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    Spread bancário: o que é e por que ele é tão grande no Brasil?

    Spread bancário: o que é e por que ele é tão grande no Brasil?
    spread bancário

    Grande parte das pessoas possuem conta em bancos, porém poucas sabem como eles conseguem obter lucro em suas operações. Nesse sentido, o spread bancário é um termo em inglês ainda pouco conhecido.

    No Brasil, o spread de operações financeiras está elevado por diversos fatores e isso impacta na economia. Desse modo, é importante saber o que é o spread bancário e como ele funciona.

    O que é spread bancário?

    O spread bancário é a diferença entre os juros que um banco paga ao captar dinheiro do cliente e a taxa que ele cobra ao emprestar esse capital a terceiros.

    Em outras palavras, o spread é a diferença entre o preço de compra e venda em uma transação monetária.

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    Para ficar mais claro, podemos calcular o spread bancário pela seguinte fórmula:

    • Spread = Taxa de empréstimo cobrada pelo banco – Taxa paga pelo banco

    Em um contexto mais amplo, o spread bancário tem reflexo indireto sobre a produtividade, a eficiência e o crescimento econômico de um país.

    Por isso, muitas vezes um spread elevado é entendido como um dos principais obstáculos para a democratização do crédito, podendo inclusive limitar o desenvolvimento econômico de um país.

    Entendendo como os bancos ganham dinheiro

    Para que um banco consiga captar recursos junto aos investidores, ele geralmente lança títulos de crédito no mercado.

    Neste sentido, a taxa que o banco paga por oferecer esses títulos corresponde à remuneração oferecida aos investidores, em títulos como:

    1. Certificado de Depósito Bancário (CDB);
    2. Letras de Crédito imobiliário (LCI);
    3. Letras de Crédito do Agronegócio (LCA);
    4. Letras de Câmbio (LC).

    Chamamos de margem financeira com clientes o resultado bruto da atividade de intermediação financeira.

    Ou seja, é a prática de captar dinheiro a uma taxa menor do que aquela cobrada dos clientes do banco.

    No exemplo mostrado acima, a margem financeira com clientes seria de R$ 10 mil.

    Além disso, também existe a margem financeira com o mercado, que envolve as operações da tesouraria do banco.

    Já a taxa que o banco cobra são os juros que os devedores devem pagar sempre que contraem empréstimos e financiamentos.

    Exemplos de operações de crédito:

    Para ilustrar, suponha que você aplique R$ 100 mil em um CDB do banco X que irá lhe oferecer 5% ao ano de rentabilidade. Essa é a taxa que o banco paga a você.

    Na outra ponta, o banco consegue emprestar esses R$ 100 mil cobrando uma taxa de 15% ao ano em um empréstimo consignado.

    Assim, o spread da instituição neste caso será de 15% – 5%, ou seja, 10%.

    Logo, o lucro do banco nessa operação será de 10% X R$ 100.000 = R$ 10.000

    Como os bancos costumam ficar com muito dinheiro em caixa (float), fruto dos depósitos à vista e a prazo, a tesouraria pode investir esses recursos em aplicações financeiras de curto prazo, de forma a potencializar os resultados.

    Geralmente as operações de tesouraria são remuneradas com uma taxa pós-fixada ao CDI.

    NIM (Margem Líquida de Juros)

    A NIM significa Net Interest Margin, ou margem líquida de juros. Na prática, esse valor é uma medida do spread bancário da instituição financeira.

    Quanto maior o NIM para um mesmo volume de operações de crédito, maior tende a ser a margem financeira com o mesmo volume de captação.

    Portanto, esse é o “jogo” do dinheiro. Neste jogo, as instituições procuram, a todo momento, reduzir o preço que pagam pelo capital. E ao mesmo tempo, cobrar o máximo possível dos seus clientes.

    É necessário também destacar a importância das receitas com prestação de serviços na margem de lucro do banco.

    Isto é, apesar da atividade de intermediação financeira ainda ser a maior fonte de lucros para os banco, a prestação de serviços também interfere nos lucros bancários.

