Silicon Valley Bank: Cinco pontos para entender a atual crise e como ela impacta o Brasil

Os últimos dias foram agitados para o mercado financeiro, em especial, por causa da falência do Silicon Valley Bank (SVB). O banco norte-americano responsável por financiar startups teve as portas fechadas pelas autoridades dos Estados Unidos na semana passada e, desde então, outras instituições financeiras também abriram o jogo sobre suas respectivas crises.

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Com isso, o temor de uma nova crise financeira generalizada no setor bancário passou a estar presente na lista de preocupações diárias dos investidores – relação que “já era pequena” (ironia, claro) por causa das incertezas políticas, contexto macroeconômico desafiador, taxa de juros elevadas, entre outras razões.

Porém, essa crise impacta diretamente o Brasil? A falência do Silicon Valley Bank acende um alerta no investidor para que ele saque dinheiro às pressas dos bancos?

O Suno Notícias apresenta cinco pontos dessa história para que o investidor entenda a crise e consiga tomar a melhor decisão sobre o que fazer com o seu dinheiro. Confira:

1) O que é o Silicon Valley Bank?

O Silicon Valley Bank era um banco fundado em 1983 nos Estados Unidos e, ao longo das últimas décadas, ganhou relevância no setor da tecnologia.

O SVB era a 16º maior instituição financeira dos Estados Unidos, tinha o posto de “queridinho” das empresas do setor tech e contava com mais de US$ 200 bilhões em ativos.

Os principais clientes do Silicon Valley Bank eram startups e empresas que contavam com recursos vindos de Venture Capitals (VCs).

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2) Por que o Silicon Valley Bank faliu?

Entre 2020 e 2021, enquanto a pandemia da Covid-19 assolava fortemente o mundo, o setor da tecnologia apresentou um boom motivado pela necessidade de serviços digitais somado com o cenário de juros baixos. Neste período, os depósitos no SVB saltaram de US$ 61 bilhões para US$ 189 bilhões.

Contudo, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) começou a aumentar a taxa de juros, um dos pontapés para o SVB começar a ir do céu para o inferno. Em relatório, o time da XP Investimentos aponta três fatores que impactaram diretamente nesta crise:

  • aumento das taxas de juros.
  • redução de investimentos de risco, como os Venture Capitals.
  • aumento da queima de caixa pelas startups.

“Além disso, a base de clientes do SVB, composta principalmente por startups focadas em tecnologia, enfrentou desafios devido à escassez de liquidez à medida que os IPOs e o financiamento de VCs se tornaram escassos”, reforça o time da XP.

Com esse cenário delicado pela frente, o FDIC (órgão equivalente ao Fundo Garantidor de Crédito – FGC nos Estados Unidos) teve que tomar o controle das operações do banco. Porém, um novo problema apareceu. 

O “FGC dos Estados Unidos” garante depósitos até US$ 250 mil. Porém, de acordo com a Bloomberg, 97% das quantias depositadas no banco estavam acima deste limite. 

Com a crise à vista, as empresas começaram a tirar o dinheiro do banco de uma forma mais rápida do que a esperada pela instituição. Assim, além da queda do caixa, os novos investimentos na instituição foram sendo reduzidos ao longo dos últimos meses.

Antes da falência, o banco anunciou que venderia US$ 2,25 bilhões em novas ações, a “gota d’água” para os clientes intensificarem a retirada dos recursos. Greg Becker, presidente do SVB, havia pedido para os clientes manterem a calma.

Porém, isso não ocorreu e as ações despencaram 60%. De acordo com a Bloomberg, o Silicon Valley Bank perdeu quase US$ 10 bilhões em patrimônio neste movimento. Em 10 de março, as autoridades norte-americanas oficializaram a falência da instituição.

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3) Crise no Silicon Valley Bank traz consequências para o Brasil?

Inicialmente, não. Na visão do economista-chefe do Banco Alfa, Luís Otávio Leal, as diferenças entre os sistemas bancários brasileiro e norte-americano são alguns dos fatores que blindam inicialmente o Ibovespa.

“Pode parecer estranho, mas o sistema bancário brasileiro é muito mais solvente, desenvolvido do que o norte-americano. Até por causa da época que tivemos hiperinflação, temos um sistema bancário muito mais ajustado do que o dos Estados Unidos”, destacou Leal em entrevista ao Suno Notícias.

Em termos de contágio, acho que é muito pouco, a não ser que se gere uma crise a la 2008.

De acordo com o profissional, o principal impacto que a crise no SVB pode gerar no curto prazo na economia brasileira é na política monetária, abrindo espaço para uma eventual redução dos juros, tendo em vista que o Federal Reserve não deverá aumentar as taxas na reunião da semana que vem.

“Um início de ciclo de afrouxamento dos juros no Brasil pode ajudar os ativos brasileiros, como a Bolsa, e os títulos pré-fixados. Mas é importante lembrar que o Brasil é um mercado emergente, e tem uma sensibilidade/volatilidade maior que mercados desenvolvidos em um evento de aversão a risco global. Dessa forma, não estamos isolados do resto do mundo, e os acontecimentos lá fora seguirão tendo impacto nos preços de ativos por aqui”, complementa o time da XP.

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4) Nubank, C6, Inter e bancos digitais são afetados por causa do SVB?

Após a explosão da crise no Silicon Valley Bank, rumores de que bancos digitais estariam expostos a essa crise começaram a circular nas redes sociais. No entanto, instituições como Nubank (NUBR33), Banco Inter (INBR32), C6 Bank, Neon e PagSeguro (PAGS34) reforçaram que não têm recursos no SVB.

Para a XP, os bancos brasileiros estão bem posicionados para possíveis pressões negativas, especialmente pelos seguintes fatores:

  • manutenção de indicadores de balanço saudáveis;
  • expectativa de manutenção da Selic em 13,75% (com grande parte dos efeitos do aperto no ciclo monetário já refletindo nos números de Margem Financeira com o Mercado);
  • valuations descontados, que devem amortecer futuras desvalorizações;

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5) Crise no Silicon Valley Bank está relacionada ao Credit Suisse?

Diretamente, não. Porém, a crise na Silicon Valley Bank respinga no setor financeiro de forma geral, deixando os agentes econômicos em estado de alerta.

A situação do Credit Suisse é delicada há anos por causa de uma crise de confiança motivada por casos de má governança e prejuízos financeiros seguidos. Na última semana, o banco suíço admitiu que seus últimos balanços têm “fragilidades materiais”.

Somado a isso, o Saudi National Bank, principal acionista do banco, avisou que não aportará mais recursos na empresa suíça, pois a legislação do país europeu coloca um teto de 10% para essa parceria, sendo que este limite já está em vigor atualmente. 

Além disso, em comunicado, as autoridades financeiras da Suíça reforçaram que “problemas de certos bancos nos EUA não representam um risco direto de contágio para os mercados financeiros suíços” — uma referência direta ao caso do Silicon Valley Bank.

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Erick Matheus Nery

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