Radar: Nubank (NUBR33) reduz prejuízo no 1T22, Magazine Luiza (MGLU3) tem balanço pior que o esperado, Itaúsa (ITSA4) aumenta lucro e anuncia JCP bilionário

Radar: Nubank (NUBR33) reduz prejuízo no 1T22, Magazine Luiza (MGLU3) tem balanço pior que o esperado, Itaúsa (ITSA4) aumenta lucro e anuncia JCP bilionário
Nubank. Foto: Divulgação

Nubank (NUBR33) divulgou nesta segunda (16) os resultados do seu desempenho operacional no primeiro trimestre de 2022 (1T22). A empresa reduziu o prejuízo líquido de US$ 45,1 milhões no 1T22, número que representa uma queda de 9% ante os US$ 49,4 milhões entre janeiro e março de 2021.

Ao final do pregão de hoje, as ações do Nubank listadas em Nova York caíam 9,75%, para US$ 4,35, antes da divulgação do balanço financeiro, mas passaram a subir 8% no pós-mercado, com os investidores refletindo positivamente o balanço.

De acordo com analistas ouvidos pelo Broadcast, o prejuízo do trimestre veio 26,8% menor do que o previsto.

prejuízo líquido do Nubank é consequência, segundo a fintech, do menor aumento das despesas comparado ao crescimento da receita, alavancado pelo crescimento das operações e da base de clientes do banco em todos os países.

Entre janeiro e março de 2022, a receita líquida do Nubank somou US$ 877,2 milhões, alta de 226% na comparação anual, “neutro de efeito cambiais” (FXN), de acordo com o balanço.

A receita média mensal por cliente ativo (ARPAC, em inglês) no período foi de US$ 6,7, resultado 63% superior ao 1T21, vindo com o “amadurecimento das safras de clientes do Nubank, pela taxa de atividade dos clientes e pelo lançamento de novos produtos”.

A instituição financeira destaca ainda que a Receita de Juros e Ganhos (Perdas) sobre Instrumentos Financeiros, cresceu 343% na comparação anual, saindo de US$ 139,9 milhões no 1T21  para US$ 619,4 milhões para os três primeiros meses de 2022.

O valor veio com o crescimento da receita líquida de juros da carteira de crédito ao consumidor, composta de empréstimos pessoais e cartões de crédito.

“Esse aumento também reflete a alta das taxas de juros no Brasil durante o 1T22 (a média do CDI foi de 10,3% p.a. no 1T22, contra 2,0% p.a. no 1T21) e o aumento dos ativos financeiros, à medida que o Nu continuou a expandir sua franquia de depósitos de varejo no Brasil”, diz relatório dos resultados do 1T22 do Nubank.

A carteira de crédito do banco digital terminou março em US$ 3,1 bilhões, aumento de 343% em 12 meses, puxado pela alta dos empréstimos pessoais, que cresceram 400%. Em número de clientes, o Nubank fechou o primeiro trimestre com 59,6 milhões, nível recorde, com aumento de 5,7 milhões nos três primeiros meses do ano.

custo dos serviços financeiros e transacionais do Nubank no primeiro trimestre de 2022 alcançou US$ 583,1 milhões, um aumento de 310% (FXN) ante os US$ 129,3 milhões em base anual. Em relatório financeiro, o banco ressalta que esse custo representou 66% da receita no 1T22, contra 53% no 1T21.

A apresentação dos números do trimestre mostra que houve aumento em Juros e Outras Despesas Financeiras, consequência do crescimento das despesas de juros sobre os depósitos de varejo. O aumento foi de US$ 31,7 milhões registrados no 1T21 para US$ 273 milhões no mesmo período de 2021.

