Taesa (TAEE11) é uma ‘ação cara’? Analistas respondem e fazem projeções sobre dividendos

Sendo parte de um setor considerado defensivo e pagador de dividendos, a Taesa (TAEE11) é frequentemente considerada uma companhia ‘cara’ ou ‘bem precificada’ por analistas.

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Apesar das perspectivas de crescimento e do dividend yield (DY) na casa dos 10%, o preço atual das ações da Taesa – em R$ 37 – é considerado justo, dado a estimativa de fluxo de caixa futuro e os dados mostrados no balanço contábil da companhia.

Em seu último resultado trimestral, a Taesa anotou lucro líquido de R$ 215 milhões. Abaixo das estimativas da XP, os analistas da casa destacaram outros números dentro das projeções e também fizeram questão de reafirmar a visão sobre o preço das units TAEE11.

“Temos uma avaliação neutra do resultado da Taesa 1T23, pois veio em linha com as nossas expectativas. O aumento da margem EBITDA pde ser explicado pela correção monetária da RAP ciclo 2022-2023 e pelo início das operações de Sant’Ana. Além dos resultados, a Taesa anunciou que seu Conselho de Administração elegeu o Sr. Rinaldo Pecchio Jr. como Novo CFO e Diretor de RI, que assumirá o cargo em 15 de maio de 2023″, diz a casa.

Segundo a XP, a Taesa é um nome “de alta qualidade e defensivo devido a previsibilidade do seu fluxo de caixa”, mas os especialistas veem ações “adequadamente precificadas”.

Outros especialistas, em linha com essa análise, destacam os múltiplos atuais, comparando-os com o de concorrentes.

“A empresa está sendo negociada a uma TIR implícita de 7,6%, contra 8,7% para TRPL4, 11,6% para ALUP11 e 6% rendimento dos títulos do Tesouro Brasileiro. A alavancagem da empresa parece estar pressionada (acima de 4x dívida líquida/EBITDA até 2026) por seus desembolsos significativos de Capex para projetos em construção”, destaca Marcelo Sá, do BBA.

Além disso, a casa projeta dividendos da Taesa menores nos próximos anos, com redução do yield.

Bernardo Viero, analista CNPI da Suno Research, destaca que a empresa estar bem precificada é um “consenso no mercado”.

“O investidor pessoa física não olha tanto fluxo de caixa descontado como a gente. Temos que entender os motivos, e eu posso resumir a situação da Taesa como uma reação em cadeia com relação aos ativos que a companhia tem hoje”, aponta.

“A Taesa tem uma alta concentração de vencimentos, 45% das receitas contratas começam a vencer mais ou menos em 2035. Isso faz com que ela tenha um prazo médio menor do que concorrentes, de 15 anos, ante 19 da Eletrobras e 18 anos da Alupar, por exemplo”, segue.

Um impasse peculiar na Taesa

Com isso, Viero aponta que a empresa tem muita concorrência nos leilões e uma necessidade de investimentos considerável para esta década – o que eventualmente pode pressioná-la pagar mais do que deveria em alguns ativos.

Segundo o analista, nesse caso a empresa “destruiria valor, pagando mais do que seria gerado em caixa com ativos operacionais”.

“Isso leva para um terceiro ponto que são os dividendos, que é um panorama mais relevante. O dinheiro para os dividendos sai de algum lugar. Olhando o motivo pelo qual ela é bem precificada é que projetamos o que ela tem de portfólio hoje, vemos que a empresa precisa agregar novos ativos para justificar esse preço de tela. A questão é que ela pode não comprar novos ativos e crescer e sacrificar a taxa interna de retorno ao pagar alto por alguns ativo”, destaca.

Essa dinâmica de distribuição de proventos, da mesma forma, se relaciona com o patamar atual de endividamento da Taesa.

Conforme dados atualizados do Status Invest, a companhia soma uma dívida líquida de R$ 8,3 bilhões, deixando o indicador de alavancagem em 4,7x, considerando a razão da dívida líquida e o Ebitda.

Concorrentes como a Engie (EGIE3) conseguiram equilibrar payout com alta alavancagem, porém os analistas ainda consideram a tarefa algo inglório a ser feito pelo management da elétrica, dada a nebulosidade do cenário atual.

Viero ainda aponta que, se confirmado, o follow-on da empresa traria uma dinâmica questionável com os proventos.

“O Follow-on não foi confirmado, os próprios executivos comentaram que todas as opçoes estão na mesa. Acho que tem a ver com os dividendos. Se o endividamento da empresa está elevado e a Taesa deve investir ao longo do tempo, acaba que não existe mágica. O capital precisa vir da geração de resultados ou do acionista. Nos resultados demandaria um payout maior. Se a empresa optar de o capital vir do acionista, ela pode emitir novas ações”, explica.

“Ou seja, o dividendo entra por um bolso e sai pelo outro com o follow-on. Para nós não faz tanto sentido, se a empresa optou pelos dividendos elevados”, conclui.

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Leilões a frente

Recentemente a companhia foi listada pelo Itaú BBA como uma das principais participantes do Leilão da Anell – o maior em meia década – e outros que vem pela frente.

Os passos a serem dados devem influenciar substancialmente o futuro e a geração de caixa da companhia.

A analista Maíra Maldonado, da XP, aponta que “o segmento de transmissão oferece a maior previsibilidade e o menor beta do setor de energia. Porém, seu retorno é proporcional à percepção de risco reduzido. Atualmente, vemos os nomes de transmissão sendo negociados a uma TIR real de 8,3% para TRPL4, 8,2% para TAEE11 e 7,0% para ALUP11”.

Ou seja, a rentabilidade média se traduz em um spread de 2,4% para NTN-B, o que é mais atrativo do que no passado recente.

Viero destaca que se comportar bem no leilão “nem sempre é comprar ativos”.

“A empresa que consegue um ativo pode eventualmente destruir valor. Não ter uma pressão para comprar ativos, como a Taesa, é um ponto positivo”.

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Eduardo Vargas

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