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Vale a pena investir em renda fixa com a Selic em 10,75%? Veja opinião dos especialistas

Vale a pena investir em renda fixa com a Selic em 10,75%? Veja opinião dos especialistas
Renda Fixa. Foto: Pixabay

A palavra renda fixa quase ficou extinta do vocabulário do mercado em 2020, quando a taxa básica de juros estava em 2% ao ano. Mas agora só se fala em investir nesse segmento, com a taxa básica de juros atingindo dois dígitos, em 10,75%. A questão dos anos anteriores era que a taxa Selic perdia para a inflação, corroendo os ganhos dos investidores. Porém, a projeção hoje é diferente.

Se a economia seguir de acordo com as expectativas demonstradas no Boletim Focus desta semana, com o IPCA em 5,38% e uma taxa básica de juros a 11,75%, mesmo os investimentos em renda fixa mais conservadores passariam a ter um rendimento líquido positivo, ainda que o valor seja baixo.

“Com o aumento da Selic e perspectiva de queda da inflação, a renda fixa com títulos atrelados à taxa Selic acaba se tornando uma opção bastante atrativa, principalmente por ser um investimento mais conservador”, disse Heloise Sanchez da Equipe de Análise da Terra Investimentos.

Mas não é só o futuro que traz perspectiva positiva. Hoje o investidor já começa a ver um ganho, ainda que pequeno.

“Atualmente a inflação se encontra em 10,06% no ano de 2021, com a Selic indo para 10,75% começamos a ter um rendimento real positivo nos investimentos de renda fixa atrelados à Selic.”

Quais são as melhores opções?

Com a nova queridinha do mercado brilhando o olhar do investidor, o investidor se pergunta quais são as melhores opções dentre tantas.

Para o analista de soluções financeiras da Ativa Investimentos, Rodrigo Beresca, há diversas oportunidades de investimentos, como títulos públicos, letras financeiras, debêntures incentivadas e fundos imobiliários atrelados ao CDI. É importante, antes de escolher o tipo de investimento, analisar o perfil do investidor para fazer aportes nas opções citadas.

“Os ativos de renda fixa que podemos incluir são o Tesouro Selic, as LCIs e LCAs que apresentam isenção do imposto de renda. Temos também as CRAs, CRIs e debêntures incentivadas, fundos de crédito privado e fundos de crédito estruturados. Também tem alguns fundos imobiliários que tem ativos atrelados aos CRIs e CRAs”.

Portanto, nesse cenário de alta dos juros, o investidor deve se atentar aos investimentos que são atrelados à Selic ou ao CDI.

A expectativa é de que a Selic atinja o pico nos próximos meses, para depois passar o ano estável. Sendo assim, alguns especialistas já recomendam a alocação de uma parcela da carteira em títulos prefixados (aqueles em que a taxa de juros já é definida de antemão), mas de curto prazo.

“A taxa ficará em patamar constante nesse ano e depois caindo de forma gradual, a partir 2023. Então, essas taxas com vencimento mais curto são também interessantes”, disse Beresca.

Para quem busca fazer uma reserva de emergência, os ativos de renda fixa são as melhores opções, segundo Sanchez.  “A chamada ‘reserva financeira’ deve permanecer na renda fixa com liquidez diária, investimentos que estão sempre ligados com a taxa Selic.”

Mas o que o futuro reserva?

Não é porque agora a renda fixa está em alta que o investidor deve deixar os investimentos em renda variável de lado. Os especialistas do mercado financeiro sempre recomendam a diversificação na carteira do investidor.

Foto: Banco Central

Foto: Banco Central

“Para todo tipo de investimento, o melhor a se fazer é sempre a diversificação, ou seja, parte dos investimentos alocados tanto em renda fixa, como também renda variável”, comenta Sanchez.

O head comercial private e sócio da BRA, escritório credenciado da XP, Rafael Vianna, acrescenta ainda que não é verdade que a renda fixa, neste momento de alta de juros, ganha atratividade em relação à renda variável. “Isto pois, na formula de precificação das ações listadas em bolsa é levado em consideração as expectativas de juros futuros. Ou seja, aumenta a atratividade da renda fixa mas, também, aumenta a atratividade da renda variável.”

Além disso, os especialistas salientam que o cenário para renda fixa depende também do fator macroeconômico, ou seja, depende da inflação manter um nível baixo. “Ainda são incertas as questões a respeito dos combustíveis e crise hídrica, que são os pontos que mais impactaram na inflação”, concluiu Sanchez.

Poliana Santos

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