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    ESG: conheça essa sigla que está mudando o mundo dos investimentos

    ESG: conheça essa sigla que está mudando o mundo dos investimentos

    Cada vez mais preocupações com o ambiente, com responsabilidade social e com governança têm aumentado ao redor do mundo. E no mercado de capitais não é diferente, o que é evidentemente demonstrado pela ascensão das práticas de ESG.

    Nesse sentido, destaca-se que o ESG foi desenvolvido justamente para selecionar, acompanhar e valorizar as organizações que reconhecem e que adotam essas práticas. Por isso, é fundamental que todo investidor conheça bem essa sigla e quais os seus impactos sobre o universo dos investimentos.

    O que é ESG?

    O ESG, a sigla em inglês para Environmental, Social and Corporate Governance, (ambiente, social e governança corporativa), é um conjunto de políticas utilizados para orientar empresas, investimentos e escolhas de consumo focadas em sustentabilidade.

    Como o próprio nome diz, a agenda ESG procura selecionar agentes do mercado que:

    • Buscam o desenvolvimento sustentável, em harmonia com o meio ambiente;
    • Desenvolvem a relação com o meio social, junto de colaboradores e consumidores;
    • Garantem os direitos dos acionistas, com regras de compliance e de governança.

    Os três pilares do ESG possuem uma extrema importância no mercado financeiro e prometem ganhar ainda mais espaço no mundo corporativo futuro. Isso porque o termo foi criado no mercado financeiro para representar uma série de padrões que, se adotados corretamente, podem alavancar a atração de investidores e, consequentemente, de capital. 

    Afinal, cada dia mais as atitudes voltadas para o âmbito social e ambiental têm sido valorizadas. Portanto, a bolsa de valores, além de ser um espaço onde o capital é investido com maior rentabilidade, pode ser também um mecanismo de investimento em empresas que, além de lucrativas, também contribuem com um desenvolvimento social e, consequentemente, com o aumento do bem-estar social.

    Obviamente, isso é ainda mais relevante quando observado da ótica de agentes do mercado mais atentos e alinhados com pautas sociais e ambientais. No entanto, é preciso reconhecer que frequentemente o ESG também tem sido utilizado por critério de seleção para aqueles que se preocupam exclusivamente com o resultado das empresas.

    Isso porque, apesar da adoção dessas práticas ser capaz de acarretar uma redução de receitas e um aumento de custos e despesas; de outro lado, elas também podem contribuir com a redução de multas ambientais, do custo de capital próprio e de terceiros, de intervenções regulatórias, além de outras despesas.

    Quando surgiu o ESG?

    Com o aumento da relevância e da popularidade da sigla para Environmental, Social and Corporate Governance, muitos investidores têm se perguntado quando surgiu o ESG. Afinal de contas, há pouco tempo atrás esse termo sequer era propagado no mercado.

    Apesar de ser mais disseminado no final da última década, o ESG surgiu em 2005, sendo citado, naquele ano, em um artigo em inglês chamado “Who Cares Wins”, do autor Ivo Knoepfel. Sendo que a tradução seria algo como “Ganha quem cuida” ou “Ganha quem se importa”.

    O relatório produzido pelo autor foi resultado de uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) de integrar grandes corporações no Pacto Global da organização, amparado em pilares ambientais, sociais e de governança. 

    A linha argumentativa do material produzido mostrava que as empresas que se preocupavam com a conservação do meio ambiente, que se envolviam em causas sociais e que garantiam boas práticas de governança tinham melhores resultados. Em outras palavras, como o próprio nome do artigo diz, ganha quem se importa com essas práticas.

    Quais são as principais características do ESG?

    ESG

    Depois de entender como surgiu, o próximo passo é, talvez, o mais importante ao estudar mais sobre o ESG. Afinal de contas, não há como falar sobre ele sem conhecer quais são as principais características do ESG.

    O critério ESG é focado em três grandes pilares, representados por cada letra da sigla:

    • Ambiente (Enviromental);
    • Social (Social);
    • Governança corporativa (Governance).

    Alinhado a eles, é possível verificar se determinada empresa é, além de financeiramente saudável e lucrativa, socialmente e ambientalmente consciente.

    Assim, caso uma companhia seja bem avaliada nos 3 critérios, pode-se dizer que ela é aprovada no critério ESG e representa uma maior segurança para a sociedade e para o capital de seus investidores. Por isso, é interessante conhecer bem cada um dos pilares do ESG, os quais serão descritos a seguir.

