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    Inflação acumulada: saiba tudo sobre esse importante conceito

    Inflação acumulada: saiba tudo sobre esse importante conceito

    A inflação é um dos mais importantes conceitos da economia. Nesse sentido, saber qual a inflação acumulada ao longo do tempo é essencial para qualquer investidor, até mesmo para compará-la à rentabilidade de seus investimentos.

    É através da inflação acumulada que o Banco Central analisa e define a sua política monetária. Esta, por sua vez, impacta diretamente no retorno dos investimentos, seja na renda fixa ou na renda variável.

    O que é a inflação acumulada?

    A inflação acumulada é a soma das taxas de inflação ao longo de um período. O índice de inflação do Brasil mais usado é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Assim, quando se fala em inflação acumulada, se refere à variação do IPCA em um determinado período.

    Em outras palavras, a inflação acumulada representa o declínio do poder de compra do consumidor. Assim, também se refere à corrosão da rentabilidade dos investimentos, durante um período mais longo do que a inflação anual. Para compreender melhor esse conceito é preciso entender o que é o IPCA.

    Como calcular a inflação acumulada?

    A inflação acumulada representa  a taxa em que os preços dos bens e serviços aumentam ao longo do tempo, o que poderia efetivamente então reduzir o valor futuro de seus investimentos. Do mesmo modo, para ver como seus resultados financeiros podem ser afetados, é importante realizar o cálculo da inflação acumulada.

    Na plataforma desenvolvida pelo Banco Central, chamada de a Calculadora do Cidadão, é possível calcular inflação acumulada de determinado período.

    O cálculo é realizado multiplicando-se o valor a ser corrigido pelo fator acumulado do índice de referência, sendo utilizados no cálculo os índices da data inicial e da data final. Desse modo, caso o usuário deseje realizar a correção de apenas um mês, deverá informar a data inicial igual à data final. Veja o exemplo: 

    Correção, pelo IPCA, do valor de R$ 1.000 entre setembro de 2012 e março de 2020.

    • Mês inicial: 09/2012;
    • Mês final: 03/2020;
    • Valor na data inicial: R$ 1.000,00;
    • Índice IPCA de março de 2020: 5.348,49;
    • índice IPCA de agosto de 2012: 3.512,04;
    • Fator de correção: 5.348,49 / 3.512,04 = 1,5229;
    • Valor corrigido: 1.000 x 1,5229 = R$ 1.522,90.

    Como funciona o IPCA?

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo tem como objetivo medir a inflação acumulada de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo referente ao consumo das famílias. As categorias que fazem parte da metodologia são:

    • Alimentação e bebidas;
    • Habitação;
    • Artigos de residência;
    • Vestuário;
    • Transportes;
    • Saúde e cuidados pessoais;
    • Despesas pessoais;
    • Educação.

    O IBGE coleta todo mês, dados da variação de preços dessas categorias na economia, no intuito de calcular o IPCA do mês. O índice, por sua vez, representa a variação de preços nesse mês, ou seja, a inflação mensal.

    Dessa forma, todos os meses o IBGE calcula o IPCA, a fim de diagnosticar se os preços de cada categoria aumentaram ou diminuíram de um mês para o outro. Sendo assim, ao longo dos meses, essa variação de preços é somada, resultando assim na inflação acumulada.

    Digamos, por exemplo, que o quilo de arroz seja de R$ 5,00 em janeiro. No entanto, em fevereiro, o quilo passou para R$ 5,25. Como resultado, houve um aumento de 5% no preço.

    Em junho, o quilo do arroz passou a custar R$ 5,50, representando um aumento de cerca de 5% em relação ao preço de fevereiro e de 10% referente ao mês de janeiro. Em dezembro, o preço do quilo foi para R$ 6,00, uma alta de 9% em relação a julho, mas representando uma alta de 20% em relação a janeiro.

    Logo a inflação semestral do quilo de arroz, de janeiro a junho, foi de 10%. E a inflação anual foi de 20%. Sendo assim, juntamente com a inflação do mês, o IBGE calcula a inflação acumulada ao longo dos meses. Principalmente a inflação acumulada do ano e dos últimos 12 meses.

    A inflação acumulada: IPCA acumulado

    Vejamos um exemplo da divulgação do IPCA de setembro de 2020. A tabela abaixo mostra a variação de preços de agosto e setembro, assim como a variação do ano e o acumulado em 12 meses.