    De fato, os bancos lucram com outros serviços como:

    1. Tarifas de conta-corrente;
    2. Anuidades de cartões de crédito;
    3. Taxas de administração e gestão de fundos de investimento;
    4. Assessoria financeira e corretagem;
    5. Serviços de Câmbio.

    Como o spread bancário é composto?

    spread bancário

    Sempre que um banco realiza uma operação de crédito, ele realiza uma análise da capacidade de pagamento do devedor, também chamada de análise de crédito.

    Dessa forma, o banco espera embutir no spread bancário o risco da operação, assim como outros fatores.

    Existem diversas formas de uma instituição desenvolver o seu modelo de precificação e, com isso, aumentar a sua rentabilidade no decorrer do tempo.

    Em um contexto mais amplo, podemos dizer que o spread bancário no Brasil é composto por 5 variáveis que afetam diretamente no valor final da taxa:

    1. Inadimplência

    Normalmente os bancos embutem a previsão de perda ou inadimplência às suas taxas. Quanto maior o risco de uma transação, maiores os juros cobrados

    A inadimplência ocorre quando o devedor não cumpre com o pagamento da dívida assumida.

    No Brasil, a inadimplência é um problema que assola grande parte das famílias. Só para ilustrar, em 2019, 63,2 milhões de pessoas estavam com as contas atrasadas.

    Diante desse cenário, quando o banco vai emprestar dinheiro, precisa considerar o risco de não receber o crédito de volta.

    Então, esse risco do não recebimento acaba entrando na composição do spread bancário.

    Em outras palavras, é como se o banco colocasse uma “margem de segurança” ao fazer os empréstimo no intuito de compensar uma eventual a perda por clientes que não pagam a sua dívida.  

    2. Lucros

    O objetivo final de qualquer banco, fintech ou cooperativa financeira é gerar lucro e uma das principais fontes usada para isso é por meio do spread bancário.

    3. Impostos diretos

    Os tributos também acabam influenciando no valor do spread bancário.

    O Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) incidem diretamente nos lucros da instituição financeira, ao passo que o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) são cobrados sobre a receita total.

    O cliente, por sua vez, paga de forma direta o Imposto sobre operações financeiras (IOF).

    Todos esses impostos acabam por reduzir o rendimento do investidor e encarecer custo para o tomador final.

    4. Compulsórios + encargos

    O depósito compulsório é uma das ferramentas de política econômica usada pelo Banco Central para controlar a quantidade de dinheiro em circulação na economia.

    Dessa forma, todos os bancos e demais instituições financeiras são obrigados a depositar um determinado percentual estabelecido pelo Banco Central do Brasil (Bacen).

    Esse depósito se refere a uma parte das captações de poupança, depósitos à vista e depósitos à prazo.

    Já o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) recolhe 0,0125% do valor dos depósitos totais das instituições filiadas, no intuito de recuperar parte dos recursos mantidos em uma instituição financeira em caso de falência.

    Tanto o compulsório quanto o FGC estão embutidos no spread bancário.

    5. Custo administrativo

    As despesas administrativas dos bancos como gastos com salários e manutenção  de agências bancárias também acabam sendo incorporados na composição do spread bancário.

    Por  isso, bancos digitais e fintechs, que dispõem de muitos recursos tecnológicos e poucos recursos físicos, acabam sendo mais baratos. Inclusive, com juros menores dos que os oferecidos pelos bancos tradicionais.

    É interessante destacar ainda que as taxas de juros cobradas dependem das expectativas da instituição a respeito dos fatores elencados acima.

    Se a instituição cobrar taxas muito elevadas, poderá perder participação de mercado. Já se cobrar taxas muito baixas, pode ser que tenha perdas com inadimplência.

    É importante destacar ainda que cada uma das variáveis apresentadas acima possui um peso diferente na formação do spread bancário. Por exemplo, o custo administrativo costuma ter impacto menos acentuado do que a inadimplência, no cálculo do valor final do spread.

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    Qual o efeito do spread bancário no mercado?

    spread bancário 3

    O efeito entre a taxa de juros aplicada e a taxa de captação corresponde a uma variável importante no sistema financeiro de qualquer país.

