Via (VIIA3) e Magazine Luiza (MGLU3): mercado vê oportunidade após ‘descontos altos’

Via (VIIA3) e Magazine Luiza (MGLU3): mercado vê oportunidade após ‘descontos altos’
Analistas apostam em GMV mais alto em 2021, com retorno parcial do varejo físico - Foto: Divulgação

Tidas como as preferidas do mercado no início da pandemia, hoje as ações empresas de e-commerce Via (VIIA3) e do Magazine Luiza (MGLU3) amargam perdas significativas, recuando neste ano 19% e 36%, respectivamente.

A ação da Via, que chegou a mais de R$ 10 este ano, está na casa dos R$ 8, enquanto a cotação do Magazine Luiza saiu do patamar de R$ 25 para os atuais R$ 15.

Diante das quedas, os investidores querem saber se vale a pena comprar estas ações, já que o setor de e-commerce enfrenta uma competição cada vez mais feroz, tanto de competidores brasileiros quanto de estrangeiras como Mercado Livre (MELI34), Amazon (AMZO34), Alibaba (BABA34) e Shopee.

Para a maior parte dos especialistas consultados pelo Suno Notícias, a resposta é sim, vale a pena aproveitar a baixa destes papéis, embora a inflação seja um assunto que deve ser acompanhado de perto. Confira as perspectivas:

Via ainda gera otimismo, mas inflação é risco

No caso da Via, este é um bom momento para aproveitar os preços mais baixos destes papéis para comprar as ações, segundo Bruno Komura, analista de Renda Variável da BlackBird Investimentos.

“Vejo a Via como uma oportunidade de entrada. Não é um case para uma posição core, mas nesse preço tá muito atrativo. Vale a pena entrar”, afirma. Segundo ele, as incertezas causadas pela inflação, pelas questões políticas e fiscais prejudicam o varejo, mas “dá pra se manter otimista”.

O analista ressalta que, apesar dos resultados em linha com as expectativas do mercado, os acionistas têm punido muito a companhia nos últimos meses, o que abre uma margem maior para ganhar algum lucro em preços descontados.

A companhia, no seu último balanço, chegou a um lucro de R$ 132 milhões no segundo trimestre de 2021, um crescimento de 103,1% ante o mesmo período de 2020, quando reportou R$ 65 milhões.

Além disso, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da varejista foi de R$ 485 milhões entre abril e junho, com margem de 6,2%, resultados, respectivamente, 54,4% e 0,2 ponto percentual superiores ao segundo trimestre do ano passado.

Veja os comentários dos analistas sobre a empresa

O resultado somado aos últimos movimentos da Via fazem a Ativa Investimentos cobrir o case com bons olhos. No final de agosto, a Ativa reiterou a recomendação de compra para o papel, mas reduziu o preço-alvo de 19,30 para R$ 18,70, por esperar crescimento de vendas (GMV) menor do que os pares da empresa.

“Destacamos o robusto desempenho dos canais digitais da Via nos últimos trimestres, que, a despeito dos desafios a serem enfrentados no ambiente competitivo do e-commerce, posicionam a companhia para capturar um novo ciclo de crescimento”, diz a instituição.

“Nosso preço-alvo atualizado reflete o crescimento de GMV digital menos acentuado da Via em relação a seus pares no 2T21″, segue a corretora, mirando R$ 18,70.

Recentemente, grandes bancos divulgaram relatórios sobre a Via. No último dia 20, o BB Investimentos manteve a recomendação de compra e estipulou preço-alvo para o final de 2022 em R$ 20. “Entendemos que o preço corrente do papel está muito aquém do preço justo”, afirmou o BB.

Por enquanto, a única casa que foi na contramão do mercado foi o BOFA, que rebaixou a recomendação das ações da Via de compra para neutra, e revisou o preço-alvo de R$ 19,50 para R$ 9,00. A principal preocupação do banco estrangeiro é com a alta da inflação, que reduz o poder de compra dos consumidores.

Magazine Luiza tem recomendações positivas

Komura, da BlackBird, também vê com bons olhos a competitividade do Magazine Luiza, apesar de apostar suas fichas na concorrente. “Acreditamos que Magalu tem potencial; empresas de e-commerce em geral têm potencial grande. As aquisições recentes dela fazem muito sentido, agregam no serviço e no portfólio. Toda essa parte de equipamentos, com a KaBum, agrega no portfólio da empresa”, afirma.

Quem tem a mesma tese é o time de research do Goldman Sachs. Recentemente, a administração do Magazine Luiza fez uma ligação com analistas de sell-side para se explicar sobre a queda das ações. Após a ocasião, os analistas do banco de investimentos melhoraram seus prognósticos.

“Acreditamos que a trajetória de crescimento da Magalu continua atraente em termos orgânicos e inorgânicos, com ganhos de participação ajudando a compensar parte do impacto de um consumidor mais fraco.” O Goldman tem preço alvo de R$ 25 para as ações da empresa em 12 meses.

BTG Pactual (BPAC11) segue na mesma linha, citando a capacidade da varejista “de manter forte crescimento de vendas em diferentes cenários”, o que a diferencia das demais companhias do setor”. O BTG tem recomendação de compra para o papel, com preço-alvo para 12 meses de R$ 26.

Já o Bradesco BBI também se pronunciou depois de a empresa se explicar sobre o tombo das ações, mas foi mais negativo. O BBI reduziu o preço-alvo das ações MGLU3 de R$ 27,00 para R$ 25,00 e reiterou recomendação neutra.

Em relatório do início de setembro, o Itaú BBA avaliou o papel como outperform (desempenho superior ao de referência), e colocou o preço-alvo das ações do Magazine Luiza para 2022 em R$ 24,00 por papel.

Daqui para frente, os investidores vão monitorar de perto os passos dos concorrentes estrangeiros da Via e do Magalu no e-commerce, ao mesmo tempo em que a inflação ficará no radar.

Eduardo Vargas

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