Reserva de ações para IPO do Nubank (NUBR33) termina na terça-feira

Reserva de ações para IPO do Nubank (NUBR33) termina na terça-feira
Nubank. Foto: Divulgação

A oferta inicial pública de ações (IPO, em inglês) do Nubank (NUBR33) está chegando. A abertura de capital da fintech deve acontecer no próximo dia nove, com as negociações simultâneas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs) na B3 (B3SA3). Quem quiser participar do IPO tem até o dia 7 para fazer a reserva.

Segundo o cronograma do IPO do Nubank, o período de reserva começou em 17 de novembro e seguirá até o dia 7 de dezembro, quando também fecha o intervalo para o cancelamento do pedido. Para investir na fintech, é necessário seguir os valor mínimo e máximo pré-estabelecidos, de R$ 30 a R$ 300 mil na oferta de varejo.

É válido lembrar que na semana passada, o banco digital reduziu sua faixa indicativa de preço para US$ 8 a US$ 9, ante uma previsão inicial de US$ 10 a US$ 11, o que representa um corte de 20%.

Por sua vez, a mudança na faixa indicativa por BDR foi uma redução de R$ 9,82 para R$ 7,91 devido a alteração nas ações. Com as mudanças, os investidores que já fizeram reservas poderão solicitar o cancelamento do pedido até o dia 7 de dezembro, próxima terça-feira.

A Nu Holdings pretende ofertar 289,15 milhões de ações classe A em seu IPO, o que somaria até US$ 2,7 bilhões a US$ 2,8 bilhões.

O corte de preço do IPO do Nubank ocorre em meio à forte queda das ações de diversas fintechs. Um caso emblemático foi o da Paytm, que realizou um dos maiores IPOs da Bolsa de Valores indiana, movimentando US$ 2,5 bi. Isso não impediu que, um dia após sua estreia, o papel da fintech de pagamentos digitais tombasse  27%.

Paytm não foi a única companhia do setor a ter uma forte queda, o que faz o mercado temer uma aversão ao risco. A Stone, por exemplo,  já caiu 80% esse ano.

Especialistas achavam caro o preço anterior do IPO do Nubank

Apesar do Nubank ser o maior banco digital do mundo, os especialistas não vinham recomendando o IPO aos investidores devido à precificação da oferta, considerada elevada.

“O Nubank apresenta uma precificação em linha com o que o mercado internacional está pagando aos maiores bancos digitais, mas não é porque o mercado está pagando que nós iremos pagar. Ou seja, não recomendaremos a adesão ao IPO”, escreveu os analistas da SUNO Research em relatório divulgado no dia 25.

A SUNO destacou ainda que o preço do Nubank estava 60% mais caro do que o pago na última rodada de investimentos, que incluiu aporte da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett. “O preço é praticamente impossível de se justificar com a geração de caixa da empresa.”

Já a Nord avaliou que com o valor de mercado de US$ 49 bilhões na faixa média do IPO (US$ 10,50) e um Preço/Lucro (P/L) histórico da Bolsa de 15 vezes, significava que a companhia precisaria entregar um lucro de US$ 3,3 bilhões para negociar em um múltiplo em linha com a média histórica da bolsa brasileira.

“Para atingir esse lucro bilionário, o Nubank precisaria lucrar 260 vezes mais do que o lucro reportado no primeiro semestre de 2021, considerando um dólar médio de R$ 6”, escreveu os especialistas da Nord em seu relatório.

Segundo a Levante Research, para alcançar o custo de oportunidade estimado, a companhia teria que crescer a sua receita a uma taxa composta próxima aos 35%, algo que foi desafiador até para as big techs. “Nesse caso, o Nubank teria que dominar a América ou atravessar o oceano atlântico e se tornar uma big tech”, afirmou. É válido lembrar que Apple, Microsoft, Google e Facebook são big techs.

Além disso, a Levante enxergava risco relevante de perda permanente de capital no investimento em Nubank a este preço. “Por conta disso, nossa recomendação é não participar do IPO do Nubank“.

Poliana Santos

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