Ibovespa tem 3ª alta seguida e ganha 1,7% na semana; B3 (B3SA3) lidera quedas no dia

Ibovespa hoje fechou esta sexta-feira (13) com alta de 1,17%, aos 106.924,18 pontos, após oscilar entre 105.690,55 e 107.772,82 pontos. Na semana, sobe 1,70% e o volume financeiro foi de R$ 31,5 bilhões. No ano, o Ibovespa sobe 2,01%.

Em alta entre a última quarta e esta sexta-feira, as três sessões de recuperação do Ibovespa levaram ao acumulo de ganhos de 1,70% na semana, após cinco intervalos de queda, entre todo o mês de abril e a primeira semana de maio.

Com a alta de hoje, e altas superiores a 1% nos dias anteriores, o índice limita a perda acumulada no mês a 0,88%, após correção de 10,10% em abril, a maior perda mensal desde o mergulho de 29,90% em março de 2020, no auge da aversão a risco em torno da pandemia.

Perto do fim da sessão, algumas ações de maior liquidez oscilaram e se firmaram em leve baixa, o que contribuiu para que o Ibovespa aparasse os ganhos do dia e a recuperação na semana, tendo se mantido acima dos 107 mil pontos ao longo da tarde, chegando a limitar as perdas do mês a menos de 0,2% no melhor momento da sessão.

“Na correção que houve desde abril, muita coisa já foi para o preço. No Brasil, essa correção veio com o fechamento, o lockdown na China, que resultou em grande ajuste nas commodities – e também com a inflação em alta nos Estados Unidos, que lança incerteza sobre a extensão e o grau do ciclo de ajuste de juros americanos”, diz Cesar Mikail, gestor de renda variável na Western Asset.

Cenário internacional

Ele observa também que, enquanto a inflação não der sinais de estabilização nos EUA, essa incerteza deve persistir, mesmo com a recente sinalização do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, de que a opção na mesa para as próximas reuniões é de alta mantida ao ritmo de 0,50 ponto porcentual, e não de 0,75 ponto como se chegou a temer, com o mercado ainda manifestando alguma preocupação quanto à chance de recessão no país em meio ao enxugamento e restrição da liquidez.

“Vimos nesta semana uma cobertura de ‘shorts’ ‘vendidos’, os que se posicionavam para quedas, uma correção técnica, também perceptível lá fora. Os ‘valuations’ precificação dos ativos continuam muito descontados. Algo parecido também se vê na moeda: com juros próximos a 13%, o carrego do câmbio não é brincadeira, dói”, diz o gestor.

“O trabalho de casa com relação à Selic está em final de ciclo (de elevação), foi feito em boa parte de 2021, se considerarmos onde os juros estavam no início daquele ano e onde estão agora. Estamos bem adiantados em relação a outras economias, inclusive as grandes, como as de Estados Unidos e Europa. Se a inflação se estabilizar no segundo semestre, ali por setembro ou outubro a discussão no mercado passa a ser de quando os juros começarão a cair em 2023”, aponta Mikail, para quem a volatilidade pré-eleitoral tende a ser menor do que em pleitos passados, na medida em que Lula e Bolsonaro, os virtuais finalistas, são conhecidos do mercado, inclusive no exercício do cargo.

Assim, observa o gestor, o principal fator de risco, daqui até lá, permanecerá fora do país: a inflação e a reação dos juros nos Estados Unidos. “A China deve reabrir aos poucos”, flexibilizando a tolerância zero à Covid, o que contribui para uma volatilidade menor nas commodities, em momento no qual o setor de bancos – segmento de maior peso no Ibovespa -, muito descontado nos últimos anos, é favorecido por uma boa temporada de balanços e pelo cenário de elevação de juros.

Nos Estados Unidos, na quinta-feira, “Powell foi bastante enfático com relação à trajetória dos juros, com mais duas altas de meio (ponto porcentual), numa entrevista que causou grande repercussão ainda hoje (sexta), com os mercados mais calmos neste fim da semana”, observa Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master. “Vai doer um pouco, não dá para controlar a inflação sem desacelerar a demanda, mas ele (Powell) considera possível um ‘soft landing’ aterrissagem suave, mesmo com o ‘mea culpa’ de que o Fed deveria ter considerado subir, antes, os juros”, acrescenta.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta sexta-feira, encerrando a semana com alguma recuperação das fortes perdas acumuladas nos últimos dias. Os maiores ganhos estiveram ligados a empresas de tecnologia, que vinham sendo algumas das mais penalizadas à medida que investidores avaliam as perspectivas para o aperto monetário do Federal Reserve, que indica uma alta de juros consecutiva para tentar frear as pressões inflacionárias. Nesta sexta, uma exceção foi o Twitter, que recuou em meio a notícias sobre sua eventual aquisição pelo CEO da Tesla, Elon Musk.

