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    Especulação: como funciona essa prática? Vale a pena fazer?

    Especulação: como funciona essa prática? Vale a pena fazer?
    especulação

    Muitas pessoas praticam a especulação acreditando estarem, na realidade, exercendo uma atividade de investimento, o que não é, de fato, uma verdade.

    Ao entrar no mercado de capitais com o intuito de tentar lucrar no curto prazo, mediante operações de alto risco realizadas várias vezes em um mesmo dia, o que elas fazem é o que se conhece no mercado como especulação.

    O que é especulação?

    A especulação pode ser definida como o ato de negociar um ativo ou realizar uma transação com o objetivo de lucrar no curto prazo com as variações de preços.

    Por exemplo, alguém que especula na posição comprada, espera que o ativo se valorize. E o oposto ocorre em uma posição vendida. Neste caso, lucra-se com a desvalorização desse ativo.

    No caso de ações, por exemplo, pode-se comprar uma ação com a esperança de vendê-la mais cara alguns dias depois.

    Ou então, é possível alugar esta ação e vendê-la, com a esperança de recomprá-la mais tarde por um preço menor.

    Com quais ativos é possível especular?

    Mas vale destacar que a especulação não está restrita somente às ações.

    Na verdade, as primeiras operações especulativas em bolsa de valores foram registradas em contratos futuros de commodities agrícolas, como soja e milho.

    No entanto, hoje em dia é possível especular com diversas aplicações diferentes, como:

    Geralmente quem especula é chamado de trader e seu principal objetivo é auferir rendimentos superiores a média de mercado.

    O prazo para uma operação especulativa pode variar, mas geralmente não passa de alguns meses.

    No limite existem as operações de day trade, que são abertas e encerradas no mesmo dia.

    Uma das ferramentas que os especuladores utilizam para tentar antever a direção do mercado no curto prazo se chama análise técnica.

    A análise técnica é o estudo do comportamento de preços e outras variáveis de mercado com a finalidade de encontrar padrões históricos.

    Esses padrões são então projetados para o futuro, fornecendo ao especulador uma estimativa quanto aos próximos movimentos de preços.

    Como funciona a especulação financeira?

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    A especulação financeira pode ser desenhada por meio de um ciclo de acontecimentos, como o que segue abaixo:

    1. Euforia

    Quando uma economia se encontra em uma fase de alta, toda a cadeia produtiva entra em um ciclo de otimismo e euforia.

    Diante desse cenário surgem novas iniciativas de empreendedorismo, busca por crédito, atração de investidores, aumento do PIB e forte valorização na Bolsa de Valores.

    No caso das ações, quando os preços entram em um canal de alta, a tendência é que eles atinjam o pico e se estabilizem.

    2. Valorização de ações atraem mais investidores

    No entanto, o que acontece muitas vezes é que, em vez de atingir um patamar estável, o preço alto das ações continuam a subir, atraindo, sobretudo, os investidores iniciantes.

    Geralmente esse perfil de investidor não está acostumado com o mercado financeiro, sendo atraído pelo otimismo gerado pelo efeito manada.

    A entrada de uma forte injeção de recursos pode fazer com que o preço das ações chegue a patamares artificiais. Em outras palavras, significa que o valor do ativo pode estar inflado.

    3. Quando a bolha estoura

    O aumento contínuo gerado pelo situação acima mencionada faz com que os investidores, aos poucos, se deem conta de que a alta chegou ao seu auge.

    Desse modo, eles começam a se desfazer do papel no intuito de obter o máximo de lucro no final desse ciclo de valorização.

    Passada então a euforia do ciclo de alta, o que se vê a partir de então é uma fuga em massa de investidores, com a consequente queda no preço dos papéis.

    Quais são os tipos de especulação financeira?

    São muitos os tipos de especulação financeira que podem ser realizados no mercado financeiro, sendo que cada um deles possui uma estratégia específica que melhor se adequa ao perfil do investidor:

    Day Trade

    Corresponde a uma modalidade de negociação utilizada no mercado financeiro para obter lucro com a oscilação de preço, ao longo de um único dia.

    O especulador, também conhecido como trader, nunca encerra um pregão com ações em carteira.

    Sendo assim, ele sempre compra e vende (ou vende e compra) no mesmo pregão, realizando o lucro (ou prejuízo) no mesmo dia.

