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    Inadimplência: entenda como evitá-la e se livrar das dívidas

    Inadimplência: entenda como evitá-la e se livrar das dívidas

    Em países de grandes volatilidades econômicas como o Brasil, no quais as crises são frequentes, a inadimplência é uma realidade que se faz presente para boa parte da população. Como as pessoas estão sujeitas à quedas bruscas na renda, bem como altas de inflação, não é incomum elas não conseguirem honrar suas dívidas no prazo.

    Mesmo com essa conjuntura, boa parte da população ainda não tem conhecimento do que se trata, de fato, esse termo bastante difundido por economistas e educadores financeiros. Dessa forma, a importância de se discutir a inadimplência e suas consequências na sociedade é ainda maior.

    O que é inadimplência?

    A inadimplência é uma situação que ocorre quando uma pessoa – ou empresa – deixa de efetuar um determinado pagamento na data previamente combinada entre as partes. Portanto, esse não pagamento no prazo acordado, posterga esse compromisso para algum lugar de um futuro incerto.

    A inadimplência e seu significado geram muitas dúvidas, já que essa situação pode ocorrer tanto com pessoa física quanto pessoa jurídica. Além disso, não são apenas dívidas em atraso com instituições financeiras que podem tornar alguém inadimplente. Dívidas com qualquer estabelecimento, cheque sem fundos ou mesmo o não pagamento de tributos podem tornar o indivíduo inadimplente.

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    Para ilustrar melhor essa situação, suponha que chegue, em uma determinada empresa, a conta de energia elétrica mensal daquele empreendimento. No caso desse exemplo, o vencimento da conta está marcado para o dia 05.

    Neste enredo, se por algum motivo essa companhia não efetuou esse pagamento no referido dia 05, então a partir do dia 06, ou seja, já no dia seguinte, esse empreendimento se torna inadimplente. Dessa forma, ele não efetuou o pagamento de um compromisso na data previamente combinada com a companhia de energia provedora do serviço em questão.

    Na prática, há de se mencionar que, ao divulgar os seus resultados, ao final do trimestre em questão, essa empresa de energia elétrica irá demonstrar, eu seu balanço patrimonial, um aumento no item “contas a receber”. Esse item é referente a essa e a todas as outras contas de energia que ainda terá para receber de outros clientes que também se encontram inadimplentes.

    A partir do não pagamento da dívida na data prevista, a empresa que não recebeu o pagamento pode reportar aos sistemas de proteção ao crédito esse atraso. Portanto, o CPF ou CNPJ do devedor pode aparecer nos cadastros de restrição ao crédito.

    Em geral, leva alguns dias para o nome de um devedor aparecer no cadastro de inadimplentes das agências protetoras ao crédito. Visto que a empresa costuma esperar o pagamento um pouco após o prazo, antes de reportar o fato.

    O que pode gerar a inadimplência?

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    A inadimplência pode ser gerada tanto por fatores conjunturais, como queda do ritmo da economia, aumento da inflação, aumento do desemprego e situações desse gênero. Como esses fatores tende a impactar a renda das pessoas, é comum que as pessoas que acabam se encontrando nessa situação não consigam honrar seus pagamentos.

    Além disso, há também os casos de inadimplência por falta de controle dos gastos de uma pessoa ou empresa. Nesses casos, os indivíduos ou companhias se comprometem com mais dívidas do que aquelas que eles tem capacidade de realizar o pagamento.

    Como é calculada a inadimplência no Brasil?

    A inadimplência no Brasil é calculada a partir dos empresas de proteção ao crédito, como SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), Boa Vista e Serasa. Essas são as empresas para as quais é reportado quando uma pessoa ou empresa deixa de honrar suas dívidas no prazo estipulado para pagamento.

    Vale ressaltar que um valor em aberto não é considerada inadimplência imediatamente. As empresas precisam de um período para confirmar se de fato o pagamento não foi realizado e realizar algum tipo de contato com o cliente para tentar receber o pagamento.

    Após cumprido esse período, os valores em aberto podem, portanto, ser reportados para os serviços de proteção ao crédito. Dessa forma, os números que constam como inadimplência são aqueles que já passaram por esse período posterior ao atraso do pagamento e foram reportados.

    Dessa forma, essas empresas aglutinam as informações sobre o nível de inadimplência no Brasil. Portanto, dados como nível de inadimplência, quantidade de pessoas ou empresas com pagamentos atrasados e até mesmo os montantes relacionados aos pagamentos em aberto são compilados por essas empresas.