  • Dow Jones teve alta de 1,47%, a 32.196,66 pontos;
  • S&P 500 ganhou 2,39%, a 4.023,89 pontos;
  • Nasdaq subiu 3,82%, a 11.805,00 pontos.

Na semana, as quedas foram de 2,14%, 2,41% e 2,80%, respectivamente.

dólar à vista fechou em baixa de 1,61%, a R$ 5,0575, depois de oscilar entre R$ 5,0466 e R$ 5,1500.

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta robusta nesta sexta, após uma sessão marcada pela volta do apetite ao risco nos mercados e com o dólar em queda ante rivais. Investidores seguem monitorando a demanda na China, que enfrenta uma nova onda de covid-19, e preocupações com a oferta de óleo, na esteira da guerra na Ucrânia.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do petróleo WTI com entrega prevista para junho subiu 4,10% (US$ 4,36), a US$ 110,49. Na semana, houve alta de 0,65%. Já o do Brent subiu 3,82% (US$ 4,10), a US$ 111,55, na Intercontinental Exchange (ICE), com queda semanal de 0,75%.

O contrato futuro de ouro fechou em queda nesta sexta, encerrando uma semana negativa em meio às expectativas de que o quadro de inflação alta nos Estados Unidos leve o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) a apertar a política monetária.

Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega prevista para junho encerrou a sessão em baixa de 0,90%, a US$ 1.808,20 a onça-troy, no menor valor desde fevereiro, com recuo semanal de 2,71% .

No Ibovespa hoje, o destaque foi para a Yduqs (YDUQ3) que disparou 12,11% com os resultados do primeiro trimestre de 2022, e assim liderou o ranking de maiores altas.

BRF (BRFS3) também foi destaque com seu balanço do 1T22 e subiu 10,33%. Já as aéreas valorizaram com a queda do dólar: Gol (GOLL4) ganhou 11,79% e Azul (AZUL4) +10,65%. CVC (CVCB3) também figurou no ranking, com +9,75%.

Já no campo negativo, B3 (B3SA3) caiu 3,61% e liderou as maiores quedas, após divulgar perdas no lucro líquido recorrente do trimestre. Cogna (COGN3) caiu 2,30%, Raia Drogasil (RADL3) desvalorizou 1,91%.

Mesmo com a alta do minério de ferro, Vale (VALE3) teve leve baixa de 0,12%. Petrobras (PETR3, PETR4) ganhou 0,14% e 1,30%, respectivamente.

Grandes bancos ficaram sem sinal único: Bradesco (BBDC3, BBDC4) registrou +1,42% e 1,16%, respectivamente, Itaú (ITUB4) subiu 1,18%, Santander (SANB11) perdeu 0,15% e Banco do Brasil (BBAS3) ficou com queda de 0,14%.

Maiores altas do Ibovespa:

Maiores baixas do Ibovespa:

Outras notícias que movimentaram a bolsa de valores

  • Banco Inter (BIDI4) dispara 6,9% com ida à Nasdaq
  • Twitter (TWTR34) perde dois executivos e congela contratações em meio ao ‘caso Musk’

Banco Inter (BIDI4) dispara 6,9% com ida à Nasdaq

Banco Inter (BIDI4) teve a sua migração à Nasdaq aprovada pelos acionistas nesta quinta-feira (12). O procedimento já havia sido iniciado e suspenso em 2021. A fintech retomou recentemente os planos de sair da bolsa brasileira – que tiveram agora o aval dos acionistas.

A maioria (mais de 85%) dos acionistas do Banco Inter optou pela listagem na Nasdaq, incluindo uma reorganização societária. Quando a operação for efetivamente concluída, todas as ações do Banco Inter deixarão de ser negociadas na bolsa de valores brasileira e estarão disponíveis somente na Nasdaq. O investidor brasileiro poderá utilizar BDRs, como ocorre com outras companhias listadas no exterior, a exemplo da XP Investimentos (XPBR31).

