Catarina Capital entrou no IPO do Nubank (NUBR33) e já previa grande volatilidade; CEO diz se valeu a pena

Catarina Capital entrou no IPO do Nubank (NUBR33) e já previa grande volatilidade; CEO diz se valeu a pena
Fundadores do Nubank: Edward Wible, David Vélez e Cristina Junqueira. Foto: Divulgação do IPO

A Catarina Capital foi na contramão das recomendações dos bancos e casas de análises brasileiras, que diziam para ficarem fora da abertura de capital (IPO) do Nubank (NUBR33), em dezembro do ano passado. A gestora de tecnologia decidiu investir nas ações do banco digital, ponderando, segundo ela, muito mais do que apenas os fundamentos de finanças e de mercado.

Pensando além da análise de um investidor do dia a dia, a gestora decidiu entrar no IPO do Nubank. Segundo o CEO, Thiago Lobão, os fundos da empresa, focados em tecnologia, já estão acostumados a acompanhar techs no exterior. Por esse motivo, chegaram à conclusão de que a fintech poderia concorrer com outras ações globais, como PayPal (PYPL; NASDAQ).

“Não estamos preocupados apenas com valuation. O Nubank acabou passando pelo nosso crivo pelo seu posicionamento em tecnologia e pela capacidade de tração no mercado”, diz Lobão.

O portfólio da Catarina Capital é dividido em três áreas de atuação: Venture Capital, Public Equities e Tech Wealth. Além disso, é a primeira gestora a praticar o Venture Capital não apenas em startups, mas diretamente na Bolsa, em escala global, caso do Nubank (NU). A empresa investe diretamente nas ações da fintech em NYSE.

A modalidade de investimentos de venture capital ocorre quando os recursos são aplicados em empresas com expectativas de crescimento rápido e rentabilidade alta. Quando isso se materializa, a companhia passa a valer mais e o fundo pode se retirar do negócio, permitindo que os cotistas resgatem suas partes com lucro.

Com base nesses princípios, a Catarina Capital detém uma participação de 2% a 3% do Nubank e pretende carregar o papel no horizonte de três a cinco anos.

“Dentro da nossa metodologia de análise, a gente enxerga o Nubank como uma empresa que tem os fundamentos muito sólidos, principalmente quando falamos de desenvolvimento tecnológico e de recursos humanos.”

“São dois pilares que normalmente os traders de ações do dia a dia não olham. A grande maioria está preocupada com finanças e mercado, que são fatores essenciais — mas. quando se olha para techs, não são os únicos. Numa visão de longo prazo, de 1 ano a 3 anos, é preciso ter ter uma série de fundamentos para além de negócios e mercado”, conclui Lobão.

Derrocada do Nubank levou banco para posto de 3ºmais valioso. mas gestora permanece com papel

A badalada estreia do Nubank, em 9 de dezembro passado, levou o banco ao posto de mais valioso da América Latina, desbancando Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4). Mas as ações caíram no primeiro mês de negociações em Nova York – e a queda se intensificou nas últimas semanas.

Na metade do mês de janeiro, a desvalorização do papel já havia feito a fintech perder o posto de instituição financeira mais valiosa da América Latina para o Itaú, posição que passara a ocupar desde o IPO em Nova York. As ações derreteram 20% desde a estreia nos EUA até esta semana. Com a queda sofrida, a instituição já vale menos que o Bradesco.

Em dólares, o Itaú é avaliado em US$ 40,5 bilhões. Já o Nubank tinha valor de mercado de US$ 32,9 bilhões, cerca de US$ 9 bilhões a menos do que o valor com que estreou na Bolsa. O segundo maior banco privado do País tem capitalização de US$ 35,6 bilhões.

Pois nesta sexta-feira (28), o papel do Nubank caiu ainda mais na bolsa de Nova York: 2,03%, negociado a US$ 6,75. Relembrando: o banco digital vendeu papéis a US$ 9 na oferta inicial.
Renovou a mínima e chegou ao valor de mercado de US$ 31,109 bilhões. Saiu dessa forma, informou o Valor Econômico, da lista das dez maiores companhias da América Latina.

Após a bem-sucedida oferta inicial, as expectativas do mercado se voltam para os resultados do quarto trimestre de 2021, que serão os primeiros que o Nubank divulgará como companhia aberta. A fintech ainda não informou em qual data os números serão publicados.

Em relatório divulgado nesta segunda, 24, o Itaú BBA projetou que o Nubank apresentará lucro de R$ 203 milhões no período, mas que fechará 2021 com prejuízo de R$ 326 milhões. As receitas totais da fintech devem crescer 28% em relação ao terceiro trimestre, para R$ 2,6 bilhões, graças à expansão da base de cartões e da carteira de crédito como um todo. O número de clientes deve chegar a 53,4 milhões.

O analista Pedro Leduc, do Itaú BBA, disse que a desvalorização das últimas semanas pode estar relacionada à combinação entre o cenário de mercado e as expectativas do investidor para as ações do Nubank. “Um cenário global mais adverso para growth (papéis de crescimento) tira o investidor internacional do papel. Sobra o local, e aí entra a perspectiva para o desempenho”, disse.

Mas essa volatilidade já era prevista pela Catarina Capital. A empresa ressaltou que deixaria de investir no Nubank apenas se a fintech perdesse algum fundamento tecnológico, de recursos humanos, de mercado ou de negócios.

Além do aumento da visibilidade do investimento em ações, o Nubank foi parcialmente responsável por um aumento de investidores pessoa física na bolsa brasileira. Com a oferta pública inicial de ações (IPO, do inglês) na NYSE e a oferta de BDRs na bolsa brasileira, o banco digital contribuiu com o montante de cerca de 760 mil novos investidores na B3 (B3SA3) durante o mês de dezembro, informou a Bolsa.

Ficou então a pergunta: valeu a pena a empresa ter entrado na empreitada do Nubank? O CEO da Capital responde: “O Nubank tem projeção de grande volatilidade, o que é normal para toda a empresa que desponta no mercado. Tem um valuation alto e questionável. Não diria que caro, porque aí não teríamos comprado as ações, mas foi uma precificação surpreendente quando comparado com os bancos tradicionais.”

Poliana Santos

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