    Essas empresas são importantes, especialmente para o mercado de crédito como um todo. A partir dessas empresas, é possível que as agências possam consultar dados sobre a inadimplência de um cliente no momento em que esse requisita alguma linha de crédito.

    Além disso, essas empresas, em geral, possuem um sistema de score de crédito que apresenta a capacidade de cada pessoa de honrar com seus pagamentos futuros. Em geral, no momento de fechar um contrato, até mesmo de aluguel, é comum que seja solicitada a pontuação do requerente nessas instituições de proteção ao crédito.

    O número estimado de inadimplentes no Brasil estava na casa dos 61 milhões de cidadãos brasileiros no final de 2020, segundo o Serasa Experian. Esse valor representa aproximadamente 40% da população adulta brasileira. Essa taxa está próxima do recorde registrado no mesmo ano de 2020 que foi de quase 66 milhões de inadimplentes.

    Quais os principais indicadores da inadimplência no Brasil?

    Os indicadores de inadimplência no Brasil são calculados basicamente pelas agências de proteção ao crédito, como Serasa, Boa Vista e SPC Brasil. Esse fato ocorre porque essas empresas recebem os dados referentes à novos inadimplentes e, portanto, tem uma maior facilidade para formular os referidos indicadores.

    O principal indicador de inadimplência no Brasil é com relação ao total de negativados em comparação com a população brasileira em idade adulta. Dessa forma, estima-se a quantidade de pessoas física que possuem alguma dívida em atraso e divide-se pela quantidade de pessoas entre 18 e 95 anos.

    Como apresentado, no ano de 2020, o número de inadimplentes no Brasil estava acima dos 60 milhões de negativados. Nesse caso, o índice de pessoas caracterizadas como inadimplentes é de aproximadamente 40%.

    Há também indicadores, como o feito pela Boa Vista, que visa apresentar o percentual de novos inadimplentes. Esse índice visa apresentar como está a tendência da inadimplência no Brasil e não apenas consolidar os números absolutos referentes a esse indicador.

    Os indicadores de inadimplência não são restritos à pessoas físicas, há também o indicador para inadimplência das pessoas jurídicas. Em dezembro de 2020, por exemplo, o número de empresas inadimplentes estava próximo de 6 milhões. Sendo que desse número, cerca de 51% eram empresas do setor de serviços e 39% eram do setor de comércio.

    Além desses dois indicadores que tratam de forma mais direta da inadimplência tanto de pessoas físicas quanto pessoas jurídicas, existem outros indicadores que podem auxiliar a percepção da inadimplência. Como, por exemplo, solicitações de recuperação judicial de empresas ou declaração de falências.

    Esses requerimentos podem indicar um aumento futuro da inadimplência, caso haja alguma variação relevante na tendência. Vale ressaltar em relação às falências, que a Lei de Falências no Brasil tende a proteger o credor. Visto que o coloca como prioridade de pagamento a partir da venda dos ativos da massa falida da empresa em questão.

    Qual a diferença entre dívida e inadimplência?

    inadimplência

    Quando o assunto é dívida e inadimplência é normal surgirem uma série de dúvidas conceituais sobre o que significa inadimplente. Diferente do que muitas pessoas acreditam, não é porque alguém possui uma dívida que essa pessoa é inadimplente. Ou seja esse não é o significado de inadimplente.

    Uma dívida é qualquer compromisso de pagamento que uma pessoa tenha assumido. Dessa forma, caso determinada pessoa tenha um financiamento de imóvel com 100 parcelas a pagar, ela terá essa dívida até o momento em que quitar a última parcela do financiamento, a mesma lógica vale para qualquer dívida desse gênero.

    Até mesmo uma pessoa que possui cartão de crédito e paga a totalidade da fatura todos os meses possui uma dívida. Ao passo que a pessoa utiliza um cartão de crédito e apenas paga os valores das suas compras um determinado tempo depois, durante esse período esse valor é considerado uma dívida.

    Dessa forma, a pessoa só se tornará inadimplente caso ela não honre o pagamento dessa dívida dentro no prazo previamente acordado. Portanto, nesse mesmo caso do financiamento, caso essa pessoa atrase uma das parcelas, ela se tornará inadimplente. Dessa forma, devedor não é sinônimo de inadimplente.

    Ainda em relação à cartões de crédito, suponha uma pessoa que em determinado mês realizou o pagamento mínimo do cartão de crédito e determinado valor teve seu pagamento postergado. Mesmo nesse caso, essa pessoa não é considerada inadimplente, visto que ela não tem descumpriu o prazo de pagamento.

    Nesse caso específico do cartão do crédito, o indivíduo só será considerado inadimplente, caso não realize nem mesmo o pagamento mínimo estipulado pelo cartão de crédito. Essa mesma lógica vale para o caso do cheque especial.