    Critério ambiental do ESG

    O critério ambiental do ESG, da letra E, é o primeiro a ser tratado.Como o próprio nome diz, ele avalia a performance da empresa como responsável pelo meio ambiente e pela garantia da sustentabilidade nas suas operações. Portanto, a sustentabilidade ESG é aquela que qualifica o uso e a relação das companhias com recursos naturais.

    Entre os aspectos observados neste critério está, por exemplo, o posicionamento da organização em relação à geração de resíduos sólidos em suas operações. E mais do que isto, atentando também à reciclagem desses materiais.

    Além disso, há também a preocupação com a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Neste aspecto, a atenção estaria para o impacto da atividade da companhia na mudança climática (aquecimento global).

    Critério social do ESG

    O segundo critério, da letra S, é o critério social do ESG. Basicamente, o critério social do ESG analisa como a organização gerencia e promove o seu relacionamento com alguns dos stakeholders. Entre eles, colaboradores, fornecedores, clientes e toda a comunidade em que opera.

    Na relação com os colaboradores, por exemplo, avalia-se o posicionamento da companhia em garantir a segurança no trabalho, os treinamentos e diversidade nos diferentes níveis hierárquicos. Já com os consumidores, a atenção fica na responsabilidade com o oferecimento de produtos adequados, que não representam riscos.

    Por fim, na relação com a comunidade, valoriza-se no critério social do ESG a prática de ações que visam promover as comunidades que envolvem a atividade da empresa. Por exemplo, a realização de eventos beneficentes e a doação para grupos desamparados.

    Critério de governança do ESG

    Por fim, descrito pela letra G, está o critério de governança do ESG. Basicamente, como o próprio nome diz, ele avalia como a empresa está posicionada em relação à adoção de boas práticas de governança corporativa.

    Em outras palavras, esse pilar da agenda observa se a empresa respeita os códigos de ética e de conduta e se garante a equidade, a prestação de contas e a transparência, sobretudo com seus investidores minoritários. Isto é, todos aqueles princípios idealizados no segmento de listagem brasileiro do Novo Mercado.

    Apesar desse segmento não ser internacional, ele possui a exigência de diversas práticas de boa governança que são incluídas e que representam bem o ESG, como:

    Por que as empresas estão adotando o ESG?

    ESG

    Conhecendo os seus critérios, muitos investidores podem acreditar que a pauta ESG não é positiva ou atrativa para as organizações, sobretudo para aquelas que possuem ações negociadas em bolsa. 

    No entanto, verifica-se que isso é justamente o contrário. Ou seja, as companhias de capital aberto são aquelas que mais estão se preocupando com a adoção dessa agenda. Abaixo, um pouco do por que as empresas estão adotando o ESG:

    1. Atrair investimentos

    A atração de investimentos é um dos pontos que mais tem influenciado as empresas a adotar o ESG. Isso porque, devido aos seus pontos positivos, investidores têm preferido alocar capital em organizações que já internalizaram essa agenda ambiental, social e de governança.

    2. Reduzir riscos

    A redução de riscos e, consequentemente, do custo de capital, é outro motivo das empresas estarem buscando cada vez mais o alinhamento com as práticas ESG. Sendo que isto é derivado do fato dessa agenda reduzir o risco legal e regulatório, por exemplo de receber sanções estatais e multas ambientais.

    Além disso, os critérios ESG também fazem com que os colaboradores das companhias sejam mais valorizados e, por consequência, tenham uma melhor relação com a companhia. Por isso, há como esperar também uma redução marginal de risco de processos trabalhistas.

    Por fim, há ainda a questão da governança apurada nas organizações alinhadas com essa agenda. Assim, por causa dos mecanismos de auditoria externa e interna e de compliance, também é possível esperar uma redução de desvios de capital, de suborno e de corrupção dentro dessas companhias.

    3. Aumentar a rentabilidade

    Por fim, outro motivo pelo qual as empresas estão adotando o ESG é a busca pelo aumento da rentabilidade de seus negócios. Isso porque, como essa agenda demanda um maior controle financeiro, há como esperar uma maior performance pela companhia neste âmbito.

    Não é à toa que foi possível observar nos últimos anos um maior desempenho da bolsa das companhias que adotam as práticas ESG. Sendo que isso corrobora com o fato de que essas empresas estão melhor posicionadas para atingir rentabilidades maiores.

    Quais as vantagens e desvantagens do ESG?

