Radar: Analistas cortam preço-alvo de MRV (MRVE3), dividendos milionários da Wilson Sons (PORT3) e Gerdau (GGBR4) vende fatias na Diaco e Metaldom

Prevendo um cenário um pouco mais complicado para a MRV (MRVE3) em 2023, diante do desembolso de recursos para finalização de obras, o Santander Investment cortou o preço-alvo de R$ 16,00 para R$ 13,50 para o fim de 2024, ante a cotação atual de R$ 7,90, mas manteve a recomendação outperform (equivalente a compra).  

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Em relatório publicado ontem, os analistas Fanny Oreng, Antonio Castrucci e Matheus Meloni explicam o corte do preço-alvo das ações da MRV se deve à redução de estimativa para o lucro líquido da construtora em 2024, para R$ 324,9 milhões, uma queda de 35% em relação a previsão anterior do banco. Para 2025, a projeção teve baixa de 20%, para R$ 906 milhões.

“Incorporamos aos nossos números um ritmo mais lento que o esperado da recuperação das margens brutas da empresa, além de uma maior recorrência nas vendas de recebíveis, o que deverá impactar negativamente as despesas financeiras da MRV. Ainda assim, mantemos a nossa classificação outperform”, ressaltam os analistas do Santander.

No caso da venda de recebíveis, a instituição projeta cerca de R$ 300 milhões a 350 milhões de vendas por trimestre até o final de 2025. No entanto, a partir de 2026, esse número deve ser menor, de R$ 200 milhões por trimestre.

Diante disso, o Santander acredita que haverá aumento das despesas financeiras, uma vez que a MRV fará uma recorrência de desembolsos para concluir os projetos vendidos. Como resultado, na avaliação do banco, as despesas financeiras líquidas da construtora deverão ser de aproximadamente R$ 300 milhões em 2024 e 2025.

Apesar de reconhecer as melhoras apresentadas no consumo de caixa da MRV no último trimestre de 2023, o banco vê maiores vendas de recebíveis afetando o consumo, já que a empresa deverá continuar a utilizar este instrumento como fonte de financiamento para a construção, uma vez que o crédito associativo da Caixa Econômica Federal não incorpora os maiores custos de construção necessários para concluir os projetos em desenvolvimentos.

Além de MRV, confira outros destaques desta quarta-feira:

Wilson Sons (PORT3) vai pagar mais de R$ 59 milhões em dividendos; veja valor por ação

  • Conforme comunicado nesta quarta-feira (17), os dividendos da Wilson Sons equivalem a R$ 0,13453976 por ação ordinária. O novo valor se baseia no resultado financeiro acumulado até 30 de setembro de 2023.
  • Os proventos só serão pagos aos investidores que compraram ações da Wilson Sons e se mantiveram com elas até a data de corte, que foi em 22 de janeiro de 2024, levando em conta um total de quase 439,989 milhões de ações da companhia.
  • A partir de 23 de janeiro de 2024, as ações PORT3 serão negociadas como “ex-dividendos”, ou seja, não terão direito ao recebimento de proventos.
  • O pagamento dos dividendos será realizado até 29 de janeiro de 2024. O valor poderá ser imputado aos dividendos obrigatórios a serem declarados com base no exercício social que termina em 31 de dezembro de 2023.

Gerdau (GGBR4) vende participação na Diaco e Metaldom por US$ 325 milhões

  • Gerdau (GGBR4) anunciou a venda da totalidade de sua participação na Diaco (49,85%) e na Gerdau Metaldom (50%) para o grupo INICIA, sua sócia nos ativos, pelo valor total de US$ 325 milhões, de acordo com fato relevante divulgado nesta quarta-feira, 17.
  • A venda da participação da Gerdau na Diaco e Metaldom reforça a estratégia de alocação de capital da empresa, que tem como objetivo concentrar seus esforços em ativos com maiores potenciais de geração de valor no longo prazo. Segundo a companhia, o recurso será utilizado no programa de investimentos.
  • Apesar de bem gerida, o mercado está com um pé atrás com os negócios da Gerdau no Brasil, já que os aços longos importados têm crescido consideravelmente, impactando as margens da siderúrgica. Na visão de analistas, inclusive, essa margem não deve melhorar tão cedo.
  • Para se ter uma ideia dessa penetração dos aços longos no Brasil, o número passou de uma média de 60 mil toneladas em 2022 para 90 mil toneladas no ano passado, de acordo com dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

