SalaryFits aposta em projetos com Magazine Luiza (MGLU3) e Cielo (CIEL3) para crescer

SalaryFits aposta em projetos com Magazine Luiza (MGLU3) e Cielo (CIEL3) para crescer
A SalaryFits, startup de bem estar financeiro, aposta em grandes parcerias para alavancar crescimento.

Em média, 60% dos colaboradores de empresas têm alguma dívida que não é financiamento imobiliário, como cheque especial, cartões de crédito e outros produtos mais custosos. A startup SalaryFits quer crescer ampliando o horizonte e diminuindo os custos do acesso ao crédito. Parcerias com grandes empresas, como Magazine Luiza (MGLU3) e Cielo (CIEL3), podem alavancar esse processo.

A startup é um braço da brasileira Zetra, empresa com mais de 20 anos de estrada que foca no bem estar financeiro de funcionários dos mais variados setores da economia. A SalaryFits surgiu da expansão da marca da companhia, e hoje opera no Brasil, México, Reino Unido, Portugal, Itália e Índia.

Com um volume de crédito consignado a ser pago de aproximadamente R$ 70 bilhões no Brasil, em parcerias firmadas com cerca de 80 instituições financeiras, a SalaryFits chegou ao mercado em 2016 para atuar junto a empresas privadas e dar um tom de fintech para a holding.

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“Nós criamos um canal entre a instituição financeira, o empregador e o empregado, fornecendo uma estrutura tecnológica para que isso funcione”, disse o CEO da SalaryFits, Delber Lage, em entrevista ao SUNO Notícias. “A premissa para estar em nossa plataforma é que o produto tem que ser melhor do que está no mercado.”

O negócio tem dado certo desde o início, pois é “lucrativo desde o primeiro dia“, diz o executivo. Mesmo em meio à pandemia, a SalaryFits conseguiu cresceu sua carteira de empregados assistidos para 4 milhões em 2020. O faturamento global atingiu R$ 100 milhões.

SalaryFits atende clientes underbanking

“A lógica do sistema bancário hoje é atender prioritariamente os clientes AAA. As demais pessoas, mesmo que tenham capacidade de consumo, não têm acesso aos melhores produtos, ou acabam pagando um prêmio por isso”, comenta Lage, salientando que é difícil para o banco conhecer um cliente novo. É justamente essa a vantagem da empresa.

Como a SalaryFits faz o intermédio entre a instituição financeira e a empresa, com o objetivo de atender o colaborador, ela chega a quem tem um emprego estável. Produtos como crédito consignado, previdência privada e consórcios são cobrados diretamente em folha.

Além disso, por analisar e conhecer o mercado das empresas parceiras, a rotatividade de funcionários e as perspectivas do negócio, consegue trazer mais segurança ao banco — que oferece uma taxa menor. Com isso, a SalaryFits satisfaz as três buscas primordiais de um banco ao conceder crédito:

  • A capacidade de pagamento;
  • A vontade de pagar;
  • A estabilidade de pagamento.

O negócio tem ganhado espaço mercado justamente por ser atrativo aos olhos dos consumidores. Segundo Lage, “a taxa de juros para consignado na plataforma e a nossa taxa de inadimplência é muito menor do que a média do setor, divulgada pelo Banco Central”.

A companhia consegue ter um acesso maior às informações das empresas e funcionários, o que faz com que as taxas sejam menores em função da maior estabilidade.

A receita é repetida no Reino Unido, onde a operação ainda está engatinhando. O executivo comenta que a taxa para crédito de consumo praticada pela startup é metade da cobrada pelo mercado britânico, enquanto a relação com as taxas de cartão de crédito caem para um terço. “Sempre haverá o componente oferecermos algo mais barato: os custos de transação e aquisição são menores.”

Délber Lage, CEO da SalaryFits.

Grandes parcerias para alavancar crescimento

Atualmente, cerca de 80% dos clientes da holding Zetra são funcionários públicos, o que traz estabilidade para o negócio. Feita para correr mais riscos e crescer mais rápido, a SalaryFits ataca o setor privado e dos cerca de 4 milhões de clientes, a maioria está concentrada em:

Contudo, algumas empresas são relevantes para o negócio da empresa. A parceria junto ao Magazine Luiza, por exemplo, formou o primeiro consórcio consignado do Brasil, diz Lage.

“Consórcio de carro, de imóveis, de lazer, sempre com taxas muito boas. Clientes que não querem se endividar, mas pretendem atingir objetivos e sonhos e necessitam de capital, podem encontrá-lo com nesse tipo de consórcio”, diz. O executivo pontua que os testes no Magalu estão sendo bem sucedidos e que devem abrir a novas empresas posteriormente.

“Criamos um portal de benefícios e produtos para condensar o bem estar financeiro dos consumidores”, afirma. “O Magalu Consórcio entra como mais um provedor para complementar a oferta da SalaryFits, com um vetor cada vez mais forte na educação financeira.”

SalaryPay com Cielo

“A menina dos olhos” de Lage, no entanto, tem nome: Salarypay. A nova funcionalidade da empresa fará com que os clientes comprem em determinados estabelecimentos e paguem somente com o salário seguinte. “O processo ocorre com um pagamento via QR code, sem juros e sem taxa”, diz o executivo.

O Salarypay está passando por sua modelagem final e deve ser implementado de forma ampla até o final deste ano. Ele deverá ser utilizado na rede de adquirência da Cielo; a própria maquininha gera um QR code e o pagamento é debitado do próximo salário, “respeitando a saúde financeira por meio de um cálculo automatizado da margem de compra”.

Abertura de capital no radar

Por estar próximo da educação financeira e promovê-la aos clientes de empresas parceiras, a Zetra observou o crescimento do mercado de capitais no Brasil nos últimos anos. Embora nunca tenha cogitado buscar capital no mercado, uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) não está descartada.

“Vemos como uma possibilidade bastante plausível, embora não seja a única estratégia para acelerar nosso crescimento”, diz Lage.

“Somos uma sólida empresa com 20 anos de estrada, sendo lucrativa desde o primeiro dia, com perspectiva de crescimento bastante acelerado, então certamente seríamos uma companhia que chamaria atenção dos investidores.”

A Salarypay recebeu o primeiro aporte de investidores no ano passado, na ordem de R$ 20 milhões, oriundo da Confrapar, gestora especializada em empresas de tecnologia. Nunca passou pela cabeça dos fundadores, Rosy Araújo e Renato Araujo, deixarem o negócio. Oportunidades de fusões e aquisições, entretanto, podem mudar esta perspectiva.

“Sempre estamos olhando para o mercado. O que nos chama atenção são empresas ligadas ao open banking e companhias que focam em benefícios a colaboradores, pois complementariam a nossa plataforma de bem estar financeiro. Queremos crescer no nosso nicho”, diz o CEO da SalaryFits.

Jader Lazarini

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