Petróleo: Trump diz que Arábia Saudita e Rússia cortarão produção

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta quinta-feira (2), que espera que a Arábia Saudita e a Rússia cortem sua produção de petróleo. Segundo ele, os cortes dos dois dos maiores produtores da commodity no mundo serão na ordem de 10 milhões de barris por dia, ou “substancialmente mais”.

Trump escreveu em sua conta pessoal do Twitter que conversou com o príncipe saudita Mohammed bin Salman acerca da guerra de preços do petróleo. O herdeiro da Arábia Saudita, por sua vez, conversou com o presidente russo Vladmir Putin.

Just spoke to my friend MBS (Crown Prince) of Saudi Arabia, who spoke with President Putin of Russia, & I expect & hope that they will be cutting back approximately 10 Million Barrels, and maybe substantially more which, if it happens, will be GREAT for the oil & gas industry!

— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) April 2, 2020

Logo após a fala do mandatário estadunidense, o mercado futuro do barril de petróleo Brent subiu mais de 47%, sendo negociado a US$ 26,29. Por volta das 13h30, operava com uma alta de 23,44%, cotado a US$ 30,54.

Após a divulgação da conversa pelo presidente norte-americano, a Arábia Saudita convocou, nesta quinta-feira, uma reunião de emergência com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, grupo conhecido como Opep+, para discutir acerca da crise atual.

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A agência de noticias estatal saudita “SPA” confirmou o contato entre Salman e Trump, mas não forneceu detalhes sobre a conversa.

Após as fracassadas negociações entre os países da Opep, junto à Rússia, no começo de março, acerca de um possível corte na produção diária de petróleo, a cotação do barril de Brent chegou a apresentar uma queda diária do mesmo patamar que durante a Guerra do Golfo, ocorrida entre 1990 e 1991, de 31%.

Devido aos impactos econômicos, financeiros e comerciais causados pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o petróleo vem sofrendo fortemente neste ano. O barril de Brent iniciou o ano cotado a US$ 68,75, e chegou a ser negociado a US$ 21,65, uma desvalorização de mais de 68,50%.

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Já o barril WTI começou o ano a US$ 60,99 e chegou a ser negociado a US$ 19,27, uma queda de 68,40%. Diferentemente das outras crises relacionadas ao petróleo, esse incidente recai sobre a demanda, o que fez os preços caírem e os exportadores, principalmente os menores, sofrerem.

No Brasil, o impacto não é diferente. A Petrobras (PETR4) informou, em comunicado, na última quarta-feira (1), que decidiu reduzir sua produção de petróleo em 200 mil barris por dia, e que irá cortar seus custos e despesas frente à menor demanda por combustíveis.

Jader Lazarini

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