    Dessa forma, quando o spread é muito elevado a tendência é provocar uma restrição no crescimento econômico devido ao baixo retorno obtido com depósitos e poupanças, além do encarecimento do crédito.

    Impacto do spread bancário sobre a economia

    Como visto anteriormente, diversos são os fatores que interferem para a alta ou a baixa do spread bancário.

    Assim sendo, quando a taxa Selic está alta, as pessoas se sentem estimuladas a deixarem o dinheiro investido em uma aplicação financeira.

    Por outro lado, taxas de juros baixas incentivam o consumo, a produção e o desenvolvimento, desestimulando as pessoas a pouparem.

    Do mesmo modo, quando o spread bancário está elevado, menos as pessoas vão consumir, pegar crédito, comprar bens, etc.

    Logo, reduzir a taxa de spread é essencial para que algumas atividades econômicas se desenvolvam.

    De fato, o crédito exerce papel de destaque na economia de um país visto que cria condições para empresas e famílias atingirem um nível maior de eficiência, bem estar e produtividade.

    Por isso, participação da oferta de crédito em relação ao PIB têm se tornado um indicador de referência do desenvolvimento nacional.

    Cabe destacar ainda a relação entre spread bancário e taxa Selic. Isso porque a Selic, sendo a taxa básica da economia, influencia todas as operações de crédito no país.

    Desta forma, a Selic é o componente primário do spread bancário, pois determina o custo de oportunidade envolvido na operação.

    Importância do spread bancário no lucro dos bancos

    spread bancário 1

    Um ponto que deve ficar claro quando se analisa bancos é que um spread bancário alto não necessariamente se traduz em lucros elevados para as instituições financeiras.

    Primeiramente, o devedor pode atrasar os seus pagamentos, ou não honrá-los integralmente.

    Dessa forma, mesmo que o banco cobre uma taxa de juros elevada, a margem financeira efetivamente alcançada pode ser menor.

    Essa situação, chamada de inadimplência, é velha conhecida dos bancos que já sabem disso quando realizam suas operações de crédito, e por isso, já se “preparam” através da constituição de provisões.

    Mesmo assim, a realidade pode se mostrar diferente das previsões e o banco perder mais do que esperava.

    É interessante destacar, ainda, que normalmente estão também incluídas na taxa de juros cobrada alguns impostos, como o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

    Quando levamos todos esses custos em conta, chegamos ao Custo Efetivo Total (CET), que é a taxa efetivamente cobrada dos tomadores de empréstimo.

    É preciso sempre se atentar, entretanto, que nunca se analisa qualquer que seja a empresa apenas olhando um indicador.

    Mas sim, é preciso observar o contexto como um todo, assim como os diversos outros indicadores importantes presentes em um estudo de fundamentos.

    Para quem precisa de um empréstimo bancário no Brasil, os altos spreads praticados pelos bancos aumentam enormemente a carga do endividamento do cidadão.

    Contudo, do ponto de vista do acionista, os spreads elevados e a grande concentração bancária garantem lucros previsíveis para os grandes players do país.

    Assim, o acionista pode esperar um fluxo regular de dividendos na sua conta.

    Mas para escolher o banco certo, é necessário realizar um estudo de seus fundamentos e também do seu valuation.

    Portanto, graças ao mercado de capitais estruturado temos a oportunidade de nos associar a instituições financeiras que operam com um elevado spread bancário e que sempre se mostraram lucrativas.

    Spread bancário no mundo

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    De acordo com os dados divulgado pelo Banco Mundial, o spread bancário médio no mundo era de 5,74% em 2017.

    gráfico

    Abaixo mostramos uma comparação dos spreads bancários de diversos países do mundo em 2017.

    Segundo especialistas, uma explicação para o alto nível de spread no Brasil é porque o país está entre os piores em termos de recuperação judicial de crédito.

    De acordo com estudo do Banco Mundial, no Brasil, apenas US$ 0,13 são recuperados de cada US$ 1 emprestado.

    Para se ter uma ideia de como esse número é baixo, a média mundial está em US$ 0,34 por US$ 1.