    Vale ressaltar que o registro nos sistemas de proteção ao crédito de determinada pessoa ou empresa como inadimplente é realizado pelo credor. Em geral, o não pagamento só é reportado depois de um período no qual o credor deve confirmar o não recebimento e em alguns casos realizar uma primeira cobrança dos valores em atraso.

    Quais são os principais perfis de inadimplentes?

    O perfil dos inadimplentes no Brasil é traçado também pelas agências de proteção ao crédito, visto que essas possuem maior facilidade dos dados desse tipo. Dessa forma, fica mais simples entender quais tipos de pessoas são mais suscetíveis a não honrar os pagamentos das dívidas no prazo.

    Com relação ao gênero dos inadimplentes, esse percentual é bastante parecido, com os homens tendo um contingente um pouco maior de inadimplência. Nesse caso, os homens respondem por 50,9% do total dos inadimplentes no Brasil.

    A faixa de renda também é um dos fatores que mais sinalizam o perfil de inadimplentes no país. Com relação ao total de inadimplência, 39,1% ganham entre 1 e 2 salários mínimos. Ao passo que outros 38,8% dos inadimplentes ganham até um salário mínimo. Dessa forma, é possível afirmar que quase 80% dos inadimplentes no Brasil recebem até 2 salários mínimos.

    Outro fator importante com relação à inadimplência, é que em muitos casos um indivíduo inadimplente possui apenas uma dívida, é o caso de 37%. Contudo, o percentual de pessoas inadimplentes que possuem quatro ou mais dívidas também é expressivo, cerca de 30% do total.

    A idade dos inadimplentes no Brasil também pode ser um fator que ajude a explicar o perfil dos negativados brasileiros. A faixa de idade com maior percentual entre os inadimplentes é a das pessoas entre 41 e 50 anos, que respondem por 19,4% desse montante. Em segundo nessa lista, estão as pessoas entre 18 e 25 anos, as quais representam quase 15% do total de inadimplentes.

    A análise do perfil de inadimplentes no Brasil é importante para o mercado de crédito, visto que esses fatores tendem a impactar a análise. Especialmente no caso do nível de renda, visto que a grande maioria dos inadimplentes está dentro de uma faixa de renda, portanto, é comum que as pessoas que se encaixem nessas características tenham maior dificuldade para acessar linhas de crédito.

    Como identificar a inadimplência nas empresas?

    inadimplência

    O fenômeno financeiro da inadimplência gera desafios bastante complexos para as empresas que contam com os recursos dos clientes. Feita essa referência, é fácil concluir que quanto maior for esse descasamento das contas a receber com, de fato, o dinheiro que entra no caixa, maiores serão os obstáculos a serem superados.

    Os impactos da inadimplência nas empresas pode levar com essas empresas cheguem ao limite e declarem falência. Em geral, existem muitas empresas que não possuem preparo para enfrentar turbulências. Entre os principais impactos negativos do aumento da inadimplência nas empresas são:

    • Problemas de fluxo de caixa;
    • Queda na lucratividade da companhia;
    • Queda na fidelização de clientes.

    Dessa forma, as empresas tendem a traçar planos para mapear a inadimplência e se precaver de quedas inesperadas nas receitas. Um dos fatores que é comum nas empresas é a utilização de um pós-venda ativo. Ou seja, a empresa busca se comunicar com o cliente após a venda para verificar informações sobre o pagamento, como recebimento do boleto, por exemplo.

    Além disso, é comum utilizar um trabalho pré-venda que visa em suma mapear o público-alvo dos produtos da empresa. A partir desse mapeamento, fica mais simples a mensuração do risco de inadimplência ao longo do período.

    Com relação a esse tipo de controle, é comum também as empresas realizarem processos em que fatos da conjuntura econômica podem ligar alertas. Por exemplo, caso os dados relacionados ao desemprego ou à informalidade do mercado de trabalho piorem, a empresa já pode prever um aumento da inadimplência na sua carteira de clientes.

    A inadimplência na maioria dos casos costuma ser um fator temporário para os clientes das empresas. Dessa forma, é comum que as empresas tratem as cobranças com certo cuidado e não enxerguem nesses clientes um inimigo. Visto que em geral, esses clientes costumam voltar a comprar os produtos dessas empresas no futuro.

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    Como evitar a inadimplência?

    Naturalmente existem recursos para se contornar essa situação de inadimplência e que podem ser eficazes ou não. Porém, é muito importante que toda pessoa mantenha ao máximo o controle de suas finanças pessoais, de modo que consigam, ao máximo, manter sob controle as diversas complexidades que existem na vida financeira.

