Déficit primário: o que acontece quando o governo gasta mais do que ganha?

Para uma economia permanecer equilibrada, é preciso um equilíbrio entre superávit e déficit primário.

Tanto o superávit quanto o déficit primário são conceitos bastante conhecidos na macroeconomia, afetando o desempenho de empresas e da economia em geral.

O que é o déficit primário?

Déficit primário ocorre quando a arrecadação do governo é menor do que os seus gastos. Porém, nesta conta não são computadas os gastos com juros e correção monetária.

Isso quer dizer que é possível que o custo de manutenção do Estado seja demasiadamente alto a ponto de deixá-lo com saldo negativo.

Já o superávit primário é o oposto. Quando ele ocorre, a arrecadação do governo é maior do que os seus gastos, mantendo um saldo positivo na conta.

Déficit primário, déficit nominal e déficit operacional

Déficit primário

Nas finanças públicas, encontramos diferentes tipos de déficits. Entre eles, estão o:

  • Déficit operacional;
  • Déficit nominal;
  • Déficit primário.

Porém, a principal diferença entre eles está no que compõe a conta que leva a este resultado.

Déficit nominal

O déficit nominal ocorre quando o total das contas do governo, incluindo as dívidas com juros e correção monetária, é maior do que a arrecadação.

Esta também é conhecido como déficit fiscal.

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Déficit operacional

O déficit primário operacional ocorre quando a soma dos gastos do Estado, excetuando as dívidas com juros, é maior do que a soma dos valores recebidos.

Nesta conta, ficam de fora as contas com correção monetária e cambial.

Déficit primário

Enquanto isso, o déficit primário exclui tanto as dívidas com juros quanto as com correção monetária.

Isso quer dizer que, se o governo já apresenta um déficit primário, após pagar os juros da dívida pública, este déficit será ainda maior.

A relação entre déficit primário e déficit fiscal

Déficit primário

Um ponto a atentar é que, no Brasil, há ainda certa confusão com relação à nomenclatura a ser utilizada de modo geral quando o assunto é déficit.

Enquanto na maior parte do mundo é aplicado o termo “déficit fiscal”, aqui ele geralmente é tratado como “déficit nominal”.

Ambos significam a mesma coisa: que o Estado de fato gastou mais do que arrecadou.

Com isso, há um déficit no governo quando o ideal seria ter um superávit fiscal, sem a necessidade de aumento dos impostos.

Quando isto ocorre o Estado pode recorrer ao mercado, em busca de financiamento. Esta é, inclusive, a medida mais recorrente em casos de déficit primário do Brasil.

Entretanto, há ainda a possibilidade de novas emissões de moeda. Porém, esta é uma medida pouco recomendada pelos economistas, por causa dos seus impactos negativos.

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Déficit primário recorrente

Vale lembrar que, com o crescimento do déficit público o país pode começar a ser visto como um mau pagador.

Com isso, o crédito oferecido a ele diminui e as taxas de juros para aplicações deste gênero aumentam.

Com o endividamento do governo, os investimentos em áreas importantes, como saúde, educação e segurança também tendem a cair. Isso porque é preciso reduzir gastos para sair do prejuízo.

Logo, acaba sendo “mais fácil” reduzir os repasses de verba pública do que aprovar o corte de benefícios para aqueles que compõem o governo.

Por exemplo: apenas em 2018, o Brasil teve R$ 120,3 bilhões de déficit primário.

Entretanto, este foi o quinto ano consecutivo no qual o governo teve um de resultado negativo em suas contas.

Para mostrar como este resultado afeta os investidores, a Suno Research oferece um curso online sobre Valuation & Precificação de Ativos.

Desta forma, o investidor pode analisar como o déficit primário influencia suas aplicações.

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    Tiago Reis
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    2 comentários

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    • Ricardo 25 de novembro de 2019
      Muito bom esse texto!Responder
    • Pedro 29 de abril de 2020
      Excelente, como todas informações SUNO.Responder