Além do Nubank, confira outros destaques desta segunda-feira:

Magazine Luiza (MGLU3) reverte lucro e tem prejuízo de R$ 161 mi no 1T22, acima do esperado

  • O Magazine Luiza (MGLU3) divulgou nesta segunda-feira (16) seu balanço do primeiro trimestre de 2022 (1T22). A varejista reverteu o lucro e registrou prejuízo líquido de R$ 161,3 milhões. No quesito ajustado, o prejuízo foi de R$ 98,8 milhões.
  • O prejuízo, conforme o relatório de resultados da companhia, foi influenciado principalmente pelo aumento das despesas financeiras no período. O resultado veio acima do projetado por analistas do mercado — que estimavam R$ 100 milhões no prejuízo.
  • O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 2,643 bilhões entre janeiro e março, alta de 34,4% na base anual. Já o Ebitda ajustado do Magazine Luiza foi de R$434,2 milhões, com alta de 1,7%. Os valores vieram em função de aumento de vendas, com destaque para o marketplace e o site KaBuM!, em conjunto com o aumento da margem bruta.
  • A margem Ebitda foi de 3,9% no primeiro trimestre de 2022, queda de 4,5 pontos percentuais ante o 1T21, quando atingiu 8,4%. Entretanto, no aspecto ajustado, alcançou 5%, alta de 2,7 pontos percentuais.
  • “Vale destacar que, no mês de março de 2022, a margem Ebitda já alcançou 6,1%, reflexo dos ajustes realizados com o objetivo de equilibrar vendas e rentabilidade”, aponta o balanço do 1T22 do Magazine Luiza.
  • O diretor Financeiro do Magazine Luiza, Roberto Bellissimo, disse ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que, no trimestre, a diluição dessas despesas foi menor. “As despesas pesaram um pouco mais. Um pouco por causa da inflação, um pouco por causa do crescimento nas lojas físicas e categorias de duráveis que foi um pouco abaixo da inflação. Então, não diluímos no trimestre as despesas operacionais“, afirmou.
  • Por outro lado, a margem bruta, que mede a rentabilidade da companhia, cresceu 2,7 pontos porcentuais e foi a 27,8%. Bellissimo explica que a companhia optou por repassar ao preço final o aumento de inflação de custo dos produtos e a alta da taxa de juros.
  • Eduardo Galanternick, vice-presidente de Negócios do Magazine Luiza, destacou ainda que, sempre que essa escolha é feita, abre-se mão de vendas, mas que a companhia busca o equilíbrio de crescimento com rentabilidade e, por isso, tomou essa decisão.
  • O e-commerce do Magazine Luiza cresceu 16% no trimestre e atingiu mais de R$10 bilhões em vendas. Nos últimos dois anos, o crescimento foi de 149%.
  • As vendas do marketplace ultrapassaram 3,6 bilhões no trimestre, um crescimento de 50% na base anual e representaram 36% das vendas online. No acumulado dos últimos 2 anos, o marketplace do Magazine Luiza triplicou de tamanho.
  • Já o valor de vendas totais da companhia foi de R$ 14 bilhões nos primeiros três meses de 2022, crescendo 13% comparado ao mesmo período de 2021.
  • O marketplace conta com mais de 180 mil sellers e 64 milhões de ofertas disponíveis para venda. Em um ano, foram mais de 100 mil novos sellers na plataforma, informa o Magazine Luiza.
  • Nas lojas físicas, as vendas foram de R$ 4 bilhões no trimestre, 6% maior que em 2021. “A tendência de vendas vista em janeiro e fevereiro foi significativamente melhor que no final de 2021 e, em março, o crescimento acelerou ajudado parcialmente pela menor base de comparação”, diz a companhia.

