Semana do Fiagro

Analistas avaliam 5 ativos para investir com o IPCA no patamar atual

Com um cenário macroeconômico turbulento e um IPCA ainda em dois dígitos, mexer na carteira de investimentos pode ser arriscado, sobretudo se a decisão for tomada com base nas fortes emoções que a situação atual proporciona.

O investidor pode acabar pagando caro por comprar um ativo ao achar – em uma primeira impressão – que ele dará bons retornos pelo seu desempenho recente. Nesse caso, tanto a renda fixa quanto a renda variável podem apresentar grandes riscos se o aporte não levar em consideração o cenário macroeconômico futuro – em especial, juros e inflação.

Como exemplo, a escolha entre títulos pré e pós fixados pode fazer muita diferença em termos de rentabilidade.

Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos, escritório credenciado da XP Investimentos, explica que, nesse caso, a avaliação de risco deve ser feita com base nas taxas disponíveis no mercado e no prazo de vencimento – no contexto atual, uma taxa muito boa pode ficar defasada bem rápido.

“O ideal é buscar oportunidades entre pré-fixadas que paguem um bom prêmio e para um período mais longo, enquanto que no pós os prazos mais curtos têm se mostrado mais interessantes, em razão das boas taxas pós estarem disponíveis. Já 4, 5 anos de vencimento podem perder a atratividade no caso de queda mais aguda da taxa Selic”, explica.

Igor Barenboim, sócio e economista chefe da Reach Capital, destaca os investimentos em título pré-fixados como mais atrativos reforçando, da mesma forma, que o momento atual é oportuno.

“A gente está no cenário em que a inflação parece que ‘já chegou’ ao pico. Do ponto de vista de risco versus retorno, é mais atrativo agora aplicar no pré-fixado, para capturar esse prêmio de risco que existe na curva”, acrescenta Barenboim.

Apesar disso, Alves, da Ação Brasil, lembra que a melhor opção continua sendo a diversificação de portfólio, para mitigar riscos focando em investimentos que tenham liquidez e mantendo uma quantia relevante de caixa.

O especialista listou seus cinco ativos ‘favoritos’ para um aporte no cenário em que estamos, de IPCA ainda acima de 11%.

5 ativos recomendáveis para investir com o IPCA no patamar atual

  • Ativos de renda fixa atrelados à inflação: estão com ótimas taxas referenciadas, como de IPCA+7%, podendo o investidor conseguir taxa parecida via Títulos Públicos, dívida bancária, ou crédito privado
  • Empresas com “pricing power”, com o poder de repassar preço para o consumidor final, como o setor elétrico, bancos e saneamento básico
  • Empresas cíclicas para quem gostar de da uma ‘apimentada’ na carteira, pois podem surfar o momento de alta das commodities com o risco do excesso de volatilidade, como as do setor de petróleo, metais e grãos
  • Empresas fortes geradoras de caixa, com baixo endividamento e que distribuem bons dividendos, garantindo segurança e previsibilidade em um cenário de inflação e juros altos
  • Títulos que consigam entregar uma taxa de retorno acima da inflação podem ser interessantes também, desde que para um prazo não tão alongado

Ainda assim, Alves destacou que “a palavra de ordem continua sendo cautela”, dado que o cenário conta com influência externas, como ocorreu ainda nesta sexta (10), quando os Estados Unidos divulgaram o CPI (seu indicador de inflação) revelando um recorde nos últimos 40 anos.

“O mais importante é o investidor seguir montando suas posições ao longo dos meses e não usar todas as fichas de forma concentrada, pois o cenário pode mudar rápido”, explica.

Mesmo com macro penalizando varejo e consumo, há riscos

Barenboim, da Reach Capital, destaca que agora haverá uma “grande rotação de carteiras”, já que o pico da inflação parece ter passado, mas os juros seguem altos.

“O topo da inflação passou, mas os juros vão seguir altos por um tempo. Não adianta sair correndo e comprar ações de varejo e ativos muito alavancados em crescimento econômico, porque ele ainda vai ser baixo, em função do ciclo altista de juros”, explica.

“Esses juros altos trarão consequências daqui pra frente. Vale a pena comprar empresas mais resilientes, de utilities, como elétricas”, acrescenta, citando Eletrobras (ELET3), Equatorial (EQTL3) e Eneva (ENEV3) como boas opções para o cenário atual.

Em termos de escolhas de empresas, o economista chefe da Reach Capital segue preferindo as que tenham ‘lucro resiliente’ – companhias que não encolhem muito a sua última linha do balanço trimestral em um cenário turbulento.

Alves, da mesma forma, recomenda empresas mais sólidas e ressalta que é importante fugir de companhias com alta volatilidade.

“Em momentos de mar revolto, é importante estar alocado em bons portos seguros para sobreviver à tempestade. Esse perfil de empresa [mais sólida, com mais lucro] tende a oscilar menos e, mesmo que o cenário seja adverso, consegue gerar o fluxo de caixa necessário para crescer e compor o seu patrimônio e dos investidores. A história tem mostrado essas como as vencedoras de longo prazo.”

Ainda há espaço para otimismo após a crise, mas apenas exatamente no longo prazo.

“Devemos ficar atento às boas oportunidades do mercado de renda fixa e ter visão de longo prazo para colher bons frutos lá na frente. Tendemos a eternizar os momentos, só que ‘não há mal que nunca acabe, nem bem que nunca termine'”, afirma, mencionando a escolha de ativos em contexto de IPCA em alta.

Eduardo Vargas

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