    Swing Trade

    O swing trade é uma estratégia especulativa onde um ativo é mantido por um ou mais dias em carteira.

    Dessa forma, esse tipo de especulação busca um período mais amplo, por meio do qual seja possível visualizar uma tendência em linha com a estratégia do especulador.

    Robôs Traders

    Na estratégia de compra e venda por meio da especulação, o tempo é fator determinante para o sucesso da operação.

    Isso porque o especulador deve ser extremamente ágil, visto que a demora para encerrar uma operação pode mitigar os seus lucros.

    Para aqueles que não dispõem de tempo suficiente, uma forma de contornar esse problema seria fazendo o uso de robôs traders.

    Esses robôs são configurados em servidores com sistemas lógicos e possuem estratégias avançadas de investimentos.

    Flippers

    O flipper é um investidor que compra as ações das empresas na fase de oferta pública inicial de ações (IPO) e vende os ativos no pregão de estreia por um preço mais alto.

    Com essa operação, conhecida como flipagem, esses especuladores conseguem muitas vezes obter altos lucros no IPO.

    Qual a diferença entre especular e investir?

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    Especular ou investir podem parecer a mesma coisa à primeira vista. Superficialmente, poderia dizer que investir é especular a longo prazo.

    De fato, a diferença do horizonte da aplicação entre o especulador e o investidor é bastante grande.

    Enquanto o primeiro foca em dia, semanas e meses, o segundo espera resultados significativos em anos e décadas.

    Mas a principal diferença está no modo de encarar a aplicação financeira.

    Por um lado, o especulador busca prever a direção de preços daquele ativo que está negociando.

    Já o investidor se preocupa não com os preços daquele ativo em si, mas sim, com os fluxos de caixa gerados por aquele ativo.

    Ou seja, todos aqueles ativos que não geram caixa não podem ser considerados investimentos.

    Por exemplo, dólar, ouro, opções e terrenos, são essencialmente aplicações especulativas.

    Estes ativos não geram dinheiro. Um dólar será sempre um dólar. Um grama de ouro será sempre um grama de ouro. E um pedaço de terra continuará sendo o mesmo pedaço de terra.

    Já no caso de ações, por exemplo, o cenário é diferente. Ações são a menor fração do capital de uma Sociedade Anônima listada em bolsa de valores.

    E as empresas possuem atividades na economia real, gerando receitas e lucros para os seus acionistas.

    Qual a diferença entre preço e valor?

    É importante destacar que o valor de uma empresa isso nada tem a ver com as condições de negociação das suas ações.

    Por exemplo, o preço de uma ação não diz nada a respeito sobre a empresa que aquela ação representa.

    Para entender a empresa é preciso estudar o negócio em si, por exemplo:

    • Como a empresa ganha dinheiro;
    • Quais são seus concorrentes;
    • Como está sua dívida;
    • Quem são os gestores;
    • Quais as perspectivas do negócio.

    Todo esse trabalho de entender os fundamentos de um ativo que gera caixa se chama de análise fundamentalista.

    E por que a análise fundamentalista é importante?

    Porque no longo prazo o preço pago em função da geração de caixa é o que irá determinar o retorno do investidor.

    Um preço barato em relação a muito caixa no futuro é o pilar básico da estratégia do Value Investing.

    Com isso, o acionista ganha de duas formas, que é recebendo dividendos e através da valorização da ação.

    Os dividendos são uma parte dos lucros da empresa distribuídos ao investidor. Já a valorização da ação irá depender do crescimento dos lucros do negócio.

    Quais são as características da especulação financeira?

    A especulação financeira é uma prática cada vez mais recorrente no mercado de investimentos.

    Então, vale destacar que se você tentar especular sem saber o que está fazendo, pode cair em uma grande cilada.

    Para ter sucesso nesse tipo de operação, em primeiro lugar é importante destacar quais são as principais características da especulação financeira:

    • Buscar retornos acima da média do mercado;
    • Operações realizadas em um curto espaço de tempo;
    • Não utiliza análise fundamentalista;
    • Estabelece uma série de projeções para a cotação no curto e médio prazo;
    • Em momentos conturbados, os traders aumentam ainda mais suas posições aproveitando preços mais baratos dos ativos;

    Qual o impacto da especulação na Bolsa de Valores?

    A Bolsa de Valores costuma ser muito usada não só para compra e venda de ações, mas também para negociar contratos derivativos como mini contratos de dólar, de índice, de commodities, entre outros.