    Já no Japão, país com o menor spread do mundo, são recuperados US$ 0,92 a cada US$ 1.

    Assim como o Brasil, Madagascar, que registra o maior spread, está entre os piores na recuperação de crédito (US$ 0,11 a cada US$ 1).

    Como resultado, a baixa recuperação de crédito no Brasil impacta diretamente os custos administrativos dos bancos, um dos componentes do spread.

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    Por que o spread bancário é tão alto no Brasil?

    Entre os diversos problemas estruturais e econômicos que contribuem para o alto valor do spread bancário no Brasil, podemos citar:

    • Concentração bancária;
    • Inadimplência;
    • Carga tributária;
    • Crédito bancário direcionado.

    Segundo um estudo realizado pelo banco mundial entre 2003 e 2017, o Brasil tem uma das maiores taxas de spread do mundo, com 38,4%.

    A pesquisa, realizada em 140 países, revela ainda que nosso país só perde para Madagascar, com spread de 45%.

    Para se ter um ideia, o spread bancário brasileiro é 7 vezes maior que a média mundial.

    De fato, o nosso país sempre foi conhecido por praticar as maiores taxas de juros do planeta.

    Logicamente que taxas de juros dessa grandeza são responsáveis por colocar grande parte da população em uma situação de endividamento insustentável.

    Motivos para o alto spread bancário no Brasil

    1. Concentração bancária

    A baixa competição bancária no país, onde os cinco maiores bancos concentram quase 80% de todos os empréstimos concedidos, é uma das principais responsáveis pelo alto nível de spread.

    Isso porque, devido a menor concorrência, os bancos acabam detendo maior poder de mercado para definir a taxa do spread.

    A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por sua vez, afirma que o nível de concentração de ativos entre os grandes bancos é normal e está abaixo de países como a Austrália, com 92% e do Canadá, com 83%.

    2. Alta Inadimplência

    É claro que não podemos responsabilizar apenas as instituições financeiras por um spread tão alto.

    De fato, a cultura de consumo excessivo aliada à baixa educação financeira faz com que milhões de brasileiros se percam nas dívidas.

    De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias com dívidas no país subiu para 67,5% em agosto de 2020. Os números representam  recorde histórico da série iniciada em janeiro de 2010.

    Já a parcela das famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso e que, portanto, permaneceram com o “nome sujo”  aumentou para 26,7% em agosto de 2020.

    As empresas e pessoas, no geral, culpam os juros abusivos como maior empecilho para o pagamento das dívidas sem atrasar.

    Imprevistos, como perda de empregos acabam deixando o cliente inadimplente e, com uma taxa de juros altas, e a pequena dívida acaba se multiplicando e se tornando difícil de ser quitada.

    3. Alta carga tributária

    Os tributos também causam impactos no spread bancário, pois com a concentração bancária as instituições repassam integralmente os custos dos tributos para quem precisa de crédito.

    4. Crédito bancário direcionado

    Os créditos direcionados englobam os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além do crédito rural e do financiamento habitacional, que hoje representam cerca de 50% do crédito no Brasil.

    O elevado volume de créditos direcionados, sobretudo dos bancos públicos, acaba reduzindo o volume disponível para os investidores.

    Como consequência, menos capital é investido em outras atividades, fazendo com que o spread bancário se eleve por conta da alta nos juros.

    Perguntas frequentes sobre spread bancário
    O que é spread bancário?

    É simplesmente a diferença entre os juros que o banco paga aos seus investidores, como as pessoas que compram CDBs e outros produtos que a instituição utiliza para se financiar, e aquela que ele cobra de quem toma empréstimo.

    Como é calculado o spread bancário?

    O spread bancário é calculado pelo banco através diferença entre a taxa de captação média e a taxa de empréstimo média de um determinado período.

    Por que o spread bancário é tão alto no Brasil?

    Um dos principais fatores que contribuem para uma taxa de spread tão alta é o alto nível de inadimplência no país.

    O que é spread de risco?

    Os spreads de risco fazem parte da estrutura de preços das operações do Sistema BNDES e têm o propósito de cobrir perdas esperadas com inadimplências.

    Rodrigo Wainberg
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