    ESG

    Depois de compreender suas características e após conhecer alguns dos índices ESG existentes na bolsa, o próximo passo é saber, de fato, quais as vantagens e desvantagens do ESG. Afinal, não há como negar que essa agenda possui tanto pontos positivos quanto negativos.

    Vantagens do ESG

    Por conta do aumento de sua popularidade, seria possível inferir que existem diversas vantagens do ESG. E, realmente, essa agenda ligada ao âmbito ambiental, social e de governança possui diversos pontos positivos.

    Nesse sentido, entre as vantagens do ESG estão:

    • Maior atração de investidores;
    • Competitividade de longo prazo;
    • Menor potencial de risco para o investidor;
    • Potencial incremento do valuation.

    Maior atração de investidores

    Sem dúvida, uma das maiores vantagens do ESG é a maior atração de investimentos. Isso porque, como foi colocado, as pautas sociais e ambientais têm tomado cada vez mais relevância no mercado. Além disso, as pressões regulatórias e fiscais também vêm aumentando muito para empresas que não adotam essas agendas.

    Por isso, investidores atentos a essa mudança ficam, cada dia mais, interessados por companhias alinhadas com as práticas ESG. Com isso, há uma maior demanda por investimento neste tipo de companhia.

    Competitividade de longo prazo

    Outra vantagem de adotar o ESG é o aumento da competitividade de longo prazo das companhias. Isso é explicado pela mudança do comportamento dos consumidores, os quais também estão valorizando mais o consumo de serviços e produtos de empresas que valorizam as práticas de ESG, principalmente aquelas ligadas à preservação do meio ambiente e à garantia de diversidade dos colaboradores.

    Dessa forma, organizações que já possuem uma agenda pautada nessas práticas tendem a garantir uma maior competitividade de longo prazo. Afinal, suas concorrentes podem estar mais atrasadas na adoção e divulgação das ações ESG.

    Menor potencial de risco para o investidor

    A terceira vantagem da adoção da agenda ESG é o oferecimento de menor potencial de risco para o investidor. Isto porque as companhias que estão alinhadas com essas práticas sofrem menos com intervenções estatais e com mudanças legais repentinas. Assim, há uma expectativa de redução, por exemplo, de multas ambientais e trabalhistas.

    Potencial incremento do valuation

    Derivada do último ponto, relativo ao menor potencial de risco para o investidor, está o ponto positivo do ESG de oferecer um potencial incremento do valuation da companhia. Afinal de contas, uma das variáveis da valoração de um ativo é justamente o risco que ele oferece ao investidor.

    Sendo assim, a redução do risco de determinada empresa que adota as práticas ESG tende a gerar um aumento marginal do seu valor de mercado. Sendo que isso representa um ganho financeiro para aqueles investidores que possuem ações da companhia.

    Desvantagens do ESG

    Além das vantagens apresentadas, não há como negar que o ESG possui, sim, alguns pontos negativos. Sendo que é fundamental que os investidores conheçam quais são essas desvantagens ao estudar mais sobre a agenda.

    Abaixo, portanto, duas das principais desvantagens do ESG:

    • Maiores despesas pelas empresas;
    • Menor flexibilidade pelas empresas.

    Maiores despesas pelas empresas

    Uma das desvantagens do ESG são as maiores despesas das empresas, sobretudo das despesas administrativas. Isso porque, para garantir o cumprimento de todos os requisitos da agenda, as companhias precisam investir consideravelmente em novos profissionais, departamentos e tecnologias.

    Neste sentido, é necessário, por exemplo, contratar mais auditores fiscais, criar departamentos de compliance e desenvolver melhores mecanismos de comunicação com investidores, como aplicativos e sites de RI (Relação com Investidores).

    Em alguns casos, em busca do ESG, muitas empresas consideram ainda alterar o segmento de listagem de suas ações, buscando o alinhamento com o Novo Mercado. Quando isto ocorre, o aumento das despesas é ainda maior, pela necessidade de adequação aos requisitos desse segmento da bolsa.

    Menor flexibilidade pelas empresas

    Além do aumento das despesas, não há como deixar de citar a menor flexibilidade pelas empresas como uma desvantagem do ESG. Afinal, como essa agenda do mercado requer maior transparência e processos de governança, a administração de uma organização alinhada com o “Environmental, Social and Governance” fica mais engessada.