Elon Musk é acusado pelo Twitter (TWTR34) de violar acordo de confidencialidade

  • O bilionário Elon Musk disse que a equipe jurídica do Twitter (TWTR34) o acusou de violar um acordo de confidencialidade ao revelar que o tamanho da amostra para as verificações da plataforma sobre contas falsas era de 100 perfis.
  • Na sexta-feira (13), Elon Musk anunciou a suspensão temporária da compra do Twitter pelo valor de R$ 44 bilhões para confirmar se o número de usuários com contas falsas na rede social estava abaixo de 5%.
  • O dono da Tesla (TSLA34) e SpaceX publicou que “aguardava dados sobre o tamanho das contas falsas” e, em resposta a um seguidor que pediu mais informações sobre o processo de identificação de bots, respondeu que testaria uma amostra aleatória de 100 seguidores do Twitter. A escolha para o número tinha como base a amostra que a própria rede social utiliza para calcular.
  • A resposta de Musk motivou a acusação da rede. “O departamento jurídico do Twitter acabou de me ligar para reclamar que eu violei seu acordo de confidencialidade ao revelar que o tamanho da amostra de verificação de bots é de 100 perfis!”, tuitou Musk.
  • Na madrugada deste domingo, o dono da Tesla ainda publicou que não viu “qualquer ” análise que mostre que a empresa tenha menos de 5% de contas falsas. Mais tarde, Elon Musk escreveu ainda que “há alguma chance de ser mais de 90% dos usuários ativos.

Petrobras (PETR4): Bolsonaro quer redução na distribuição de dividendos da empresa

  • O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), sugeriu nesta segunda (16) que o governo pretende modificar a política de distribuição de dividendos da Petrobras (PETR4), reduzindo o percentual que os acionistas recebem com os lucros da empresa.
  • Bolsonaro voltou a criticar a companhia por seus lucros e sua política de preços em contexto de crise. “Com toda certeza vamos entrar na Petrobras nessas questões também. Não é possível a petrolífera dar 30% de lucro enquanto as outras dão no máximo 15%, para atender interesses não sei de quem”, disse ele aos simpatizantes no cercadinho no Palácio do Alvorada.
  • O presidente disse que a empresa tem “lucro excessivo“. Na avaliação do chefe do Executivo, “todo mundo tem que colaborar” e a Petrobras precisa exercer sua função social. “Todo mundo tem que colaborar, não é ganhar mais dinheiro na crise. É o que infelizmente alguns setores fazem, como a própria Petrobras. ‘Ah tem o estatuto’. Estatuto está acima da lei, não está acima da Constituição. Então, tem o fim social da empresa. O que está em jogo é o futuro do Brasil”, declarou.
  • “As petrolíferas do mundo todo tiveram de diminuir sua margem de lucro, exceto a Petrobras Futebol Clube, essa aí está preocupada em ser campeã do mundo”, disse o presidente em evento com empresários em São Paulo. “Nada contra empresa ter lucro, tem de ter lucro, se não tiver, não existe mercado livre, democracia”, acrescentou.
  • Na semana retrasada, Bolsonaro disse que o lucro da Petrobras era um “estupro” contra a população brasileira e cobrou a estatal a não reajustar o preço dos combustíveis, o que aconteceu na semana seguinte. Depois disso, ele demitiu Bento Albuquerque do ministério de Minas e Energia e deu o cargo a Adolfo Sachsida.
  • No último dia 5, a Petrobras (PETR4) anunciou lucro líquido de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022 (1T22), equivalente a uma alta de 3.718% frente ao R$ 1,16 bilhão registrados entre janeiro e março de 2021.
  • A estatal anunciou também em 5 de maio que o Conselho de Administração aprovou o pagamento de dividendos no valor de R$ 3,715490 por ação preferencial e ordinária em circulação. A Petrobras explicou, naquele dia, que a proposta de rendimentos está alinhada à Política de Remuneração aos Acionistas. Ela prevê que, em caso de endividamento bruto inferior a US$ 65 bilhões, a Petrobras poderá distribuir aos seus acionistas 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e as aquisições de ativos imobilizados e intangíveis (investimentos).
  • Bolsonaro disse esperar também redução no ICMS incidente sobre combustíveis nos Estados após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), atender ao pedido do governo e suspender a forma de cobrança do imposto pelos governadores.

