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    Lock-up: entenda o que é e como ele afeta os investidores

    Lock-up: entenda o que é e como ele afeta os investidores

    Em uma abertura de capital, normalmente ocorre uma série de regras e restrições sobre o que os acionistas podem fazer com as ações que acabaram de adquirir. Uma dessas medidas é conhecida como lock-up.

    Sendo assim, as regras de lock-up é um dos fatores mais importantes que o investidor deve observar antes de se decidir por comprar as ações de uma empresa ou não.

    O que é um lock-up?

    No mercado de capitais, o lock-up é uma cláusula contratual que estabelece um período no qual os investidores não podem vender as ações de uma empresa, sob pena de multa. A expressão, com origem na língua inglesa, pode ser traduzida como “trancar” ou “travar”.

    Antes restrito apenas aos sócios e gestores das empresas, que possuem informações privilegiadas, o lock-up passou a valer em alguns casos também para os pequenos investidores, como nos IPOs da joalheria Vivara e do banco BMG, por exemplo.

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    Por que o lock-up existe?

    Essa restrição foi idealizada para evitar que gestores ou sócios das empresas, que naturalmente possuem informações privilegiadas sobre o negócio, possam lucrar em cima dos acionistas minoritários.

    Recentemente, no entanto, a oferta com lock-up passou a figurar também para os pequenos investidores pessoa física.

    Foi isso que fizeram a Vivara (VIVA3) e o BMG (BMGB4) em 2019, por exemplo, ao abrirem o capital na B3.

    Nesse caso, o período de lock-up foi definido para evitar o chamado “flip” das ações — que ocorre quando quem adquire os papéis no IPO vende nos dias seguintes à abertura de mercado.

    Para as empresas, essa estratégia diminui a volatilidade dos papéis, além de forçar o investidor a pensar no longo prazo.

    Como funciona uma oferta com lock-up?

    O lock-up funciona como um período de carência para os investidores, porque define um intervalo de tempo no qual o investidor não pode vender as ações da empresa.

    Não existe um tempo específico para o período de lock-up. Ele pode ser de dois meses ou dez anos, por exemplo.

    No IPO da Vivara, por exemplo, o período estabelecido para quem optou pelo lock-up no IPO foi de 45 dias.

    Neste caso específico da rede de joalherias, quem aceitou o lock-up conseguiu adquirir um percentual maior das ações reservadas, na comparação com aquele que não aceitaram a cláusula.

    Há, ainda, exemplos de lock-up variáveis, com regras e prazos que mudam de acordo com a função de determinada pessoa na empresa. Ou seja: é possível estipular um prazo para sócios, outro para gestores e outro, ainda, para investidores minoritários.

    Quando a cláusula de lock-up é descumprida por alguma das partes, há uma sanção estabelecida em contrato. Em geral, o investidor precisa pagar uma multa ou indenização.

    Depois que o prazo de lock-up termina, os investidores podem vender suas ações normalmente. Tradicionalmente, este é um momento em que o valor das ações tende a cair.

    O lock-up é obrigatório?

    As empresas que estão abrindo capital por meio de IPO na atual B3, a Bolsa de Valores brasileira, são obrigadas a estabelecer um período de lock-up para os acionistas controladores da empresa.

    Por meio dessa cláusula, a B3 protege os acionistas minoritários e garante que as pessoas que possuem informações privilegiadas não vão obter vantagem em relação aos outros investidores.

    Entretanto, estender a cláusula de lock-up aos investidores minoritários é uma opção mais recente. No caso da Vivara, por exemplo, isso só foi possível diante da grande procura registrada previamente pela empresa.

    Vantagens e desvantagens do lock-up

    O lock-up traz uma série de vantagens e desvantagens aos investidores, às empresas e ao mercado de capitais.

    Por isso, é necessário analisar a oferta com atenção, considerando cada agente envolvido, para tirar qualquer tipo de conclusão.

    Analistas costumam se dividir ao analisar os efeitos do lock-up, porque a interpretação depende da opinião de cada analista.

    Em alguns casos, o que pode ser vantagem para a empresa também pode ser considerado uma desvantagem para o acionista.

    Vantagens do lock-up

    • Protege o investidor minoritário;
    • Retém na empresa profissionais que podem ser importantes para o futuro da mesma;
    • Diminui o conflito de interesses;
    • Reduz a volatilidade da ação no curto prazo;
    • Impede o “flip” ou “flipagem”, situação onde os acionistas vendem as ações imediatamente após o IPO;
    • Impede o trade na abertura de capital das empresas;
    • Estimula o olhar do investidor para o longo prazo.

    Desvantagens do lock-up

    • O investidor é obrigado a manter as ações, mesmo contra a própria vontade;
    • Em alguns casos, a volatilidade apenas é adiada até o fim do lock-up;
    • Imposição de mais uma dificuldade para o investimento na Bolsa de Valores;
    • Impede a livre-iniciativa no mercado de capitais, já que o investidor enfrenta uma proibição;
    • Equiparação do investidor minoritário ao acionista majoritário, que tem informações privilegiadas.

    Analisando todos esses fatores, os investidores conseguem discernir quando vale a pena aderir às cláusulas de lock-up estabelecidas pelas empresas. Gostou do texto? Compartilhe e deixe seu comentário.

    Tiago Reis
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    8 comentários

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    • Fernando Braz 1 de setembro de 2020

      Gostei bastante da explicação, para mim que sou iniciante foi bem didático e esclarecedor.
      Obrigado e parabens!

      Responder
      • Suno Research 2 de setembro de 2020

        Olá, Fernando! Tudo certo?
        Muito obrigado! Ficamos felizes em ajudar.
        Atenciosamente, Equipe Suno.

        Responder
    • Waldevino 4 de setembro de 2020

      Ótimo a explicação, objetiva e não deixa dúvidas de interpretação.
      Muito Obrigado.

      Responder
    • Wellington Lima 16 de setembro de 2020

      Excelente explicação!
      Obrigado equipe SUNO, por estar ajudando os principiantes neste mercado, as vezes, cheio de siglas e regras quase incompreensíveis.

      Responder
      • Suno Research 17 de setembro de 2020

        Olá, Wellington! Tudo certo?
        Muito obrigado! Ficamos felizes em ajudar.
        Atenciosamente, Equipe Suno.

        Responder
    • Laércio 4 de outubro de 2020

      Muito boa a explicação! Linguagem clara e objetiva. Gostei muito. Obrigado Thiago e equipe SUNO. Parabéns!!!

      Responder
    • Alberto 16 de outubro de 2020

      Gosto de ler os conteúdos da Suno, costumam ser confiáveis, passam credibilidade.

      Responder
      • Suno Research 19 de outubro de 2020

        Olá, Alberto! Tudo certo?
        Muito obrigado!
        Atenciosamente, Equipe Suno.

        Responder