Ibovespa cai 0,51% com Petrobras (PETR4) e Fed mais duro; eleição limita perdas

O Ibovespa fechou esta quarta-feira (16) em queda de 0,51%, aos 185.547,66 pontos, pressionado principalmente pela Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e pela piora de Wall Street após a decisão de juros nos Estados Unidos. O giro financeiro somou R$ 21,8 bilhões.

O mercado já operava em correção, mas ampliou as perdas durante a tarde após o Federal Reserve elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, e adotar um tom mais duro sobre a inflação. A autoridade monetária ainda sinalizou espaço para uma nova alta neste ano.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital Nova York, a decisão veio dentro do esperado, mas com sinais “hawkish”.

“O Fed com certeza começou o seu esforço máximo contra a inflação”, afirma.

Petrobras (PETR4) cai mais de 3% e pesa no Ibovespa

Entre os pesos-pesados, a Petrobras (PETR4) caiu 3,41%, enquanto Petrobras (PETR3) perdeu 4,14%, após uma sequência de valorização dos papéis. A queda acompanhou o petróleo, com o Brent recuando 2,69%, a US$ 105,83 por barril.

A Vale (VALE3) também pressionou o índice, com baixa de 2,41%. Na direção contrária, o Banco do Brasil (BBAS3) avançou 2,95%.

Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, avalia que, após a reação negativa inicial ao Fed, os investidores passaram a digerir a decisão enquanto mantêm as atenções nas próximas pesquisas eleitorais.

No cenário doméstico, as expectativas para a disputa presidencial seguem influenciando os ativos brasileiros. Luis Fernando Cezario, economista-chefe da Asset1, destaca que o exterior continua sendo um vetor importante, mas não é o único.

“Além do driver externo, que é importante e dominante, tem drivers domésticos que têm feito preço. Temos a precificação das probabilidades da eleição”, afirma.

Copom entra no radar após decisão do Fed

No Brasil, a expectativa ficou concentrada na decisão do Copom, prevista para depois do fechamento do mercado. Antes do anúncio, as opções negociadas na B3 apontavam 94,5% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75% ao ano.

Os dados de atividade ficaram em segundo plano. O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB, recuou 0,2% em julho, resultado mais fraco que o esperado.

Cotação do dólar hoje

  • Dólar à vista: queda de 0,07%, a R$ 5,1514.

A moeda chegou a reagir ao tom mais duro do Fed, mas perdeu força na reta final, mesmo com o dólar ganhando terreno no exterior.

Maiores altas e baixas

A Magazine Luiza (MGLU3) liderou os ganhos do Ibovespa, com alta de 6,64%, seguida por Assaí (ASAI3), +4,66%, e CSN (CSNA3), +4,03%. Banco do Brasil (BBAS3) também se destacou, com avanço de 3,04%.

Na ponta negativa, Prio (PRIO3) caiu 4,72%, seguida por Petrobras (PETR3), -4,27%, e Petrobras (PETR4), -3,53%. A Vale (VALE3) também figurou entre as principais pressões do pregão.

Fechamento das bolsas americanas

Wall Street aprofundou as perdas depois da decisão do Fed. A alta de 0,25 ponto percentual era amplamente esperada, mas as declarações de Kevin Warsh reforçaram a preocupação dos investidores com a persistência da inflação e a possibilidade de novos aumentos dos juros.

  • Dow Jones: -1,21%, aos 51.461,90 pontos
  • S&P 500: -0,45%, aos 7.551,81 pontos
  • Nasdaq: -0,01%, aos 26.978,42 pontos

No mercado doméstico, o cenário eleitoral continuou funcionando como contraponto ao ambiente externo mais adverso, enquanto investidores aguardavam a decisão do Copom.

A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (15), foi de 186.502,64 pontos, com alta de 0,54%.

Com Estadão Conteúdo

Redação Suno Notícias

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