    Se por um lado é possível investir em ações visando exclusivamente o longo prazo, a especulação também pode ser outra alternativa ao investidor.

    Conforme já visto, a especulação oferece um retorno potencialmente elevado para compensar o alto risco associado a elas.

    Como essas operações de compra e venda são feitas em um curto espaço de tempo, a especulação acaba sendo uma ferramenta importante para garantir a liquidez dos ativos listados na Bolsa de Valores.

    Isso porque, se todos os investidores fossem focados no longo prazo, existiria uma oferta muito baixa de ações e provavelmente seria difícil fechar as posições no mercado financeiro.

    Por outro lado, a especulação intensa e sem fundamentos pode inflar o preço de um ativo provocando impactos negativos como uma bolha especulativa.

    Quando ocorre uma bolha especulativa?

    É por conta da especulação que, na maioria das vezes, as famosas bolhas financeiras são formadas nos mercados.

    Como os recursos financeiros são mais voláteis do que na economia real, muitas vezes o ciclo de alta no preço das ações ocorre em descompasso com o crescimento da produção, de modo que não há uma base fundamentada que justifique a alta.

    Diante da ilusória promessa de altos ganhos em curtos espaços de tempo, as pessoas seguem a tendência, sem ao menos se questionar a respeito dos riscos que tais efeitos podem vir a oferecer.

    Quando os preços chegam em um pico, a bolha especulativa rompe e começa a haver então uma desvalorização repentina nos valores dos ativos.

    O comportamento de manada também está presente quando estas bolhas estouram, e os investidores correm um atrás dos outros para se desfazer de seus papéis.

    Quais são os riscos da especulação financeira?

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    Não há dúvidas de que a especulação é algo muito mais sedutor do que os investimentos de longo prazo.

    Afinal, existem casos de pessoas que ganharam fortunas em pouco tempo enquanto a maioria dos investidores de sucesso já tem cabelos brancos.

    É possível ficar rico muito rápido especulando? Sim, é possível.Só que é improvável. Não existe dinheiro fácil.

    Investir a longo prazo também não é garantia de sucesso. Mas pelo menos você coloca as chances a seu favor.

    São muito raros os casos de pessoas que enriqueceram no curto prazo e mantiveram esta riqueza com base na especulação.

    Por outro lado, é possível encontrar diversos casos de investidores que enriqueceram a longo prazo, com base na análise fundamentalista.

    É importante mencionar que é muito difundida a ideia de que, com a especulação, o risco de perda é mais do que compensado com a possibilidade de ganhos enormes.

    É preciso que fique bem claro que a probabilidade de perda de capital, no curto prazo, é estatisticamente muito maior do que a possibilidade de ganho, tornando, portanto, essa atividade altamente arriscada.

    Mas por que especular é tão arriscado assim? Veja abaixo alguns motivos:

    Alavancagem

    Ninguém é obrigado a tomar dívidas para especular.

    Entretanto, algumas pessoas, por inexperiência, ganância, ou uma combinação dos dois, buscam alavancar suas aplicações para tentar ganhar mais dinheiro.

    Isto adiciona um risco a mais na operação, podendo levá-las à falência completa.

    Custos operacionais

    Sempre que alguém decide negociar algum ativo, irá pagar a corretagem e outras taxas.

    Portanto, especular custa caro.], pois a cada movimento de compra ou venda, este especulador estará deixando uma parte do seu capital para a corretora.

    Dessa forma, quem quiser operar freneticamente, terá que ter um índice de acertos muito alto para compensar todos esses custos de transação.

    Conflitos de interesse

    Infelizmente, grande parte do mercado de capitais é contaminado por conflitos de interesse.

    Como as corretoras e a própria bolsa de valores lucram com capital especulativo, ao invés do investimento, é compreensível que estas instituições fomentem este tipo de atividade.

    Não são raros os casos de corretores que estimulam os clientes a girarem sua carteira com frequência, pagando altas taxas de corretagem.

    Nos piores casos estes profissionais mal intencionados estimulam a negociação em ativos mais arriscados, que porventura sejam mais caros para negociar.

    Some-se a isso a dezena de cursos de trading e gurus do mercado, que tentam ensinar técnicas infalíveis para ganhar dinheiro rapidamente.