    Os principais motivos, sem contar fatores externos, para o aumento da inadimplência das pessoas são:

    • Desorganização financeira por parte dos devedores;
    • Aquisição de muitos compromissos que fogem da realidade financeira daquele momento;
    • Falta de caixa por algum motivo de força maior;

    Dessa forma, existem alguns passos que qualquer pessoa pode utilizar para melhorar o controle do orçamento familiar. É importante ressaltar também que é essencial que as finanças de uma família sejam discutidas em conjunto, dado que isso facilitaria mapear os gastos e manter o controle dos mesmos.

    Levantar todos os gastos

    O primeiro passo para uma família é reunir todos e mapear todos os gastos que são realizados por cada pessoa da família. Vale lembrar que dentro desse mapeamento devem ser incluídos desde os gastos coletivos como aluguel, luz, água e alimentação, como também os gastos pessoas de cada um, como vestuário, lazer, medicamentos, entre outros.

    A partir desse levantamento fica mais simples para organizar os gastos e ver como encaixá-los dentro do orçamento familiar. A partir desse ponto é possível ver se há espaço para novos gastos ou aquisições. Vale lembrar que é importante ter uma sobra no orçamento, bem como um fundo de reserva, para caso haja alguma eventualidade.

    Minimizar custos desnecessários

    Nos casos de orçamento é apertado, é importante tomar algumas medidas, como pesquisar melhor os preços antes de efetuar uma compra. Práticas como essa colaboram para diminuir o nível de gastos desnecessários dentro de uma família.

    Vale ressaltar que gastos desnecessários difere de gastos com bens não essenciais para sobrevivência como lazer, esses devem ser enquadrados no orçamento de acordo com a capacidade de gastos de cada família.

    Pagamentos adiantados

    Uma forma eficiente de reduzir os gastos, pode ser realizar o pagamento de cota única de contas periódicas quando houver desconto relevante. Muitas contas como IPVA, IPTU e até mesmo mensalidade de escolas oferecem a possibilidade de pagamento antecipado de uma cota única com um desconto expressivo.

    Evitar se tornar inadimplente é um exercício que deve ser realizado por tdos os cidadãos, dado que beneficia a ele próprio e à economia como um todo. Sem dúvidas a fatores externos que podem levar uma pessoa ou uma empresa à inadimplência e que foge do controle de cada um, nesses casos é importante tentar uma negociação com o credor ou ação similar.

    PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE INADIMPLÊNCIA
    O que é uma pessoa inadimplente?

    A inadimplência é uma situação que ocorre quando uma pessoa – ou empresa – deixa de efetuar um determinado pagamento na data previamente combinada entre as partes. Portanto, esse não pagamento no prazo acordado, posterga esse compromisso para algum lugar de um futuro incerto.

    O que significa risco de inadimplência?

    O risco de inadimplência está relacionado à probabilidade de uma pessoa não honrar o pagamento de uma dívida no prazo acordado. Em geral, quanto maior o risco de inadimplência de uma pessoa, maior é a dificuldade de ela conseguir uma linha de crédito e dado o maior risco, a taxa de juros cobrada tende a ser maior.

    O que fazer com inadimplência?

    Para evitar o risco de inadimplência é recomendado para as empresas incentivarem o recebimento à vista dos pagamentos. Além disso, é importante ter controles estritos para cessão de crédito, evitando abrir linhas de crédito e negócios com clientes com alto risco de se tornarem inadimplentes.

    Como saber se a pessoa está inadimplente?

    Para consultar se uma pessoa está inadimplente é necessário consultar as bases das agências de proteção ao crédito, como SPC, Serasa e Boa Vista. Essas empresas compilam os dados e informações sobre as pessoas que se encontram inadimplentes no Brasil.

    O que fazer para acabar com a inadimplência?

    A inadimplência é um problema para muitas pessoas e empresas no Brasil. Dessa forma, no caso das pessoas inadimplentes, o caminho para acabar com a inadimplência é uma melhor organização da finanças pessoas. Ao passo que para as empresas, é importante ter um controle rígido da cessão de crédito e abrir negociações para receber os pagamentos em atraso.

    Bibliografia

    https://ideas.repec.org/p/bcb/wpaper/192.html

    https://www.redalyc.org/pdf/3372/337230057006.pdf

    http://anpad.org.br/periodicos/arq_pdf/a_740.pdf

    Tiago Reis
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    1 comentário

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    • Cleide 6 de agosto de 2020

      Boa explicação

      Responder