O movimento faz com que os papéis BIDI11 e BIDI4 disparem no Ibovespa e fiquem na ponta positiva, em alta de 8,2% e 6,95%, respectivamente, no intradia.

“A migração das ações para a Nasdaq vai fortalecer nosso posicionamento como uma empresa de tecnologia global, além de nos dar acesso ao mercado de capitais mais maduro do mundo e abrir fontes de receitas à medida em que a empresa continuar seu sólido ritmo de crescimento”, explica João Vitor Menin, CEO do Inter.

Além de a bolsa americana oferecer algumas vantagens – como captações em dólar e um eventual carrego cambial -, a estratégia do Inter também visa replicar seu modelo de negócio internacionalmente.

“A reorganização societária propõe a incorporação de todas as ações de emissão do Inter por sua controlada, a Inter Holding Financeira, com a inclusão dos acionistas do Inter. A operação possibilitará ao Inter levantar capital mantendo a estrutura de controle. Após a reorganização, serão emitidas dois tipos de ações listadas nos EUA. As classe A, que serão o lastro dos BDRs, vão conferir ao detentor 1 voto por ação. As classe B, resguardadas aos acionistas controladores do Inter, vão conferir 10 votos por ação”, afirmam Bruno Bandiera e Eduardo Nishio, analistas da Genial Investimentos.

Segundo o parecer da corretora, a estrutura possibilita aos controladores realizarem mais ofertas de ações sem perder o controle do banco e, por consequência, levantar mais capital para financiar o crescimento.

A recomendação da Genial é de compra, com preço-alvo de R$ 39,50, potencial de alta de mais de 100%.

“A operação fortalece nossa tese: consideramos uma forte necessidade de capital para sustentar o crescimento de carteira de crédito do Inter, que acreditamos ser capaz de avançar acima dos 50% a/a em 2022″, diz relatório.

Vale lembrar que, já no início de 2022, a companhia fechou a aquisição da USEND, fintech norte-americana focada em remessas e pagamentos internacionais, que possui licenças em mais de 40 estados. O movimento sinaliza uma expansão da operacionalização do banco digital para fora dos limites nacionais.

Twitter (TWTR34) perde dois executivos e congela contratações em meio ao ‘caso Musk’

Em meio ao imbróglio gerado pela compra feita por Elon Musk, o Twitter (TWTR34) está vivendo mudanças dentro da sua estrutura administrativa. Segundo um porta-voz da companhia, em comunicado oficial, dois executivos seniores estão deixando a rede social.

Os dois executivos do Twitter são Bruce Falck, diretor de receitas, e Kayvon Beykpour, diretor de consumo. Ambos vão sair da empresa a menos de seis meses após terem sido promovidos para os cargos.

Com esse cenário, Jay Sullivan irá substituir ambos os executivos. Atualmente, Sullivan é vice-presidente de produtos da rede social, cargo que ocupa desde novembro do ano passado.

Além disso, em um memorando interno, o CEO do Twitter, Parag Agrawal, disse que a partir desta semana a companhia também vai congelar novas contratações.

Não há previsão de cortes no Twitter, e no comunicado a companhia cita o cenário macroeconômico global e o conflito na Ucrânia.

Além disso, há o fato de a governança da rede poder mudar drasticamente com a entrada de Elon Musk. A tensão com isso foi tamanha que, semanas antes, a gestão ‘travou’ diversas mudanças internas para conter funcionários que viessem a retaliar a companhia por conta da transação com Musk ser aceita.

O atual CEO, da Tesla (TSLA34), vale lembrar, acabou de suspender a compra da rede social por conta de um dado acerca do volume de contas de spam e bots.

Desempenho dos principais índices

Além do Ibovespa, confira o fechamento dos principais índices da bolsa hoje:

  • Ibovespa hoje: +1,17%
  • IFIX hoje: +0,58%
  • IBRX hoje: +1,11%
  • SMLL hoje: +2,36%
  • IDIV hoje: +0,73%

Cotação do Ibovespa nesta quinta (12)

Ibovespa fechou o pregão da última quinta-feira (12) em alta de 1,24%, aos 105.687,64 pontos.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

Victória Anhesini

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