Selic a 12,75% mantém renda fixa atraente, lembram analistas; veja os principais investimentos

Diante do já esperado segundo corte de 0,50 ponto percentual na taxa básica de juros, anunciada hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom), especialistas em investimentos afirmam que mesmo com esse novo cenário, a Selic a 12,75% segue atraente e deve manter os investimentos em renda-fixa como favoritos dos investidores.

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“Mesmo com a Selic caindo, a Selic não vai estar tão baixa assim. Ainda temos uma Selic com dois dígitos. E apesar da previsão do boletim Focus de juros em 11,75% no fim do ano, não temos uma taxa tão baixa a ponto de valer a pena sair da renda fixa. Então a gente tem um juro real ainda muito alto”, afirmou Rodrigo Cohen, planejador financeiro e co-fundador da Escola de Investimento.

Segundo Cohen, investimentos prefixados não parecem interessantes porque não se sabe do futuro, o que vai acontecer no contexto mundial. “As vezes o investidor compra um CDB que, naquele momento, está com uma taxa altíssima e depois, a situação macroeconômica muda, e aqueles juros sobem mais ainda tendo o investidor prejuízo caso queira se desfazer do ativo”, disse, ressaltando preferir ativos relacionais ao IPCA, os quais o investidor não perde poder de compra.

Falando em renda variável, Cohen apontou que no contexto de juros menores as construtoras, principalmente de baixa renda, tendem a se beneficiar. Varejo também tende a melhorar, assim como o setor de tecnologia. Outro setor é educação também. “Mas no momento atual, eu não estou vendo nenhuma empresa de varejo tão forte a ponto de valer a pena mesmo comprar com a queda dos juros”, completou.

“Para amanhã, não vejo que a decisão do Copom possa provocar impactos fortes no Ibovespa. Pode pesar muito mais aqui o mercado lá fora com uma posição mais hawkish do Powell nos Estados Unidos do que a decisão do Copom. No Brasil, o mercado já esperava essa queda e o mercado aqui ficou em alta, descolado lá de fora. Devolveu um pouco os ganhos após o Fomc, mas fechou ainda assim em alta”, finalizou

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Carteira com maior parte em ativos atrelados ao IPCA

Para Renan Suehasu, planejador financeiro e sócio da A7 Capital, a queda da Selic naturalmente fará com que os investimentos pós-fixados tenham uma rentabilidade cada vez menor a cada corte.

“Para o investidor de renda fixa, o ideal é que ele busque diversificar a carteira com maior parte em ativos atrelados ao IPCA (como Tesouro IPCA ou títulos de crédito privado) ou títulos prefixados (tesouro prefixado ou CDBs prefixados) para conseguir capturar um possível movimento de queda maior do que a esperada para a Selic na marcação a mercado”, apontou.

Suehasu, no entanto, reforça que nunca é recomendado colocar “todos os ovos na mesma cesta”. A recomendação de diversificação entre classes de ativos, indexadores e emissores é, portanto, de extrema importância, respeitando sempre o perfil e o limite de risco que o investidor está disposto a correr.

Para o sócio da A7 Capital, os ativos pós-fixados seriam recomendados apenas para reservas de emergência e recursos para os quais o cliente pode precisar em qualquer momento. Seria um “mal necessário”, como uma proteção para aqueles que estão mais pessimistas, acham que a Selic não vai cair tanto quanto o esperado.

Já na visão de Ricardo Jorge, especialista em renda fixa e sócio da Quantzed, após o novo corte na Selic, em relação aos investimentos de curto prazo, pode ser interessante investir em ativos atrelados a inflação, que pode ganhar força, principalmente com relação à gasolina.

“No segundo semestre a gente não vai ter o agronegócio contribuindo para uma oferta maior de alimentos, não teremos super safra, então acho que a inflação para 2023 e 2024 tende a sofrer e ativos de curto prazo atrelados a inflação nesse momento se mostram a melhor estratégia”, completou.

Para o prazo mais médio e longo, com a curva de juros muito espremida, Jorge lembra que não faz sentido correr riscos em ativos prefixados, principalmente em cenário de muitas incertezas com relação ao fiscal. “Os investimentos de curto prazo atrelados a inflação fazem mais sentido nesse momento. Além deles, os pós-fixados também são indicados”, diz.

“Por mais que a gente tenha um corte na próxima reunião, a gente ainda tem uma taxa de juros de dois dígitos, que é uma taxa alta. Então, está menos rentável, mas não necessariamente menos atrativa”, completou.

Próximas reuniões

André Perfeito, economista, afirmou em seu comentário pós-Copom que o tom do comunicado faz parecer que a Autoridade Monetária irá conduzir os cortes de maneira cautelosa, querendo com isso dizer que prefere errar na direção de uma Selic mais alta que mais baixa na taxa entendida como neutra.

“Por mais que não haja consenso sobre qual o patamar neutro da taxa de juros no Brasil e levando em conta que o próprio BCB aponta que ‘um hiato do produto mais apertado’ nos parece que uma taxa terminal de 9% da Selic o ano que vem não satisfaz este critério, logo mantemos a taxa terminal em 10,75%”, disse.

Por fim, o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanches, afirmou que com a perspectiva de que as expectativas não irão reancorar, segue projetando que o ciclo de corte de juros deverá ser interrompido a 10,50%, 1,5 ponto acima do juro neutro estimado pela casa. “Os cortes projetados pela Ativa são de 0,5 ponto até a primeira reunião do 2T24, quando a Selic deverá cair 1/4 de ponto”, completou.

As próximas reuniões do Copom ocorrerão nos dias 31 de outubro e 1º de novembro e em 12 e 13 de dezembro.

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Fundos imobiliários e a Selic

Uma das classes de ativos que se beneficiam com a queda da Selic é a de fundos imobiliários.

Na perspectiva do gestor, os fundos de tijolo, classe que mais sofreu com a escalada dos juros, devem voltar a ganhar protagonismo.

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Allan Ravagnani

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