    É lógico que não é culpa somente da oferta. Existe muita demanda para trading, especulação, e promessas de dinheiro rápido.

    Tempo

    Quem costuma realizar operações especulativas necessita perder grande parte do dia para acompanhar o mercado e negociar ativos.

    Processos dessa natureza, como mencionados anteriormente, apresentam altos riscos e são, em muitas vezes, responsáveis pelas altas volatilidades que podem ser observadas em praticamente todos os mercados de renda variável do planeta.

    Como o mercado é muito volátil, existe a necessidade de ter uma proximidade maior com o mercado.

    Vale a pena fazer especulação na bolsa de valores?

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    Sem dúvida, especulações são perigosas e podem ser sinônimo de desastre financeiro para muitas pessoas. Por conta disso, é recomendável que esse tipo de prática seja descartada de imediato por aqueles que vislumbram o sucesso de suas aplicações em um horizonte de longo prazo.

    O investimento, ao invés da especulação, se provou o melhor caminho para enriquecer. E provavelmente será a forma de alcançar sua independência financeira.

    É coerente perceber, entretanto, que para os investidores simpatizantes do Value Investing, os movimentos especulativos, de certa maneira, não deixam de ser positivos.

    Isso pode ser uma verdade se analisarmos o fato de que, diante de movimentos especulativos de alta, na maioria das vezes observa-se, em seguida, fortes movimentações de baixas nos preços dos ativos

    Para quem investe com o foco no longo prazo, é intuitivo entender que, em cenários de queda, as oportunidades surgem aos montes.

    Logo, para um investidor de valor, a existência de movimentos especulativos pode ser entendida, também, como necessária para a desenvoltura de suas estratégias de investimentos.

    Por estes motivos, a presença dos especuladores na verdade é algo bom para quem busca investir a longo prazo.

    Algumas pessoas podem se perguntar: Se o investimento a longo prazo é tão bom assim, por que não é tão difundido?

    Na verdade, como foi visto anteriormente, não é de interesse da indústria geral do mercado financeiro divulgar estratégias em que apenas um lado tende a ganhar.

    Isto sem falar no baixo nível de educação financeira do brasileiro. Infelizmente, menos de 2% da população investe diretamente através da bolsa de valores.

    Já surgiram casas de análise independentes, como é o caso da Suno. Desta forma, é questão de tempo até que a democratização do investimento a longo prazo atinja cada vez mais pessoas.

    Mas, para quem está iniciando neste mercado, o melhor e mais seguro caminho é fazer apostas diversificadas, em ações de várias companhias, sempre orientado para a perspectiva de longo prazo ao invés da mera especulação.

    Perguntas frequentes sobre especulação
    Qual é o significado de especular?

    Especular, em sentido financeiro, corresponde ao ato de negociar um ativo ou realizar uma transação com o objetivo de lucrar no curto prazo com a variação de preços.

    O que é especulação de mercado?

    A especulação de mercado diz respeito ao ato de realizar uma transação financeira, com base em uma estimativa do que pode acontecer no futuro, de modo a se expor a grandes lucros ou perdas.

    O que é especular na bolsa de valores?

    Especular na bolsa de valores significa “apostar” na valorização ou desvalorização de curto prazo de um ativo financeiro, para obter rendimento com esta operação.

    Qual é a diferença entre investidor Hedger e especulador?

    O investidor hedger busca proteger sua carteira para minimizar os riscos de perda em caso de oscilações no valor dos ativos. O especulador, por sua vez, busca aumentar seus lucros em um curto espaço de tempo e por conta disso se expõe agressivamente a riscos.

    Qual é a diferença entre investimento e especulação?

    Uma operação de investimento é uma análise detalhada que considera os objetivos e o perfil do investidor. Dessa forma, no investimento os aportes podem ter foco no curto, médio e no longo prazo e o retorno é alinhado aos riscos do investimento.
    Por outro lado, na especulação os ativos financeiros são adquiridos com o objetivo de fazer a venda futura com lucro, em um espaço curto de tempo.

    Bibliografia

    https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/927263/mod_resource/content/0/Paul%20Singer%20-%20PARA%20ENTENDER%20O%20MUNDO%20FINANCEIRO.pdf

    https://www.scielo.br/pdf/ecos/v22n3/01.pdf

    https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/artigos/495/04-MaryseFarhi.pdf

    Rodrigo Wainberg
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