    Em outras palavras, há uma menor flexibilidade para tomada de decisão, sobretudo aquelas que devem ser tomadas em cima da hora, sem consulta aos investidores, ou aquelas em que os caminhos são alternativos e sem previsão estatutária.

    Com isso, pode-se dizer que a administração e a tomada de decisão de uma empresa ESG acaba sendo marginalmente afetada de forma negativa. Já que os processos serão mais lentos e, de modo geral, mais inflexíveis e burocráticos.

    Índices ESG

    ESG

    Pelo fato de várias empresas terem adotado e colocado em primeira página as suas práticas ambientais, sociais e de governança, o mercado sentiu a necessidade, com o tempo, de criar os índices ESG. Isto é, referências para filtrar as companhias que, de fato, adotam as melhores práticas dessa corrente.

    Em outras palavras, os índices ESG da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) são criados para conseguir selecionar apenas determinado grupo de companhias que estão verdadeiramente adotando as melhores práticas de sustentabilidade, de posicionamento social e de governança corporativa.

    Com o acesso à composição desses índices, os investidores conseguem encontrar com mais facilidades as empresas ESG, além de poderem também acompanhar a performance das ações desse conjunto de companhias na bolsa de valores, no caso daquelas com capital aberto.

    Além disso, com os índices ESG da bolsa, os investidores conseguem, inclusive, investir em fundos ESG passivos, os ETFs (Exchange Traded Funds) que alocam capital exclusivamente em companhias alinhadas com boas práticas ambientais, sociais e de governança. 

    Abaixo, portanto, os principais índices ESG do mercado:

    Índice S&P/B3 Brasil ESG

    Lançado mais recentemente, em 2020, o Índice S&P/B3 Brasil ESG é o responsável por representar as empresas que fazem parte do S&P Brazil BMI (Broad Market Index). Para fazer parte dele, as empresas podem ser small, mid ou large caps e devem estar elegíveis legalmente para o investimento de estrangeiros.

    Existe a regra, no entanto, de deixar de fora as companhias que não aderiram ao Pacto Global, da ONU (Organização das Nações Unidas) ou aquelas que atuam no setor de armas, carvão e tabaco. Então, depois de fazer este filtro, há o critério de ponderação na carteira teórica do Índice S&P/B3 Brasil ESG.

    Nesse sentido, destaca a existência do seu critério de pontuação ESG da S&PDJI. Este critério avalia as empresas no âmbito de sustentabilidade, de posicionamento social e de governança corporativa. Então, quanto maior a nota recebida, maior a participação no índice, sendo que aquelas com pontuação insuficiente sequer entram na carteira.

    Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)

    Outro índice ESG é o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Como seu próprio nome diz, esse indicador de mercado da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) é responsável por selecionar e acompanhar a performance das companhias de capital aberto na bolsa brasileira com as melhores práticas de sustentabilidade empresarial.

    Sendo criado em 2005 e se posicionando como o quarto índice de sustentabilidade empresarial criado no mercado de capitais mundial, o ISE engloba as ações de empresas que possuem, como a própria B3 afirma, “sustentabilidade corporativa, baseada em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa”.

    Para se enquadrar nesses pilares e para fazer parte do ISE, as empresas devem:

    • Garantir o desenvolvimento sustentável;
    • Ter transparência com seus stakeholders;
    • Adotar a equidade em seus processos;
    • Oferecer um produto com alta qualidade e com origens naturais sustentáveis;
    • Desenvolver práticas empresariais nos âmbito social e ambiental.

    Depois de preencher uma série de formulários e de responder questionários a respeito das três dimensões do ESG, as companhias passam por um processo de avaliação pelo Conselho Deliberativo do ISE. Sendo este o responsável por construir e selecionar as empresas do índice.

    ICO2 (Índice Carbono Eficiente)

    O terceiro índice considerado ESG (Environmental, Social and Corporate Governance) da B3 é o ICO2 (Índice Carbono Eficiente). Criado em 2010, a sua metodologia de seleção leva mais em conta aspectos ligados à sustentabilidade climática, sendo um instrumento de promoção das discussões relacionadas à mudança de clima no país.

    Para que uma empresa se torne elegível no ICO2, ela deve possuir o comprometimento com pelo menos um pilar do ESG. Isto é, o aspecto ambiental. Nesse sentido, deve comprovar o seu comprometimento com a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e com a alternância para o mercado de baixo carbono.

    De acordo com a metodologia desse índice, existem alguns princípios que devem ser seguidos pelas empresas da carteira do ICO2 (Índice Carbono Eficiente), que são: relevância, integralidade, consistência e transparência.

