Investimentos: como começar a alocar recursos entre 30 e 45 anos?

No Brasil, uma pequena porcentagem da população é investidora. São aproximadamente 28% das pessoas com renda, de acordo com a pesquisa Raio x do investidor, da Anbima. Mas, entre os que já investem, o perfil de idade é, em média, de 40 anos, ainda segundo o levantamento. Isso demonstra que na faixa dos 30 aos 45 os brasileiros já se preocupam com investimentos e com seu futuro financeiro. 

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Para a planejadora financeira Daniela Mir, o que ainda falta nessa fase é planejamento: “Muitos investidores com 30 a 45 anos buscam criar uma rotina de investimento, mas ainda não se comprometem em certificar se o valor investido será suficiente para seus projetos de curto e médio prazo, além da aposentadoria”. 

Essa falta de comprometimento e cuidado com a saúde financeira familiar ou individual é uma das principais ciladas que um investidor deve evitar, segundo Daniela. Veja abaixo algumas dicas de especialistas que podem te ajudar a se organizar melhor e fazer um planejamento de investimentos mais efetivo.  

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Aposentadoria: é hora de investir com planejamento

De acordo com Daniela Mir, é erro comum adiar o planejamento da aposentadoria. O investidor deve evitar algumas furadas, que ela menciona.

“Falam que não precisam guardar tanto pois trabalharão até o fim da vida. Outros contam com o INSS ou com a herança dos pais. Tem aqueles que acreditam em promessas de investimentos milagrosos que farão seu patrimônio quadruplicar ou quintuplicar sem precisar se esforçar para guardar”. 

Outro erro pode ser investir em uma previdência que dê baixo retorno ao final do investimento, sem calcular se o valor será suficiente para manter o padrão de vida.

“Pode até ser que, com sorte, algumas destas expectativas aconteçam. Mas estes argumentos só distanciam o investidor da realidade, e ainda podem se tornar armadilhas perigosas se a saúde lhe permitir viver mais. É necessário assumir a responsabilidade de investir para seus projetos futuros”, aponta Mir.

Então, para a planejadora, nesta faixa etária o ideal é pensar na aposentadoria com planejamento consistente para garantir a segurança no futuro. 

Considere que gastos podem aumentar com a idade 

Para Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, além de avaliar o custo de vida atual, gastos fixos e o padrão de vida que se gostaria de ter na aposentadoria, é importante considerar que os gastos podem aumentar.

“O investidor deve considerar que alguns custos devem aumentar consideravelmente como plano de saúde, um eventual cuidador de idoso, além de viagens e outros custos que a vida mais tranquila e com tempo pode propiciar”. 

Quanto investir mensalmente? 

“É importante avaliar quanto se consegue investir mensalmente. O ideal é que seja 10% da renda. Gosto de indicar cerca de 30% para se chegar à tão sonhada aposentadoria com qualidade de vida”, diz Idean Alves.

Quais ativos recomendados na faixa etária de 30 a 45 anos? 

“Com 30 anos, o jovem ainda tem o tempo ao favor e, a depender do perfil de investimento, pode estar apto a correr mais risco e  montar uma carteira de ações e fundos imobiliários, por exemplo, que podem trazer retornos mais atrativos, apesar da volatilidade do mercado. Ou, caso seja mais conservador, pode investir por prazos mais longos e conseguir taxas mais atrativas”, recomenda Idean Alves.

O mercado de fundos imobiliários cresce de forma acelerada no Brasil. Se, em 2016, existiam menos de 100 mil investidores em FIIs, o volume esperado até o fim de 2022 é de cerca de 2 milhões.

Mas esse movimento merece alguns pontos de atenção. Um deles é o de que muitos investidores de FII iniciantes, no ânimo de começar logo a sua jornada de investimentos, acabam pulando etapas importantes de organização de sua vida financeira e, com isso, acabam encontrando problemas inesperados.

Em sua fala no FIIs Experience, evento promovido pela Suno em setembro, o professor Marcos Baroni, analista CNPI e especialista em fundos imobiliários, explicou que a indústria imobiliária cresceu tanto nos últimos anos que, hoje em dia, o investidor sofre não com a falta, mas com o excesso de informações.

São cerca de 110 gestores e mais de 400 FIIs conhecidos.

“As estratégias acabam se sobrepondo de forma absurda”, ressaltou.

1. Fundos imobiliários: Teoria vem antes da prática

O principal problema, segundo Baroni, é a falta de clareza sobre os próprios objetivos e afeições pessoais do investidor.

Em entrevista concedida ao Suno Notícias, ele afirmou que o primeiro passo que deve ser dado pelo investidor que deseja começar a sua jornada no mercado de fundos imobiliários é a conscientização teórica.

“Ele deve buscar, em primeiro lugar, saber a linha editorial em que se sente mais confortável, que sente mais vontade de se aproximar. Pode fazer isso com livros, por exemplo”, disse.

Baroni acredita que o investidor iniciante não deve nem mesmo buscar uma assessoria técnica enquanto não tiver estipulada a tese de investimentos com que mais se identifica.

“Se não, ele fica à deriva do assessor e desprotegido”, disse.

2. Paciência e sangue frio

Já Luís Stachinni, sócio da Navi Capital, acredita que é importante que o investidor acredite nos fundamentos de seus investimentos em cenários adversos, comuns na vida de qualquer investidor.

“Tenha sangue frio e paciência. Muita paciência. Faça as pesquisas e acredite nos fundamentos do seu investimento”, disse.

