Andressa Siqueira

O canto das criptos aos tubarões e sardinhas

Fica fácil entender o porquê de o Bitcoin ter sido tão hostilizado, ao saber que ele foi criado para descentralizar as relações financeiras

Investimento incompreendido. Tubarões e sardinhas ralharam com os criptoativos de diversas formas, mas isso foi antes de caírem em seu encanto.

Afinal, não há propaganda melhor que a proibição.

O que aconteceu com cripto foi similar ao ocorrido em Harry Potter e a Ordem da Fênix, em que Dolores Umbridge proíbe a circulação do jornal O Pasquim, e no final do dia todos os alunos de Hogwarts já tinham lido o conteúdo do tabloide.

Fica fácil entender o porquê de o Bitcoin ter sido tão hostilizado, ao saber que ele foi criado para descentralizar as relações financeiras, removendo a intermediação de instituições tradicionais das operações. De repente, os bancos se viram fora da área de pesca.

Apesar disso, anos atrás não parecia muito tangível que um prêmio de consolação em torno de 3 dólares poderia se valorizar tanto.

ilustração coluna Andressa Siqueira
Fonte: Team Liquid/Twitter.
Fonte: Google Finance.
Fonte: Google Finance.

Nesta altura, pode ser que você já tenha se perguntado: cripto é tudo igual?

A resposta é: não. O Bitcoin, tem como principal proposta ser um meio de troca, substituindo as moedas fiduciárias – aquelas que só possuem valor porque um governo, uma economia e pessoas em geral atribuem um valor a ela, caso do nosso dinheiro atual.

Mas não é só isso, existem outros segmentos: os NFTs e DeFi, que servem como certificados de autenticidade digital negociáveis; e alternativas para a execução de serviços financeiros, respectivamente.

Fato é que, hoje, assim como no passado, ainda não é possível prever exatamente o potencial dos criptoativos. No entanto, já é possível visualizar um cenário um pouco mais claro para esse tipo de investimento, principalmente após o lançamento de diversos ETFs focados em cripto, e do surgimento de fundos. Não há mais como ignorar sua relevância. Desse modo, até bancos conhecidos (Goldman Sachs, JP Morgan) passaram a apostar na oferta de cripto e em seu potencial de crescimento. O que nos leva a uma outra pergunta…

Quais as vantagens das criptos em relação aos investimentos tradicionais?

No passado, a última vez em que houve tanta preocupação com a alta da inflação que pairava sobre a economia, ou melhor, as economias, eu ainda nem era nascida.

Então, contarei algo que vivi apenas pela leitura de grandes nomes. Claro, correndo o risco de imperfeições, como preço pela contextualização. Dizem que a mensagem era clara: troque seu dinheiro, e outros “papéis” por imóveis, invista em moedas fortes e não confie em instituições financeiras.

O cenário hoje é outro e as recomendações também (que bom!). As vantagens das criptomoedas sobre as finanças tradicionais crescem na hipótese de conflitos e instabilidade financeira nos países, porque ativos financeiros como ações, títulos e outros ficam mais vulneráveis e suscetíveis à quedas a depender das condições que o mercado financeiro enfrenta.

Esse trecho pode apresentar um pouco mais de “tecniquês” mas vale a pena saber. Existe uma modalidade de investimento em cripto que possibilita ao investidor receber uma renda adicional. Tal possibilidade reside no fato de que muitas plataformas de DeFi disponibilizam “farms” nas quais o investidor pode alocar seus tokens e receber rendimentos sem precisar minerar ou fazer trades.

Assim, os yield farming seguem a mesma lógica que os investimentos que rendem juros, e por isso são capazes de gerar renda passiva para os proprietários dos tokens. Alguns têm rendimentos na casa dos dois dígitos ao ano. Imagine que esse rendimento é independente do nível da Selic, e não precisa, necessariamente, ter exposição à volatilidade inerente à classe de criptoativos.

Outro ponto é a assimetria de payoff, o tesouro que muitos investidores desconhecem pelo nome, mas conhecem pelo que desejam: investir pouco e ganhar muito, ou ganhar sem limites com a possibilidade de perdas limitadas ao montante investido.

Isso é possível com os criptos, mas, claro, não com todas, e não de forma indisciplinada.

O Brasil hoje é o quinto país no mundo com mais crypto owners, o que corresponde a quase 5% da população investindo em criptoativos. Volume bem maior que o número de investidores na B3, que fica próximo a 2% da população brasileira.

Estima-se que o números de pessoas que utilizam cripto no mundo já tenha superado a marca de 300 milhões e mais de 18 mil empresas já aceitam pagamentos por criptomoedas. Assim, com tubarões e sardinhas nadando nas mesmas águas, você não pode dispensar uma boa dose de estratégia ao apostar nesse mercado.

É necessário conhecimento avançado para serem executadas estratégias vencedoras e destaco que: a renda fixa não é só para conservadores, ações não são só para arrojados e criptos não são só para agressivos. Busque investir de acordo com os seus objetivos financeiros acompanhado por profissionais que te apoie na sua jornada (e ainda que você seja sardinha) estará um passo à frente.

Este artigo tem o intuito de informar. Não é uma recomendação de compra. Recomendo fortemente que todo investimento que você tenha seja adequado aos seus objetivos e sua capacidade financeira.

Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

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