Gustavo Asdourian

Inflação, juros e fundos de papel mais resilientes

A combinação de inflação elevada e juros altos tende a impactar negativamente o mercado de FIIs, mas fundos de papel têm se apresentado como uma boa alternativa aos investidores do setor

O ano de 2021 foi marcado pela alta inflação, incertezas políticas, fiscais e, como forma de combate a estas forças, elevação da taxa básica de juros. Diante desse cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrou a agenda de 2021 com a 7ª elevação consecutiva da taxa Selic, anunciando o novo patamar de 9,25% a.a. para o juro básico no país.

A combinação de inflação elevada e juros altos tende a impactar negativamente o mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FII). Entretanto, as classes de FIIs conhecidas como fundos de papel têm se apresentado como uma boa alternativa aos investidores do setor.

A principal justificativa para esse comportamento atípico, se comparado com outras classes de FII, está ancorada na estratégia de investimento desse produto. O objeto principal de aquisição dos fundos de papel são, majoritariamente, títulos indexados por CDI ou algum índice inflacionário, geralmente IPCA, mais um spread.

Considerando os dados obtidos até o encerramento de novembro/21, a indústria de FIIs captou mais de R$ 39 bi em novas ofertas, sendo os fundos de papel responsáveis por 47% desse volume, equivalente a um montante total de R$ 18,4 Bi. Ainda, em linha com o aumento da relevância desse produto diante do cenário atual, os fundos de papel passaram a representar aproximadamente 38% do IFIX, uma alta de quase 10 pontos percentuais em relação à sua participação em 2020 e mais de 15 pontos percentuais quando comparado com 2019.

Tanto pela correlação positiva entre CDI e a taxa básica de juros, quanto pelo cenário de alta inflacionária, tendo o IPCA dos últimos 12 meses acumulado 10,74% a.a. em novembro de 2021, os fundos de papel apresentaram um aumento significativo em seus dividendos, sendo atualmente uma das categorias mais rentáveis do setor. Dessa forma, essa classe tende a manter seu protagonismo ao longo de 2022 como uma boa alternativa para quem quer continuar com investimentos em FIIs e estar em um produto com a estratégia mais alinhada ao cenário macroeconômico de médio prazo.

Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

Gustavo Asdourian
Mais dos Colunistas
Gustavo Asdourian Investindo em Fundos Imobiliários com pouco dinheiro

Quando ouvimos falar em investimentos, geralmente pensamos em grandes quantias, produtos restritos para aqueles que possuem reservas financeiras robustas. Opções além ...

Gustavo Asdourian
André Kalim A situação atual do mercado de FIIs de tijolo

*Este texto representa uma opinião pessoal. Não é recomendação de investimento. Nos últimos meses o segmento de FIIs de tijolo passou por fortes quedas. Acredito que e...

André Kalim

Compartilhe sua opinião

Receba as notícias em seu e-mail

EU QUERO