Boletim Focus prevê IPCA de 3,54% em 2020; 16ª semana consecutiva de alta

Boletim Focus prevê IPCA de 3,54% em 2020; 16ª semana consecutiva de alta
A Agenda do Dia desta terça destaca a divulgação da primeira prévia de janeiro da inflação do aluguel, o IGP-M, além do IPCA.

O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (30), voltou a elevar a expectativa pela inflação de 2020, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De acordo com a publicação do Banco Central (BC), os especialistas do mercado esperam que a inflação deste ano seja de 3,54%. Essa é a 16ª semana consecutiva de aumento nas expectativas.

Quatro semanas atrás, a projeção dos analistas ouvidos pelo Banco Central era de um aumento nos preços na ordem de 3,02%, enquanto na semana passada, a estimativa estava em 3,45%. O Boletim Focus desta segunda-feira também marca a 20ª semana consecutiva de aumento na projeção para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), para 23,60%.

Na hipótese de que as estimativas se confirmem, a inflação deste ano ficará levemente abaixo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O alvo definido pela autoridade monetária é de uma inflação de 4%, com 1,5 ponto percentual de tolerância, ficando entre 2,5% e 5,5%. Essa meta, no entanto, já esteve mais distante ao longo do ano.

De acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação deste ano no cenário híbrido está em 2,1%. Para 2021, o órgão normativo monetário do País estipulou a meta de 3,75%, com variação entre 5,25% e 2,25%. O BC estima um aumento dos preços na ordem de 3,47% em 2021.

Boletim Focus corta estimativa de retração da economia

O Boletim Focus, no relatório divulgado nesta segunda-fera, também voltou a diminuir a expectativa pela queda do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, para -4,50%. Na última semana, os especialistas do mercado esperavam uma queda de 4,55%.

Vale lembrar que, em função dos impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), em junho, os especialistas esperavam por uma contração de 6,28% na economia brasileira, algo sem precedentes na história.

No segundo trimestre deste ano, a economia foi contraída 9,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A divulgação do resultado auferido entre julho e setembro ocorrerá na próxima quinta-feira (3). Para o ano que vem, a previsão do BC é de um crescimento de 3,45%. Por mais de cinco meses consecutivos, essa estimativa foi de um avanço de 3,50%.

No que se refere à taxa básica de juros da economia (Selic), os especialistas do mercado esperam a permanência de 2% até o fim deste ano, patamar mais baixo da série histórica. Para o ano que vem, no entanto, a Selic deve subir para 3%, segundo os especialistas.

Confira, em detalhes, as projeções mais importantes para 2020 e 2021:

2020

  • PIB: a projeção é de uma retração da economia em 4,50%;
  • IPCA: a projeção subiu para 3,54%, com uma meta central de 4%;
  • Taxa Selic: a previsão fica em 2%;
  • Dólar: a previsão subiu para R$ 5,36;
  • Balança Comercial: a expectativa para o superávit passou de US$ 57,33 bilhões para US$ 57,90 bilhões;
  • Investimento Estrangeiro Direto: os economistas indicaram que será de US$ 45 bilhões;
  • Déficit Primário: a previsão ficou em -11,50%;
  • Resultado Nominal: a expectativa do déficit ficou em -15,31%.

2021

  • PIB: a projeção do crescimento da economia passou de 3,40% para 3,45%;
  • IPCA: a projeção subiu para 3,47%;
  • Taxa Selic: a estimativa foi para 3%;
  • Dólar: os especialistas mantiveram a projeção em R$ 5,20;
  • Balança Comercial: a expectativa subiu para US$ 56,50 bilhões;
  • Investimento Estrangeiro Direto: a previsão ficou em R$ 60 bilhões;
  • Déficit Primário: a previsão ficou em -2,90%;
  • Resultado Nominal: a expectativa do déficit caiu para -6,60%.

O Boletim Focus é elaborado semanalmente pelo Banco Central. São utilizadas as projeções dos especialistas das 100 principais instituições ligadas ao mercado financeiro do Brasil.

Jader Lazarini

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