Evino capta R$ 650 milhões com nova rodada de investimentos e mira IPO após comprar concorrente

Evino capta R$ 650 milhões com nova rodada de investimentos e mira IPO após comprar concorrente
Evino comprou, recentemente, a Grand Cru, uma das suas maiores concorrentes - Foto: Divulgação

A Evino levantou um capital de R$ 650 milhões em uma nova rodada de investimentos. O fundraiser foi liderado pela Vinci Partners, por meio do fundo III, com participação também do escritório JCR e da XP Private.

Segundo o site Pipeline, com a venda do capital social, os fundos passam a ter co-controle da varejista de vinhos e assento no conselho. O aporte deve acelerar ainda mais o crescimento da startup, logo após a aquisição da concorrente Grand Cru.

A participação exata e o valuation não foram revelados após a rodada de investimentos, contudo.

Apesar disso, o faturamento da Evino foi de R$ 660 milhões em 2021, com geração de caixa. O guidance é de R$ 800 milhões de receita no ano de 2022.

Além disso, o CAGR (crescimento anualizado) entre 2015 e 2020 foi de 33,3%, subindo para 35% nos anos durante a pandemia da covid-19. A projeção é de que nos próximos cinco anos, a média de crescimento deve ficar na casa de 20%.

“O aporte é essencialmente primário, eventualmente incluindo uma secundária para um ou outro sócio que já não está mais no negócio. Acompanhamos a história da Grand Cru e da Evino há bastante tempo e agora teremos uma gestão compartilhada”, afirmou Gabriel Felzenszwalb, co-head de private equity da Vinci, ao veículo.

Segundo o executivo, as principais decisões estratégicas serão tomadas em consenso, como caminhos de crescimento.

Marcos Leal, um dos co-fundadores da startup de vinhos também destacou que outras fusões e aquisições devem vir com o capital levantado.

“A entrada dos fundos nos ajuda a organizar a casa nessa integração, para outro patamar de governança, e para uma plano de crescimento acelerado, que passa pela estratégia orgânica mas também por consolidação de companhias que tragam complementariedade de portfólio, canais de distribuição ou tecnologia”, afirma.

Além disso, com a entrada de fundos de private equity e o aumento do porte da companhia, a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) deve ganhar prioridade – especialmente considerando que a principal concorrente, a Wine, já fez uma tentativa recente.

Sinergia da Evino com a Grand Cru

A integração e as sinergias da Grand Cru com Evino começou efetivamente há dois meses, após aprovações regulatórias, e está em curso – as duas marcas serão mantidas, com a criação de uma marca corporativa para a holding.

As frentes abertas por essa aquisição, como a rede de lojas físicas, complementariedade de consumidores e fornecedores, segundo a própria Evino, devem ser aceleradas com o dinheiro em caixa após a rodada de investimentos da startup.

Há uma diferença razoável entre os públicos das companhias, com um ticket médio diferente entre ambas. Ainda que a Evino venda rótulos de luxo, acima de R$ 20 mil, a média é de R$ 50 – ao passo que a Grand Cru tem um ticket médio de R$100, o dobro.

Segundo a administração, a penetração de vinhos espumante, rosé e branco ainda é pequena em relação a países mais maduros, com um consumo de entrada em adocicados ou em tintos com menor acidez.

As duas companhias vinham seguindo estratégia para um ponto de encontro – enquanto a Evino sofisticava seu portfólio, a Grand Cru incluía rótulos mais “democráticos”. Agora, manterão segmentação clara.

Para o futuro, o principal desafio da Evino é aumentar o “share of throat” do vinho no consumo alcoólico brasileiro. Hoje, o posto de preferência segue sendo ocupado pela cerveja.

Eduardo Vargas

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