Selic a 13,75%: quais setores podem ganhar força na Bolsa, segundo analistas?
A possível redução da Selic para 13,75% ao ano coloca setores mais dependentes de crédito e da atividade doméstica no radar dos analistas. Entre os segmentos citados em estudos recentes estão varejo, construção civil, small caps, infraestrutura, logística e agronegócio.
O corte de 0,25 ponto percentual, esperado pelo mercado para esta quarta-feira (16), não muda imediatamente o custo de todos os financiamentos. Ainda assim, a perspectiva de juros menores pode alterar o valuation das empresas, reduzir o custo de capital e melhorar gradualmente as condições de consumo e investimento.
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Varejo é um dos setores mais sensíveis à Selic
O varejo aparece entre os principais potenciais beneficiários de um ciclo de queda de juros. A análise publicada pela B3 destaca que empresas de moda, eletrodomésticos, cosméticos e outros bens duráveis dependem do crédito e do parcelamento para ampliar as vendas.
Segundo especialistas ouvidos pela plataforma, juros menores podem reduzir o custo dos financiamentos e estimular o consumo. O setor também tende a reagir ao aumento da confiança das famílias, embora o efeito possa demorar a chegar ao caixa das companhias.
A leitura ganha importância diante dos dados recentes do IBGE. As vendas do comércio varejista recuaram 0,8% em julho, com maior impacto em móveis, eletrodomésticos, vestuário e papelaria, segmentos mais dependentes de crédito.
Construção civil pode se beneficiar da queda dos juros
A construção civil também é apontada como um setor sensível à política monetária. Incorporadoras e construtoras dependem de financiamento para desenvolver projetos e vender imóveis, o que torna o custo do dinheiro um fator relevante para as margens.
Na avaliação dos especialistas consultados pela B3, a queda dos juros pode melhorar as condições de parcelamento para os compradores e reduzir a taxa usada para calcular o valor presente dos projetos.
O efeito, porém, não é automático. O financiamento imobiliário utiliza principalmente recursos da poupança, por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), e não acompanha a Selic na mesma velocidade. Por isso, uma melhora mais relevante dependeria da continuidade do ciclo de cortes e da redução das taxas de captação.
Small caps entram no radar dos analistas
As small caps, empresas de menor valor de mercado, também costumam ser associadas a ciclos de queda da Selic. A explicação é que muitas delas têm negócios voltados à economia doméstica, maior necessidade de crédito e fluxos de caixa mais sensíveis às taxas de desconto.
A B3 cita especialistas que veem potencial de reação dessas companhias quando os juros recuam. Em um cenário de menor custo de capital, os resultados futuros podem passar a valer mais nas avaliações de mercado.
O Bank of America também elevou recentemente sua recomendação para as ações brasileiras de “marketweight” para “overweight” e afirmou que aumentou a exposição a empresas mais sensíveis às taxas de juros. O banco projeta a Selic em 11,25% ao fim de 2027, mas manteve posição neutra em materiais, por meio da Vale, e em petróleo, via Petrobras.
Infraestrutura, logística e agronegócio
Além de varejo, construção e small caps, especialistas citados pela B3 mencionam empresas de infraestrutura e logística entre as que podem se beneficiar de uma redução do custo financeiro.
O agronegócio também aparece nessa lista porque parte das empresas do setor aumentou o endividamento durante o período de juros elevados. Nesse caso, a queda da Selic pode aliviar despesas financeiras, embora os resultados continuem sujeitos aos preços das commodities, ao clima, ao câmbio e às condições de crédito rural.
A transmissão dos juros para a economia real, no entanto, ocorre com defasagem. Analistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que os efeitos mais amplos sobre linhas de crédito e capital de giro podem levar meses para aparecer.
Corte não significa alta garantida na Bolsa
Os setores citados são considerados mais sensíveis à queda dos juros, mas isso não significa que todas as empresas terão desempenho positivo. A reação depende da velocidade dos próximos cortes, da inflação, do cenário fiscal, do câmbio e da capacidade de cada companhia transformar juros menores em crescimento de vendas e geração de caixa.
O movimento, portanto, pode favorecer setores mais sensíveis à Selic, como varejo, construção civil e small caps, mas não garante alta para todas as empresas. A reação dependerá da velocidade dos próximos cortes, da inflação, do cenário fiscal, do câmbio e da capacidade de cada companhia transformar juros menores em crescimento de vendas e geração de caixa.