O especialista acredita que a segurança na decisão de investimento somente possível com pesquisa constante e estudo, essencial para garantir tranquilidade ao investidor em momentos de agitação de mercado, ajudando-o a fugir de efeitos manada.

Daniel Miraglia, economista chefe do Integral Group, vai na mesma linha, afirmando que o investidor deve segurar os impulsos de mexer desnecessariamente em sua estratégia em momentos de insegurança.

“Deixe o investimento maturar e confie na decisão de investimentos que foi tomada”, disse.

3. Diversificação nos fundos imobiliários

O último (mas não menos importante) hábito importante para o investidor que está iniciando a sua jornada foi levantado por Marcelo Potenza, analista de equity research do Itaú BBA: a diversificação de portfólio.

“Vale a pena ter um porquinho de tudo, com várias classes de ativos”, disse.

Como exemplo, ele pontuou que o setor ligado a shoppings era um dos mais populares até o final de 2019. Em seguida, com a chegada da pandemia no início de 2020, o setor acabou sendo profundamente afetado e colocou à prova a importância da diversificação nos investimentos.

“Quem só tinha shopping em 2019 sofreu bastante”, afirmou.

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Renda Fixa

Com a aproximação do fim do ciclo de alta de juros e inflação de dois dígitos, a migração para a renda fixa já é realidade para a maioria dos gestores e investidores.

No entanto, segundo especialistas, a troca de ativos de renda variável por ativos de renda fixa pode oferecer riscos elevados se feita em um momento inoportuno ou sem muito estudo, principalmente pela falsa ilusão de segurança da classe de ativos.

Os gestores de renda fixa consultados pela XP apontam como riscos:

  • Inflação persistentemente alta no âmbito global (60%)
  • Aperto monetário (40%)
  • Política Fiscal (aparece na pesquisa como maior risco de forma unânime)

Em comentário ao Suno Notícias, Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, ressalta que o momento de fato “pede muita cautela e revisão de teses”.

Alves argumenta: “As mudanças constantes de cenários e, principalmente, de discurso dos principais bancos centrais do mundo, somadas à guerra entre Rússia e Ucrânia, potencial recessão e problemática crise energética na Europa, novos lockdowns na China e problemas na cadeia de oferta não permitem que o investidor apenas ‘sente’ na posição. Tudo isso o obriga a rever as posições.”

O especialista afirma que “o melhor caminho é diversificar, e não ficar muito direcional”.

Pré ou pós fixado?

Ao escolher entrar em posições de renda fixa, os especialistas consultados pela reportagem apontam que os riscos devem ser ponderados e a principal cautela do investidor deve ser a revisão dos indexadores.

Por exemplo, em um título de renda fixa atrelado ao IPCA, o investidor deve obter a compreensão de como está o cenário da inflação, quais as projeções dos analistas e o que está sendo avaliado pelo mercado.

Além disso, escolher entre pré e pós fixados também deve ser um motivo de revisões antes de realizar o investimento.

“Atualmente o pós fixado tem o benefício da liquidez, para dar liberdade ao investidor de movimentar a sua carteira, e também acompanhar a alta da Selic enquanto essa continuar. O prefixado vale ter como forma de ‘garantir’ uma taxa muito acima da média histórica da renda fixa, e que pode sumir a qualquer momento à medida que a taxa básica de juros comece a cair”, analisa Alves, da Ação Brasil.

“Taxas que hoje superam os 16% por ano e que são próximas ao desempenho das melhores carteiras de ações do mercado internacional. Essa é uma das melhores janelas de oportunidade dos últimos 5 anos: o capital bem alocado pode gerar bons retornos por 4 ou 5 anos a frente”, comenta, sobre os títulos prefixados.

Na mesma toada, o head de gestão de investimentos da Warren Asset afirma que o prefixado é uma forma mais arriscada de investir atualmente.

O indexador pode desacelerar nos meses seguintes e o investidor corre o risco de perdas no curto e médio prazo.

“O pós fixado carrega um pouco desse risco também. Depois temos os títulos atrelados à inflação. Ao fim de 2021 estávamos posicionados em títulos atrelados ao IPCA”, comenta.

O investidor conservador e mais avesso ao risco deve procurar títulos pós fixados e que paguem mais do que o CDI.

“Ele fica menos exposto ás movimentações de indicadores. Para quem tem um perfil mais arrojado, vemos que uma decisão de estar em título inflacionário [atrelado ao IPCA] pode fazer sentido”, comenta.

Encurtar os vencimentos e o nível de risco da carteira

Já para quem está mais próximo dos 45 anos, o ideal é encurtar os vencimentos e o nível de risco da carteira, recomenda Alves.

“Normalmente se busca um pouco mais de previsibilidade nessa fase, por isso não só o retorno é importante, mas principalmente a segurança. Uma boa liquidez não é exagero também. Assim, o investidor sempre terá dinheiro disponível caso precise e fará uma gestão de carteira de forma mais tranquila, sem grandes surpresas de volatilidade pelo caminho”.

Para quem já é investidor e busca aumentar os ganhos, há ainda outra alternativa.

“O investidor pode buscar a diversificação não só de classes de ativos, mas de mercados globais também. Como o Brasil representa apenas 2% de todo o mercado global, olhar para EUA, Europa, e Ásia se tornou mais comum nos dias de hoje. Assim, você tem para o inacesso aos principais ativos a nível mundial, o que dá uma vantagem competitiva para o investidor local”, finalizou Alves.

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Mariana Rodrigues

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