João Canhada

Praga romana de quase 2 mil anos volta ao mundo moderno

A inflação e os ciclos de decisões erradas na economia perduraram por quase 2 séculos. A praga inflacionária levou a aumento de impostos, inabilidade do governo de pagar pelo seu exército, falta de bens e foi uma das muitas causas para a queda do Império Romano do Ocidente

No auge de Roma, perto do ano 200 DC, uma praga destruiu a saúde e enfraqueceu as fundações do maior império da história antiga, levando-o ao seu fim. Essa praga voltou e está destruindo o maior império da História.

Erupções na pele, febre e inflamação da garganta eram alguns dos sintomas de alguns dos soldados romanos apresentavam ao voltarem de campanhas do leste europeu. A doença mortal apelidada de Praga Antonina se espalhou por todas as partes do Império, ceifando a vida 10% da população do Império Romano entre 165 à 180 DC.

A quantidade de mortes causou falta de trabalhadores, levando ao aumento de salários generalizados.

Mesmo assim, os gastos governamentais só subiam. Os gastos militares explodiam conforme Roma expandia. Além disso, a população recebia pão e circo de graça, precisava de aquedutos e outras obras públicas.

Como a taxação era extremamente baixa, cerca de 1% para províncias e um imposto único para todos os adultos e os imperadores não queriam causar problemas aumentando os impostos, a saída vista foi desvalorizar a moeda.

O denário, moeda de prata cunhada pelo próprio governo e muito usada pelos cidadãos de Roma teve parte da sua prata paulatinamente retirada sendo adicionadas impurezas na moeda. A ideia era usar parte dessa prata para gerar novas moedas e assim pagar as dívidas governamentais.

A praga que colocou o Império Romano de joelhos

Esse era o começo de uma praga mais duradoura que a Praga Antonina, a doença da Inflação.

Entre 200 e 300 DC a inflação estimada foi de 15.000%. Então o Imperador Diocleciano decidiu resolver a situação inflacionária e criou o Edict on Maximum Prices em 301 DC, no qual eram estabelecidos controles de preços.

Resultado? Boa parte da população teve que procurar comida ilegalmente, faltavam alimentos e outros bens.

A inflação e os ciclos de decisões erradas na economia perduraram por quase 2 séculos. A praga inflacionária levou a aumento de impostos, inabilidade do governo de pagar pelo seu exército, falta de bens e foi uma das muitas causas para a queda do Império Romano do Ocidente.

Coincidência ou a história está se repetindo?

O leitor mais atento deve ter notado que muitos dos pontos acima estão coincidentemente se repetindo na história moderna. Não acredita? Vamos lá.

Pandemia com alto número de mortes? Check.

Governos imprimindo dinheiro sem parar? Check.

Falta de trabalhadores nas economias desenvolvidas? Check.

 

Intenção de criar controle de preços? Check.

Gastos militares decolando? Check.

É o fim da ordem das coisas como conhecemos?

Apesar do ser humano não ter mudado biologicamente entre a fundação de Roma e Nova York, as nossas tecnologias estão cada vez mais entrando em ramos antes monopolizados por Estados ou grandes instituições.

Se no Império Romano o Imperador poderia mudar a prata de todas as moedas do Império e emitir mais moedas com quantidade menores do metal precioso e você não podia fazer nada, hoje você pode escolher se terá seu dinheiro diluído por políticos ou se prefere usar um dinheiro descentralizado, com limite de emissão e segurança criptográfica sem comparação como é o caso do Bitcoin.

A praga romana da inflação está de volta e todos estamos sentindo, felizmente já temos o remédio e o caminho da cura.

Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

João Canhada
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