    PERÍODOTAXA
    Setembro de 20200,64%
    Agosto de 20200,24%
    Setembro 2019-0,04%
    Acumulado no ano    1,34%
    Acumulado nos 12 meses    3,14%

    A informação do IPCA mensal nos ajuda a ver se a inflação está subindo ou caindo. Mas na verdade o que importa é qual foi a inflação do ano. Ou seja, qual foi o IPCA acumulado de janeiro a dezembro de um ano.

    As metas de inflação do Banco Central, por exemplo, projetam a inflação acumulada do ano de 2022 para 3,50% e em 2023 a meta é de 3,25%. O que raramente aconteceu na história brasileira, mesmo depois do Plano Real.

    Em suma, se o IPCA acumulado ficar acima da meta, o Banco Central aperta a política monetária, aumentando as taxas de juros, deixando os empréstimos mais caros, reduzindo o consumo e diminuindo a inflação acumulada.

    Do contrário, se o IPCA acumulado ficar abaixo da meta, o Banco Central reduz as taxas de juros e barateia o empréstimo, aumentando o consumo e a inflação, assim como agregar outras ferramentas de política expansionista.

    Qual é o histórico de inflação acumulada?

    Veja o histórico da inflação no Brasil, acumulada desde o plano Real:

    ANOINFLAÇÃO ACUMULADAANOINFLAÇÃO ACUMULADA
    199522,41%20085,90%
    19969,56%20094,31%
    19975,22%20105,91%
    19981,65%20116,50%
    19998,94%20125,84%
    20005,97%20135,91%
    20017,67%20146,41%
    200212,53%201510,67%
    20039,30%20166,29%
    20047,60%20172,95%
    20055,69%20183,75%
    20063,14%20194,31%
    20074,46%20204,52%

    Desse modo, o histórico da inflação no Brasil é importante por mostrar o quanto o dinheiro desvaloriza a cada ano, mas também porque o índice de inflação no Brasil leva o Banco Central a aumentar ou baixar juros de acordo com a sua meta de inflação.

    Qual a importância de entender como funciona a inflação acumulada?

    ​​Entender o valor do dinheiro no tempo é importante para qualquer investidor. Como resultado, se pode compreender o preço de compra de um bem ou serviço anos atrás, com o mesmo valor de compra de hoje.

    Em outras palavras, significa entender como o índice de inflação no Brasil atua no preço de um bem, serviço e nos investimentos ao longo do tempo. Desse modo, o investidor conseguirá entender sobre os seus impactos em múltiplos cenários.

    Em suma, entender sobre a inflação acumulada é fundamental para enxergar o horizonte de qualquer investimento, seja ela de renda fixa ou variável. Por meio de um comparativo sobre o tempo do investimento, taxa de retorno e a expectativa de inflação, é possível então realizar uma análise visual da probabilidade para atingir os objetivos financeiros.

    Como a inflação afeta os investidores?

    A maioria das pessoas acredita que a inflação afeta apenas o preço dos produtos, diminuindo ou aumentando o poder de compra dos consumidores. No entanto, a inflação acumulada afeta todas as áreas da economia, incluindo o retorno sobre os investimentos.

    Desse modo, a questão central sobre os efeitos da inflação nos investimentos, deve ser respondida em dois contextos distintos, um na renda fixa e outro na renda variável.

    Renda fixa 

    No geral, os investidores que realizam investimentos na renda fixa, como títulos do tesouro e CDBs, buscam um fluxo de renda estável, através do pagamento periódico de juros. No entanto, na grande maioria dos títulos de renda fixa, a taxa de juros permanece a mesma até o vencimento.

    Como resultado, uma vez que haja um aumento da inflação acumulada, o poder de compra dos pagamentos de juros diminui. Ou seja, os preços dos títulos tendem a cair quando a inflação está aumentando.

    Em outras palavras, o aumento da inflação corrói o poder de compra futura de um título, reduzindo o valor presente do fluxo de caixa fixo. Além disso, a aceleração da inflação é ainda mais prejudicial para os títulos de longo prazo, dado o impacto cumulativo do menor poder de compra para os fluxos de caixa recebidos em um futuro distante.

    Renda variável

    Em teoria, as receitas e ganhos de uma empresa devem aumentar em um ritmo semelhante ao da inflação. Isso acontece tendo em vista que o preço do estoque sobe paralelamente ao preço dos bens de consumo e de produção.

    No entanto, uma inflação acumulada mais alta é geralmente vista como um fator negativo para as ações porque aumenta os custos de empréstimos, aumenta os custos de insumos (materiais, mão de obra) e reduz o padrão de vida dos consumidores.

    Foi possível entender a importância da inflação acumulada? Deixe suas dúvidas nos comentários abaixo.

