Combustíveis terão subsídio a depender da guerra na Ucrânia, diz Guedes

Após a Petrobras (PETR4) reajustar o combustível pela primeira vez em 57 dias, o que deve aumentar o preço da gasolina nos postos, voltaram à tona as discussões de como o Planalto deve frear os preços no ano eleitoral. Segundo o ministro da economia, Paulo Guedes, caso ocorra uma “escalada” da guerra na Ucrânia, “aí sim” o governo deve estudar a implantação de subsídios para os combustíveis.

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“Se isso (guerra) se resolve em 30, 60 dias, a crise estaria mais ou menos endereçada”, disse Paulo Guedes em entrevista coletiva após reunião com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Ambos negaram ter discutido mudanças na política de preços da Petrobras.

“Nunca pensamos em alterar política de preços”, disse Guedes ao jornalistas, após a reunião no Ministério da Economia. A política de preços, vale lembrar, foi criticada recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que afirmou que ‘do jeito que está aí não dá pra ficar’.

Guedes afirmou que é ‘natural’ que Bolsonaro tenha essa preocupação no radar. “Nunca pensamos em alterar política de preços”, disse Guedes ao jornalistas logo após a reunião no Ministério da Economia.

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Albuquerque, do MME, frisou que a baixa oferta é o que eleva tanto o preço da commodity, dado que o petróleo Brent, referência para a Petrobras, beirou a cotação de US$ 140 nesta semana.

O ministro destacou que o reajuste da gasolina por parte da estatal também se trata de um “procedimento da empresa” que deve ocorrer naturalmente.

“Todos estamos acompanhando e monitorando essa questão, com essa crise entre Rússia e Ucrânia”, disse. “Há crise de oferta e demanda de petróleo e derivados.”

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Ainda segundo Albuquerque, atualmente o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) acompanha a situação “para avaliar a necessidade de novas medidas”. “As medidas serão adotadas conforme necessidade, isso que tem sido feito”, disse.

No mesmo sentido, Guedes disse que a adoção de novas medidas para os combustíveis “depende da guerra”.

Entenda o reajuste dos combustíveis

Ainda na quinta (10) a Petrobras anunciou um aumento nos preços de venda da gasolina e diesel para as distribuidoras, que passa a vigorar nesta sexta (11).

Este é o primeiro aumento em 57 dias, e desde 11 de janeiro, a cotação do petróleo Brent acumula valorização de 38,9%.

O preço médio de venda da gasolina da Petrobras para as distribuidoras tem alta de 18,8% e passa de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro, diferença de 61 centavos.

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De acordo com a estatal, “apesar da disparada dos preços do petróleo e seus derivados em todo o mundo, nas últimas semanas, como decorrência da guerra entre Rússia e Ucrânia, a Petrobras decidiu não repassar a volatilidade do mercado de imediato, realizando um monitoramento diário dos preços de petróleo”.

“Esses valores refletem parte da elevação dos patamares internacionais de preços de petróleo, impactados pela oferta limitada frente a demanda mundial por energia. Mantemos nosso monitoramento contínuo do mercado nesse momento desafiador e de alta volatilidade”, segue a companhia em nota.

Governo ainda não bateu martelo sobre subsídio para conter gasolina

Apesar de as discussões sobre a concessão de um subsídio temporário para tentar conter a alta dos combustíveis ter aumentado, a reunião realizada na quarta (9) no Palácio do Planalto com ministros e o Presidente da Petrobras terminou sem um martelo batido.

Esse subsídio, que afetaria diretamente as margens da Petrobras, teria duração de três a seis meses, segundo as últimas declarações. Segundo fontes do governo, serão necessários mais cálculos para a definição de como esse subsídio será concedido.

A reunião ocorreu sob o impacto de alertas que chegaram ao Planalto dando conta de uma insegurança generalizada de investidores em relação à outra proposta na mesa, a de um congelamento de preços praticados pela Petrobras.

Por isso, a proposta de adoção de um subsídio direto acabou sendo considerada mais “palatável”. Mesmo assim, fontes palacianas, que participaram da reunião, apontaram que as duas alternativas para os combustíveis são ruins. De um lado o congelamento tira a credibilidade da Petrobras e geraria prejuízo, e os administradores da empresa poderiam ser penalizados criminalmente.

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Eduardo Vargas

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