    Após passar pelos critérios de seleção amparados em questões ambientais e de emissão de GEE, as companhias elegíveis passam a fazer parte do ICO2. Assim, também passam a fazer parte da carteira do ETF ECOO11, que é negociado em bolsa e que investe de maneira passiva nos ativos do Índice Carbono Eficiente. 

    Índice de Ações com Governança Corporativa Trade (IGCT)

    Além do índice ESG voltado para o pilar ambiental, existem também aqueles que são direcionados para outros pilares dessa agenda. Entre eles, o Índice de Ações com Governança Corporativa Trade (IGCT), que foi criado para selecionar as companhias que adotam as melhores práticas de governança no mercado.

    Para filtrar essas companhias comprometidas com a transparência, a equidade, a prestação de contas e com o alinhamento de interesses, o Índice de Ações com Governança Corporativa Trade (IGCT) abrange as companhias da B3 listadas no segmento de listagem do Novo Mercado, ou nos Níveis 1 ou 2.

    Dessa forma, o índice cria, pelo menos em sua teoria de concepção, uma carteira teórica de companhias com as melhores práticas de governança. Então, surge a oportunidade de fundos passivos replicarem a carteira, como foi o caso do GOVE11 (IT Now IGCT Fundo de Índice).

    Por que o ESG é tão importante?

    ESG

    Depois de observar como a cultura ESG tem sido abordada no mercado, muitos investidores se questionam por que o ESG é tão importante para a economia e o mundo. Afinal, será que ela realmente é tão fundamental assim nesses dois âmbitos?

    Para entender melhor essa questão, é importante conhecer quais são os impactos de uma agenda pautada no meio ambiente, no social e na governança tanto no espectro da economia quanto do mundo.

    Impacto do ESG no mundo

    O impacto do ESG no mundo, apesar de parecer irrisório, é muito grande. Isso porque, com a valorização das companhias com essas pautas, as empresas que antes não se preocupavam com questões ambientais, sociais e de governança passarão a dar mais importância para essas áreas.

    Assim, espera-se, por exemplo, um maior alinhamento das companhias para a redução dos impactos ambientais de seus produtos. Além disso, também é possível esperar que as empresas deem mais atenção para questões sociais do seu dia a dia, com a maior valorização de seus colaboradores e das sociedades as quais a circundam.

    Obviamente, esses eventos acontecendo isoladamente em cada empresa pode parecer pouco relevante. No entanto, quando analisado em escala, ao redor do globo, podemos perceber melhor o impacto do ESG no mundo.

    Impacto do ESG na economia

    Além do âmbito mundial, o impacto do ESG na economia também não deixa de ser pequeno. E isso não poderia ser diferente, já que a agenda ESG surgiu e é mais comentada no próprio mercado financeiro.

    Essa questão pode ser atribuída ao fato de que organizações que adotam essa agenda tendem a ser mais valorizadas entre os investidores. Já que, conforme foi colocado, o ESG tende a reduzir os riscos e alinhar os interesses entre administradores de empresas, investidores minoritários e majoritários.

    Dessa forma, o impacto do ESG na economia poderá ser observado de vários lados. Por exemplo, na valorização dos ativos, no aumento da liquidez no mercado e até na redução de crises financeiras causadas por indícios de fraudes e corrupção, como a crise de 2008 (crise do subprime).

    Impacto do ESG nos investimentos

    Por fim, grande parte dos investidores se questiona qual o impacto do ESG nos investimentos. Neste sentido, já é possível, depois de conhecer mais sobre essa agenda em alta no mercado, inferir quais seriam alguns dos seus impactos para os investidores, como:

    • Potencial valorização das ações de empresas;
    • Redução dos riscos de investir nessas companhias;
    • Aumento da transparência nas relações entre os stakeholders;
    • Maior competitividade de longo prazo;
    • Maior valorização da marca.

    Como investir em ESG?

    Por fim, depois de conhecer os impactos nos investimentos, os quais podem ser considerados muito mais positivos do que negativos, chega-se à seguinte questão: mas como investir em ESG?

    Neste ponto, verifica-se duas principais formas: investir em ETFs de ESG ou então comprar ações de empresas que valorizam e que passaram a incorporar a agenda. Abaixo, um pouco mais sobre essas duas formas de investimento em ESG.

