WEGE3 surpreende nos dados da Secex; Embraer (EMBJ3) e Intelbras (INTB3) entram no radar
Os dados de comércio exterior de agosto trouxeram um sinal positivo para a (WEGE3). A análise do Safra, publicada no portal O Especialista, aponta avanço importante nas exportações de equipamentos elétricos e desempenho favorável também para a Embraer (EMBJ3) e a Intelbras (INTB3).
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, acompanha as operações de importação e exportação do Brasil. Por isso, seus números funcionam como um termômetro antecipado sobre a demanda por determinados produtos e podem ajudar o investidor a identificar tendências operacionais antes da divulgação dos resultados das empresas.
Secex coloca WEGE3 no centro da leitura
Na WEG (WEGE3), as exportações das cestas de equipamentos eletroeletrônicos e de geração, transmissão e distribuição de energia cresceram 4% em relação a agosto de 2025 e avançaram 15,6% na comparação com julho.
O principal destaque foi a exportação de transformadores, que aumentou 35,6% em um ano e 43% em relação ao mês anterior. Esses equipamentos são utilizados em redes de transmissão e distribuição, segmentos diretamente ligados à expansão da infraestrutura elétrica.
As exportações de chaves elétricas também cresceram 21% na comparação anual, embora tenham recuado 22% ante julho. O desempenho foi desigual entre os produtos. Os embarques de motores e geradores elétricos ficaram praticamente estáveis em um ano, com queda de 0,4%, mas avançaram 2% na comparação mensal.
Já as peças para motores elétricos registraram alta de 229% em relação a agosto de 2025 e de 17% frente a julho. Na outra ponta, os painéis elétricos recuaram 82,6% em um ano. Como a base de comparação de julho era baixa, houve recuperação mensal de 170%.
No acumulado de 2026, as cestas acompanhadas pelo Safra ainda registram queda de 2%. A retração de 8% nos equipamentos eletroeletrônicos é parcialmente compensada pelo avanço de 13,6% na divisão de geração, transmissão e distribuição de energia.
Embraer mantém ritmo de entregas
A Embraer (EMBJ3) exportou cinco aeronaves comerciais em agosto. O volume ficou acima das três unidades exportadas no mesmo mês de 2025, mas abaixo das seis aeronaves registradas em julho.
No acumulado do ano, a companhia enviou 37 aeronaves comerciais ao exterior, uma a mais do que no mesmo período de 2025. O avanço de 3% mantém uma leitura positiva para o cumprimento das metas anuais.
Segundo o levantamento analisado pelo Safra, as entregas realizadas até agosto correspondem a 46,25% do limite inferior da projeção anual da Embraer. No mesmo período do ano passado, essa proporção era de 45%.
O ponto de atenção está no valor médio dos aviões exportados. Em agosto, esse valor caiu 14% em um ano, para aproximadamente US$ 33 milhões por aeronave. O movimento pode indicar uma participação maior de modelos da primeira geração da família E-Jets no conjunto de entregas.
Ainda assim, o número acumulado de aeronaves exportadas continua sendo o principal indicador para avaliar a capacidade da empresa de atingir suas projeções.
Energia sustenta importações da Intelbras
Na Intelbras (INTB3), os dados de importação mostraram crescimento de 19% em um ano e de 12,6% na comparação com julho.
Quando os painéis solares são retirados da conta, a alta chega a 23,4% na comparação anual e a 9% no mês. O avanço foi puxado principalmente por nobreaks e outros equipamentos de energia, cujas importações dispararam 107% em um ano e 38% frente a julho.
Os produtos solares também apresentaram crescimento. As importações avançaram 2% em um ano e 36% na comparação mensal. No mercado brasileiro, a entrada de painéis solares cresceu 2,2% em dólares, enquanto os preços subiram 15% em 12 meses.
A divisão de segurança teve alta de 4,8% nas importações em um ano. Os equipamentos de vigilância avançaram 9,3%, compensando a queda de 3,7% nos produtos de controle de acesso. Na comparação mensal, porém, a cesta recuou 2,3%.
Já a divisão de redes e comunicação ficou praticamente estável, com queda de 0,4% em um ano. O crescimento de 4% nos equipamentos de rede foi quase neutralizado pela retração de 51,4% nos produtos de comunicação.
O que os dados indicam para as ações?
A análise do Safra é positiva para as três companhias, mas destaca que o crescimento está concentrado em determinados produtos.
A WEG (WEGE3) encontra apoio principalmente no avanço das exportações de transformadores e peças para motores. A Embraer (EMBJ3) mantém um ritmo de entregas compatível com suas metas, embora o valor médio das aeronaves tenha diminuído. Já a Intelbras (INTB3) mostra recuperação mais forte na área de energia, enquanto redes e comunicação continuam sem avanço relevante.
Os dados da Secex não equivalem automaticamente a vendas ou lucro. O embarque pode ocorrer antes ou depois do reconhecimento da receita, estoques podem distorcer a comparação mensal e empresas com produção fora do Brasil não aparecem integralmente nas estatísticas brasileiras.
Para a WEGE3, o cenário combina uma melhora expressiva em alguns produtos com pontos de atenção na demanda geral. Como resume o relatório: “o impulso positivo pode persistir em outubro de 2026, embora talvez seja de curta duração”.