B3 (B3SA3) lança fundo de R$ 600 mi para investir em empresas com potencial de crescimento

  • A B3 (B3SA3) anunciou nesta segunda (16) o lançamento do fundo L4 Venture Builder. O fundo de R$ 600 milhões “tem como objetivo investir no ecossistema de inovação em empreendedorismo”.
  • O fundo L4 Venture Builder receberá apoio da B3 para escolher quais serão os projetos que irão apoiar. O foco é naqueles que possuem crescimento nas áreas de carbono, energia, finanças descentralizadas, tokenização de ativos, soluções para fintechs, entre outros. Diante do comunicado da B3 sobre o lançamento, o fundo irá funcionar como uma estrutura independente e os investimentos estão sujeitos à aprovações regulatórias.
  • “A criação da L4 Venture Builder dá continuidade à estratégia da B3 de inovação em seu negócio principal e de crescimento em outras frentes e se soma ao portfólio de novos negócios que está sendo construído, que já conta com a iniciativa de digital assets e de desenvolvimento de produtos e serviços para middle e backoffice”, diz a bolsa brasileira em seu comunicado.
  • Segundo a B3, “o executivo Pedro Meduna, com experiência na área, chega à bolsa do Brasil para liderar a nova frente da companhia”.

Itaúsa (ITSA4) tem alta de 59,1% no lucro no 1T22 e anuncia proventos de R$ 1 bilhão

  • A Itaúsa (ITSA4), holding que controla o Itaú (ITUB4), a Dexco (DXCO3) e Alpargatas (ALPA4), divulgou nesta segunda que obteve lucro líquido não-recorrente de R$ 3,179 bilhões no primeiro trimestre de 2022. Essa valor representa aumento de 68,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já o lucro líquido recorrente subiu 59,1% na mesma base comparativa, para R$ 3,836 bilhões.
  • “A Itaúsa reportou sólido desempenho, representando recorde histórico para um primeiro trimestre da holding, apesar do cenário ligeiramente mais desafiador nos segmentos de bens de consumo e materiais para construção civil, com destaque para a alienação de participação acionária na XP Inc. e o melhor resultado do setor financeiro”, diz a empresa no release de resultados divulgado nesta segunda-feira, 16.
  • A alienação de 2,14% do capital da XP Inc impactou o resultado do primeiro trimestre em R$ 1,1 bilhão e o caixa em R$ 1,8 bilhão.
  • A capitalização de mercado em 31 de março de 2022, com base no valor da ação mais líquida (ITSA4), era de R$ 94,8 bilhões, enquanto a soma das participações nas empresas investidas a valor de mercado totalizava R$ 119,7 bilhões, resultando em um desconto de 20,8%, redução de 2,6 p.p.em relação a 31 de março de 2021.
  • O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) recorrente chegou a 23,3%, 6,7 p.p. acima do registrado nos primeiros três meses do ano passado.
  • A empresa também destacou em seu release de resultados a oferta pública de distribuição primária de ações (follow-on) realizada pela Alpargatas em fevereiro no total de R$ 2,5 bilhões, cujos recursos líquidos foram destinados para financiar o pagamento da aquisição de participação societária na Rothy’s Inc. Com a operação, a Itaúsa passou a deter 29,6% do capital total da Alpargatas.
  • A alavancagem da companhia ao final de março era de 4,5% da dívida líquida sobre o patrimônio líquido. O resultado financeiro foi negativo em R$ 112 milhões no trimestre.
  • O aumento de R$ 95 milhões em relação ao ano anterior decorreu, principalmente, das novas debêntures emitidas para financiar as aquisições de participação acionária na Copa Energia e na Aegea Saneamento, além de maiores despesas com juros em decorrência da maior taxa básica de juros no período, parcialmente compensado pela maior rentabilidade do caixa, explicou a companhia.

Do Nubank a Itaúsa, essas foram as empresas que se destacaram hoje. Para ler todas as matérias clique aqui.

Victória Anhesini

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