comando. Ao se orientar pelos Axiomas, você ganhará e perderá alternadamente. Se tiver mais sorte do que azar, ganhará mais, desde que não seja ganancioso e otimista demais.

    Os Axiomas de Zurique estimulam o giro da carteira e talvez por isso seja bem quisto entre os corretores de valores que vivem de taxas e comissões.

    Suas teses reforçam estereótipos de que a bolsa de valores é um ambiente de jogatina, e que tomar umas cervejas de vez em quando é bom para esquecer um negócio mal feito. É um livro muito perigoso para cair em mãos de jovens deslumbrados, marinheiros de primeira viagem.

    Mais joio do que trigo

    Nessa parte do livro, Gunther recomenda que se desconfie de qualquer um que se apresente capaz de fazer previsões sobre o mercado financeiro. Ao invés de basear seus movimentos no que provavelmente pode acontecer, o “jogador” deve saber reagir ao que de fato está ocorrendo.

    A conclusão do quarto axioma de Gunther, sobre as previsões, é a parte do livro que talvez se aproxime de alguma menção, não explícita, sobre análise fundamentalista de uma empresa: reagir ao que de fato está ocorrendo.

    O décimo axioma de Gunther, sobre o consenso, também faz sentido: “Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada”.

    Aqui o autor adverte para questionar a direção que o rebanho está seguindo. Não se deve concordar, automaticamente, que é a direção certa ou errada. Nesse caso, é preciso pensar com a própria cabeça.

    O que achou de resenha do Axiomas de Zurique? Deixe nos comentários sua opinião a respeito do tema ou eventuais dúvidas.

    Jean Tosetto
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    10 comentários

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    • Jones 7 de setembro de 2019

      Parabéns pela abordagem e crítica muito bem fundamentada!

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      • Marcos 15 de setembro de 2020

        Achei uma puxaçao de saco pro Omaha.
        Vejo equilibrio em certas coisas nos axiomas de zurique, que se entrelaçam no omaha, depende do senso de investidor para ver isso…
        Nao vejo moral em diminuir os axiomas de zurique com o dizer pequeno ” conversas de bares ” e nem os axiomas de omaha como tediosos, cabe a si , saber andar no fluxo do mercado

        Responder
    • carlos 26 de novembro de 2019

      Observações preciosas e pertinentes, apreciei…

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      • Suno Research 27 de novembro de 2019

        felizes em poder ajudar

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    • BRUNO 25 de janeiro de 2020

      Li “Os axiomas de Zurique” após ter lido vários outros livros sobre investimentos e ter adotado a análise fundamentalista e o value investing como norteadores de minhas aplicações. Também não achei de todo ruim e me ajudou a pensar sobre estratégias de investimento, principalmente em quando vender alguma ação que não correspondeu. Por tudo isso, recomendo a leitura como forma de conhecimento que ajuda a comparar as diversas abordagens e permita a escolha daquela que mais se encaixa na visão e nos objetivos pessoais de cada investidor.

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    • Luxane 26 de janeiro de 2020

      Gostei muito da publicação. Há um tempo atrás, comecei a ler os Axiomas de Zurique, mas achei a leitura entediante. Mas hoje eu tenho a convicção de que o melhor é investir, do que é especular.

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    • bicivafgau 17 de fevereiro de 2020

      heonwmxuzpdzqakzztxfmjfnrkwcwq

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    • Oliveira 31 de julho de 2020

      Axiomas de Zurique (sim, se refere aos ensinamentos / filosofia “suíços”, não à geografia), são a espinha dorsal, a ciência dos investimentos e não devem ser comparados com a ESTRATÉGIA fundamentalista. Cada um no seu lugar, são perfeitos!
      Acho seu modus operandi perfeito (para quem quer seguir o value investing (e a SUNO RESEARCH tem muita credibilidade). Respeito muito o Tiago Reis e sua equipe.
      Mas os axiomas são o alfabeto dos que se aventuram pelo mundo do investimento (ou como diria Gunther: especulação)!
      Embora tratem do mesmo assunto, são coisas distintas!

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    • Genisson 22 de setembro de 2020

      Até o momento eu li Os Axiomas de Zurique, e sinceramente, achei o livro fantástico, é um visão muito boa. Aconselho a leitura. Abç: Equipe MeuMoney.info

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    • Josy 2 de fevereiro de 2021

      Acho tendencioso vocês preferirem OMAHA. Gunther literalmente “mete o pau” nos gurus das previsões, nas empresas que vendem ilusões de ordem. Segundo ele o mercado financeiro reflete o comportamento humano, ou seja, imprevisível. Eu tenho os dois livros,entre outros, e dá para tirar boas lições dos dois.

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