    Tiago Reis
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    14 comentários

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    • ANDRE KELLNER 1 de julho de 2019

      Porque não constam os índices dos anos de 2002 e 2003 ?

      Responder
    • Jane Menezes. 17 de outubro de 2019

      Um seguro feito em 1997 e em 2009. eu recebo o mesmo valor da apólice feita 12anos ela não tem reajuste?? Nossa moeda mudou tanto que fico dúvidas me pagaram o valor da apólice de 1997

      Responder
    • rubens gomes vieira 10 de janeiro de 2020

      Não entendo como a inflação cai se os preços não caem, quando muito ficam estacionados. No caso dos remédios, tomo um remédio controlado já faz dez anos, nunca vi o preço baixar, mas sob todo mês. Pode me explicar, eu só queria entender?

      Responder
      • Suno Research 10 de janeiro de 2020

        A inflação é a taxa de aumento dos preços, se os preços permanecerem completamente estagnados, a inflação é 0.
        Se os preços caírem temos um evento chamado deflação.

        Responder
    • claudionor de campos 17 de março de 2020

      A medição da inflação faz sentido, e deve ser aceita. Acontece que sempre haverá divergência de interêsses; se por um lado uma parte recebe, outra tem de pagar. O preço é significantemente alto para quem paga, mas insignificante para quem recebe.com

      Responder
    • Daniel 21 de maio de 2020

      A inflação é um fenômeno natural da economia com registros históricos desde o império romano. Deve-se ao fato do aumento natural da população e consequentemente do aumento do consumo ( aumento da demanda de bens e serviços), aliado a isso temos a evolução tecnológica gerando novos bens de consumo e consequentemente novo aumento de demanda alimentando o fenômeno inflacionário. Deve ser controlada, atualmente os Bancos Centrais fazem isso controlando a taxa básica de juros e a emissão de moeda. Mantida baixa permite melhores condições ao empreendedorismo (industrias, comércio e serviços) e desconcentração de renda. Em tempos de inflação alta favorece-se a aplicação de recursos nos bancos, estoques de mercadorias e aumenta-se a concentração de renda entre menos pessoas.

      “Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros.” (Mt 25-27).

      Nessa passagem, parábola dos talentos, o profeta hebreu indica que se você não tem coragem ou condições de empreender deve ao menos guardar algum dinheiro no banco (reservas) para seu crescimento econômico e também para as necessidades ao longo da vida.

      Responder
    • Edvaldo 8 de outubro de 2020

      E os bancos com seus juros obscenos lucrando cada vez mais no nosso país.” Tá de bom tamanho nem rasa nem funda é a parte que te cabe neste latifúndio.”

      Responder
    • Carlos Alberto Cotta 26 de outubro de 2020

      Tenho a tabela da inflação acumulada ano a ano. Como calcular a inflação acumulada nos últimos 10 anos?
      Carlos Cotta

      Responder
      • Suno Research 27 de outubro de 2020

        Olá, Carlos Alberto! Tudo bem?
        A melhor ferramenta para fazer tais cálculos é a Calculadora do Cidadão, disponibilizada pelo Banco Central.
        Atenciosamente, Equipe Suno.

        Responder
    • Marco Antonio 27 de dezembro de 2020

      Então eu poderia dizer que a soma de todas essas taxas (154,64%) é o quanto a moeda real se desvalorizou até 2019?

      Responder
      • Suno Research 6 de janeiro de 2021

        Olá, Marco Antonio! Tudo bem?
        Na verdade, não. Isso porque algum ativo, moeda, ação só pode desvalorizar até 100%. Lembre-se que a desvalorização cambial também tem efeito. Quando se medem os efeitos da desvalorização da moeda numa economia, é preciso considerar a taxa de câmbio real, e não somente a nominal.
        Atenciosamente, Equipe Suno.

        Responder
    • FRANCISCo Marques da Silva 28 de maio de 2021

      Eu quero ver o total da infração Acumulada

      Responder
    • Horlando J F Pacheco 30 de agosto de 2021

      Muito valioso o conteudo da publicação, porém, seria um complemento como instrumento de avaliação, caso fosse informado a inflação acumulada paulatinamente se somasse a inflação acumulada entre ano a ano, exemplo: 1995 a 1997 para 24 meses ou 1995 a 2020/2021 e assim sucessivamente?

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    • […] do IRPF não é atualizada desde 2015. Com isso, a defasagem já alcança 113,09%, considerando a inflação acumulada de 1996 a 2019 e as atualizações feitas no mesmo […]

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