    Investir em ETFs de ESG

    Investir em ETFs de ESG é a primeira, e também mais fácil, maneira de se expor a companhias que adotam essas práticas. A facilidade vem do fato de que o investidor de um Exchange Traded Fund compra uma cota do fundo e passa a estar diversificado em dezenas de empresas com o mesmo critério.

    No caso, ao adquirir a cota de um ETF de ESG, como do ESGB11 (BTG Pactual ESG FI S&P/B3 Brazil ESG) o investidor está, em outras palavras, expondo seu capital a uma série de organizações que já são consideradas praticantes da agenda. Assim, não há necessidade de analisar e procurar quais são as companhias que adotam o ESG.

    Investir em empresas ESG

    Por fim, outros investidores, ao invés de alocar recursos em fundos passivos ETFs, preferem investir em empresas ESG diretamente. Isto é, selecionando quais são as companhias que adotam essas práticas e, dentre estas, as melhores oportunidades para investimento.

    Neste caso, o investidor deve se atentar a escolher quais são, de fato, as ações de empresas ESG do mercado, sendo que uma alternativa para isso é conferir quais papéis fazem parte da carteira do ETF ESGB11

    Depois disso, o próximo passo é avaliar quais dessas ações são oportunidades de investimento. Sendo que uma forma de realizar essa análise é verificado empresas que são negociadas na bolsa com um preço abaixo do valor.

    E então, conseguiu entender mais sobre o que é e quais são os critérios do ESG? Deixe abaixo suas dúvidas e comentários sobre essa agenda.

    Perguntas frequentes sobre esg
    O que é uma empresa ESG?

    Uma empresa ESG é aquela que se alinha e que se compromete a desenvolver e adotar melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa. Estes três pilares vem da sigla ESG, que significa Environmental, Social and Governance.

    Como surgiu o ESG?

    O ESG surgiu em 2005 em artigo chamado “Who Cares Wins”, do autor Ivo Knoepfel. Nele, Ivo defendia que ganha quem se importa. Isto é, as organizações que adotavam práticas alinhadas com o meio ambiente, com o social e com a governança tinham resultados superiores.

    O que são investimentos ESG?

    Os investimentos ESG são aqueles que focam nas empresas que adotam critérios dessa agenda. Isto é, investimentos que são realizados em ativos ou em empresas que estejam alinhados com as melhores práticas no aspecto ambiental, social e de governança corporativa.

    Como investir em ESG?

    Para investir em ESG o investidor pode comprar cotas de ETFs que investem passivamente nessas empresas ou então investir diretamente em ações desse tipo de companhia. Para isso, o investidor deve conferir se o ativo escolhido adota as práticas de interesse ambiental, social e de governança corporativa.

    Como filtrar empresas ESG?

    Para filtrar empresas ESG, o indivíduo deve avaliar se a companhia está, de fato, adotando as melhores práticas dos seus três pilares: o ambiental, o social e a governança corporativa. E para reduzir esse trabalho, uma forma de realizar o filtro é verificar quais empresas fazem parte da carteira de investimento de fundos ETFs de ESG.

    Bibliografia sobre ESG

    https://www.abtcp.org.br/boletins/especial/impacto_esg_16_12.pdf 

    https://assets.ey.com/content/dam/ey-sites/ey-com/en_ca/topics/climate-change/ey-esg-creates-value-en.pdf?download

    https://www.cfainstitute.org/-/media/documents/article/position-paper/esg-factors-at-listed-companies-a-manual-for-investors.ashx

    https://openknowledge.worldbank.org/bitstream/handle/10986/29693/125442-WP-PUBLIC.pdf?sequence=5&isAllowed=y

    https://www.oecd.org/finance/ESG-Investing-Practices-Progress-Challenges.pdf 

    Tiago Reis
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    4 comentários

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    • Mateus Cypriano 20 de agosto de 2020

      Ótimo texto ??????
      Me vem à mente as palavras que o CEO da Black Rock disse no evento ‘Xp expert’. O futuro das empresas é a sustentabilidade, é se preocupar com algo a mais além do lucro líquido.

      Responder
    • Débora 3 de setembro de 2020

      Muito esclarecedor. Grande Tiago, parabéns.

      Responder
      • Suno Research 4 de setembro de 2020

        Olá, Débora! Tudo bem?
        Muito obrigado! Ficamos felizes em ajudar.
        Atenciosamente, Equipe Suno.

        Responder
    • Leandro Ferreira da Silva 19 de junho de 2021

      Olá suno, não encontrei relatórios ESG

      Responder