Acesso Rápido

    O que fazer: 3 mitos sobre investimentos de longo prazo

    O que fazer: 3 mitos sobre investimentos de longo prazo

    Nessa semana eu vou falar sobre alguns mitos sobre o investimento de longo prazo que não são verdadeiros.

    Mitos como os que dizem que a bolsa de valores é só para ricos, ou que só quem tem muito conhecimento sobre finanças é capaz de ganhar dinheiro, são amplamente difundidos e propagados.

    Outros mitos que são frequentemente propagados e difundidos no mercado são alguns sobre o Value Investing.

    Muitos me perguntam o que é ser um value investor, e como se tornar um, e muitos que iniciam nessa estratégia, acabam indo por um caminho que considero errado.

    Vejo muitos mitos em torno do value investing, que acabam por prejudicar e inclusive, dar a impressão que essa estratégia é pouco eficiente e deve ser evitada, o que me deixa triste.

    Se os investidores entendessem o que esta por trás desses mitos, conseguiriam investir com essa filosofia de forma muito mais inteligente.

    Para auxiliar os investidores que querem seguir o value investing e esclarecer alguns mitos que rondam essa estratégia, enumerei abaixo 3 dos principais mitos, que devem ser compreendidos e evitados.

    A) Value Investing é Buy and Hold

    Value Investing não é Buy and Hold, no sentido de comprar e segurar para sempre as ações em qualquer situação, ou esquecê-las na carteira.

    Value Investing é “Buy and Homework”. Ou seja, “comprar e fazer a lição de casa”.

    Na maior parte das vezes, os fundamentos das empresas não se modificam, e sendo assim, mantê-las em carteira é recomendável.

    Por outro lado, caso uma empresa que esteja na sua carteira passe a se deteriorar expressivamente, perdendo seus fundamentos de maneira permanente, a melhor coisa que se pode fazer é vender enquanto há tempo.

    Um exemplo dessa situação é a Eternit.

    A Eternit foi uma empresa que, durante muitos anos, foi um ótimo ativo, rendia bons dividendos e era lucrativa, mas há alguns anos a empresa passou a se deteriorar de uma maneira que era definitiva (e está se mostrando) e nessa condição, o melhor que o investidor poderia fazer era vender suas ações.

    Quem vendeu Eternit a tempo se deu bem melhor do que quem ficou no barco afundando.

    Acompanhar as empresas é sempre fundamental e deve ser uma prioridade do investidor.

    Por isso, compre boas empresas e mantenha-as em carteira.

    Mas sempre faça a sua lição de casa, acompanhando seus números, seu endividamento, seu desempenho operacional, para sempre estar por dentro de uma possível forte deterioração dos seus fundamentos.

    B) Value Investing é ser Contrarian

    Value investing também não é ser apenas puramente contrarian. “Contrarian” no sentido de ser sempre do contra.

    Você não irá fazer o contrário, apenas por estar seguindo o caminho contrário da manada.

    Isso não é o suficiente e nem o certo.

    Você tem que fazer o contrário e além de seguir o caminho oposto, também tem de estar certo.

    Um bom exemplo dessa situação nós tivemos esse ano, em maio, na delação da JBS, onde o investidor inteligente estava comprando, fazendo o contrário da massa (que estava vendendo), mas não somente por estar seguindo o caminho oposto dos investidores amedrontados que estavam vendendo, mas sim porque ele via que aquela situação era apenas um pânico pontual, e pouco impactaria as operações e o dia a dia das empresas.

    O investidor inteligente nessas situações deve sempre se manter racional e averiguar se o pânico tem realmente fundamento, quais os impactos que as notícias ou o medo desenfreado podem trazer ao dia a dia das empresas, e estar focado em uma visão de longo prazo.

    C) O investidor de valor gosta de risco

    O investidor de valor na verdade não gosta de risco, bem pelo contrário, é um investidor que tenta minimizar ao máximo os riscos.

    E alguma das formas do investidor de valor minimizar os riscos é escolhendo empresas sólidas, com bons números operacionais e que estejam saudáveis, e a outra é comprando muito na “bacia das almas”, ou seja, quando as empresas estão muito descontadas e o pior cenário já está precificado.

    Comprando empresas sólidas, fortes geradores de caixa, lucrativas e que pagam dividendos, e além disso, comprando-as por preços atrativos, é uma das formas mais eficientes e inteligentes de se minimizar o risco no investimento em ações.

    Tiago Reis
    Compartilhe sua opinião
    Nenhum comentário

    O seu email não será publicado. Nome e email são obrigatórios *