Balanços da semana

Nunca tive investimentos: com quais tipos de aplicação devo começar?

Para quem deseja começar sua jornada de investimentos agora, sempre fica a dúvida: quais as mais interessantes opções disponíveis no mercado?

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Primeiramente, é importante que se tenha a vida financeira organizada antes de pensar em investimentos em si, mapeando as entradas e saídas de recursos — o dinheiro que sobrar de forma regular todos os meses é o montante que deve ser destinado às aplicações periódicas.

A partir disso, a construção de uma reserva de emergência se torna uma etapa essencial. Ela é importante pois será a quantia destinada a socorrer o investidor no caso de qualquer imprevisto.

Para a reserva de emergência, é vital priorizar investimentos com alta liquidez e pouca volatilidade, ou seja, produtos nos quais o investidor consegue resgatar o dinheiro rapidamente, sem desvalorização, e que apresente pouco risco.

CDBs com liquidez diária, títulos do Tesouro Selic e alguns fundos de renda fixa são comumente apontados como bons destinos para a própria reserva de emergência.

“O tipo de investimento ideal para esta reserva de emergência é aquele que tem liquidez diária, ou seja, dinheiro disponível a qualquer instante, além de baixíssimo risco, como o Tesouro Selic ou CDB-DI de grandes bancos”, afirma Daniela Mir, planejadora financeira pela Planejar.

Saiba mais sobre os CDBs

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título de crédito, ou seja, uma promessa de pagamento futuro de um determinado valor acrescido de uma rentabilidade convencionada.

Na prática, este investimento representa uma dívida que o banco tem junto ao investidor para captar recursos financeiros.

Em outras palavras, ao adquirir um CDB é você quem empresta dinheiro ao banco e ele te paga os juros, que no caso corresponde à sua rentabilidade.

O CDB-DI é a modalidade mais tradicional deste investimento. Trata-se de rentabilidade vinculada ao CDI, que acompanha de perto a taxa básica de juros brasileira, a Selic. O valor investido fica disponível para resgate no dia útil seguinte da aplicação.

Para adquirir este título, o investidor deve em primeiro lugar ter uma conta em uma corretora. Em seguida, deve acessar o site da corretora e escolher um CDB que mais se enquadre em seus objetivos. com a escolha feita, a compra pode ser feita de forma direta.

Depois, é só esperar o prazo para o resgatar e retirar o montante investido, somado à rentabilidade. No vencimento, o dinheiro cai diretamente na conta que o investidor tem na corretora.

Características do Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público emitido pelo Tesouro Nacional que permite que investidores emprestem dinheiro ao governo em troca de juros.

No caso, o juro pago àqueles que aplicam no Tesouro Selic está indexado à Taxa Selic.

Também conhecido como LFT (Letra Financeira do Tesouro), o Tesouro Selic é considerado uma das aplicações de renda fixa mais seguras do país, já que é garantida pelo Tesouro Nacional do Brasil.

A grande diferença com relação a outros títulos do tesouro é a sua alta liquidez.

O tempo de resgate do Tesouro Selic é de D+1.

Ou seja, isso significa que o recurso solicitado como resgate pelo investidor fica disponível em sua conta no dia útil seguinte à solicitação realizada, sendo esse prazo o necessário para liquidação e disponibilização do recurso pelo Tesouro.

O investidor pode adquirir títulos do Tesouro Selic por meio de uma instituição intermediária, como bancos e corretoras, ou a própria plataforma do Tesouro Direto.

Alguns investidores questionam se, em média, as menores rentabilidades do Tesouro Selic acabam fazendo com que o investimento não compense em comparação a um CDB.

Nesta hora, deve-se ponderar que as instituições emissoras dos títulos vão dar graus diferentes de confiabilidade e risco ao investimento.

No caso, os títulos emitidos pelo governo, que remunerem menos, vão apresentar riscos baixíssimos em comparação a títulos de instituições privadas.

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E os fundos de investimentos?

O fundo de renda fixa é um tipo de fundo de investimento no qual, em geral, no mínimo 80% do patrimônio do fundo é alocado em ativos de renda fixa, como títulos do tesouro, CDB’s, LCI/LCA e debêntures.

Eles têm a vantagem de ter um gestor profissional, que possui autonomia para realizar operações com o patrimônio do fundo respeitando os combinados e objetivos estipulados na hora do investimento.

Com isso, alguns destes fundos buscam por rentabilidade um pouco acima que a Selic ou CDI.

Por concentrarem recursos de diversos investidores, os fundos também contam com a vantagem de maior poder de negociação no preço de papéis disponíveis no mercado.

Em contrapartida, é preciso ter um cuidado especial na escolha deste produto, já que instituições e gestores podem oferecer diferentes estratégias, que podem variar em relação a risco e rentabilidade. Além disso, são cobradas taxas de administração.

“É preciso validar se o fundo não possui volatilidade, ou seja, se o valor de suas quotas não oscila para mais e para menos no dia a dia e nem mesmo em grandes ocorrências que impactam o mercado financeiro. Os fundos nem sempre podem trazer a certeza de que terão baixíssimo risco a todo tempo e ainda demandam uma maior análise para investir”, diz Mir, da Planejar.

Uma opção para os que buscam investimentos focados na renda passiva também são os fundos imobiliários.

Basicamente, fundos imobiliários são fundos de investimento fechados cujo principal objetivo é o investimento em ativos imobiliários, como hospitais, imóveis residenciais, lajes corporativas e galpões logísticos.

Mas, cuidado: os fundos imobiliários são negociados em Bolsa e por isso possuem uma volatilidade maior do que as opções de investimento mencionadas acima.

“O melhor caminho aqui é buscar por um assessor de investimento, que possui acesso a grande maioria das casas de análise e poderá apresentar relatórios, auxiliando na escolha dos melhores FIIs”, diz Walter Fogolin, Gerente de Produtos da InvestSmart XP.

E, por último, mas não menos importante: seja qual for o produto inicial escolhido pelo investidor, é sempre importante ter em mente que a diversificação não deve ser deixada de lado.

Os títulos do Tesouro Selic possuem um valor mínimo de cerca de R$ 120.

Os CDBs, por sua vez, possuem variação maior no piso do valor de entrada, a depender da instituição emissora. O mesmo vale para os fundos de renda fixa.

Graças a um avanço no desenvolvimento de produtos financeiros nos últimos anos, muitos CDBs e fundos de renda fixa podem ser encontrados com investimentos mínimos a partir dos R$ 100 ou até menos.

Assim, mesmo que com pequenas quantias, é possível distribuir investimentos em diferentes tipos e classes de ativos e construir uma carteira estruturalmente protegida de riscos variados — o quanto antes o investidor fizer isso, melhor.

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Laura Intrieri

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