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Selic: aonde vai parar? Mercado projeta quando acaba ciclo de alta

Selic: aonde vai parar? Mercado projeta quando acaba ciclo de alta
Selic vive ciclo de alta. Foto: Pexels.

O Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do Banco Central divulgou há pouco nova decisão de reajuste para a Selic – a taxa básica de juros que define, entre outros, o rendimento de aplicações de renda fixa -, agora em 9,25% ao ano. 

A decisão desta quarta-feira (8), em linha com as expectativas do mercado, é o sétimo aumento consecutivo da taxa que começou 2021 a 2% a.a., menor valor da história. Em trajetória ascendente desde então, o ciclo de aumentos não deve parar aqui.

Segundo instituições financeiras e bancos consultados pelo SUNO Notícias, a Selic deve continuar subindo até março do próximo ano, com a possibilidade de o ciclo se estender até o fim do primeiro semestre de 2022.

O aumento dos juros é a principal ferramenta do Banco Central e do Copom, que se reúne a cada 45 dias, para conter o avanço da inflação.

Uma das consequências da medida é, de modo geral, tornar ativos de renda fixa mais atrativos que os de renda variável, bem como incentivar a poupança e não o consumo. Há exceções, como o setor bancário que tende a se beneficiar com o avanço.

O que os analistas projetam para a Selic?

De acordo com o Grupo Consultivo Macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que reuniu projeções de economistas e entidades do mercado, a mediana das expectativas colocaria a máxima da Selic em 11,75% a.a. em maio do próximo ano.

O nível seria mantido até outubro e, nas últimas duas reuniões do ano, reduzido em 0,25 ponto percentual a cada encontro, encerrando 2022 a 11,25%.

Segundo o relatório, “para a maioria dos economistas, o ritmo de aumento dos juros se justifica pelo fato de a inflação estar mais persistente do que o esperado, sugerindo o risco de um ambiente de inércia inflacionária estimulada pela correção de preços e salários em dois dígitos nos próximos meses”.

Para o chefe de Estratégia Macro do BTG Pactual digital, Álvaro Frasson, a Selic deve terminar o próximo ano entre 11,5% e 12,5%. A expectativa do banco, entretanto, é que a taxa suba até 11,75%, na reunião de março do próximo ano, e termine o ano neste índice.

De acordo com Frasson, o Copom deve encarar uma encruzilhada no primeiro trimestre do próximo ano: “qual a Selic que não deteriora demais a atividade econômica em 2022 e não piora a desancoragem das expectativas de inflação em 2023 e 2024?”.

Segundo o economista, caso o Banco Central não desista de convergir a inflação para o teto da meta, com juros mais altos e consumo mais baixo, o País pode ter um PIB com desempenho negativo no próximo ano.

Relatório do banco Modalmais, assinado pelo estrategista-chefe Felipe Sichel, aponta que a taxa deve encerrar o ciclo de alta no primeiro semestre de 2022, a 12,00%, sob risco de ser maior.

Já o banco Credit Suisse estima que a Selic deve encerrar o próximo ano a 12,25%, em linha com as releituras do mercado para a inflação. O avanço de preços em 2022 ainda tem grande peso nas decisões, o que deve mudar nas próximas reuniões, conforme o desempenho em 2023 for ganhando maior destaque.

‘Tendência é de que o juro continue em patamares elevados em 2022’

O economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, defende que, a fim de evitar que a inflação escape da meta nos próximos anos e atenuar as consequências do risco fiscal, o BC deveria aumentar o ritmo de ajuste na taxa de juros, com taxas terminais mais elevadas em 2022, ou mesmo ser mais duro em sua comunicação.

Segundo Sung, os maiores beneficiados pelo ciclo da alta de juros são os bancos, pelo aumento dos spreads, e seguradoras, que têm receitas de aplicações financeiras atreladas à Selic.

Na outra ponta, varejo e construção civil são setores que podem ser prejudicados com o juro mais elevado, pois são mais sensíveis a fatores como renda, emprego e crédito.

“Por fim, a tendência de alta dos juros tem efeitos negativos sobre a dívida pública da União, pois parte dela está indexada à Selic – aproximadamente 44%. Assim, mudanças nos juros impactam o custo de carregamento”, conclui.

Pedro Caramuru

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