Vendas da Eztec (EZTC3) caem 34,6% no 4T23, para R$ 199 milhões  

  • As vendas líquidas da Eztec (EZTC3), construtora concentrada na alta renda, caíram 34,6% no quarto trimestre de 2023 na base anual, para R$ 199 milhões, em função da companhia ter concentrado seus esforços na redução de estoques e não em novos lançamentos.  
  • No período, mesmo com os esforços da construtora para reduzir o tamanho do estoque da Eztec, o número ficou praticamente estável em relação ao mesmo intervalo de 2022, somando R$ 2,66 bilhões.  
  • Apesar dessa estratégia, de acordo com a prévia operacional divulgada pela companhia nesta quarta-feira (17), o Valor Geral de Vendas (VGV) de lançamentos da Eztec subiu 2% no último trimestre do ano passado, ante o mesmo intervalo de 2022, a R$ 300 milhões. Com isso, ao final do período, a EzTec possuía R$ 135,5 milhões em obras, uma baixa de 16,3% na comparação anual.
  • Impactada pelo foco da redução de estoque, a velocidade de vendas (VSO), que mede a oferta imobiliária, foi de apenas 6,9% no quarto trimestre do ano passado, uma retração de 2,8 ponto percentual (p.p) ante igual período de 2022. Ainda assim, os distratos subiram 7,8 p.p no trimestre na base anual, para R$ 19,8%.

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Banco Inter (INBR32): analistas veem nova oferta de ações como “inesperada e sem urgência”

  • A Inter&Co, controladora do Banco Inter (INBR32), anunciou, na última terça-feira, 16, uma oferta de até 32 milhões de ações ordinárias classe A. Para os analistas, a oferta pegou o mercado de surpresa.
  • Segundo a Genial Investimentos, a empresa não tinha necessidade imediata de uma oferta do Banco Inter, uma vez que possui folga relevante de capital, evidenciada por uma sólida Basileia de 23,7%.
  • Com a oferta de 32 milhões de ações do Banco Inter (R$ 800 milhões), a Basileia do banco eleva-se para 26,9%. Incluindo o adicional de 4,8 milhões de ações (totalizando R$ 920 milhões), a Basileia pode atingir 27,4%.
  • “O banco não tinha a urgência necessária para realizar o follow on no momento. Dado que as ações do Inter estão sendo negociadas abaixo de 1,5x P/VP, a instituição financeira poderia ter aguardado um momento mais propício, buscando realizar a oferta em um cenário de múltiplos mais atrativos”, afirma a Genial, que recomenda compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 31,70. 
  • Por sua vez, o BTG mantém recomendação neutra para as ações do Banco Inter, com preço-alvo de R$ 31 (ante a cotação atual das BDRs do Inter a R$ 22,92, mas mantém o otimismo quanto à capacidade da companhia de expandir o ROE (Retorno sobre o patrimônio) trimestre após trimestre. 
  • “Atualmente, mantemos nossa classificação Neutra, mas, se o estoque continuar caindo ou se ficarmos mais otimistas em relação a uma aceleração ainda mais forte do ROE, poderíamos reconsiderar e adotar uma postura mais positiva novamente”, pondera o BTG. 
  • Sobre a operação, o BTG destaca que a maior parte da liquidez das ações ficou concentrada em seu BDR INBR32. Caso a operação seja bem-sucedida, espera-se que a liquidez da INTR melhore, abrindo potencialmente as portas para outros investidores estrangeiros que não puderam investir anteriormente devido à baixa liquidez.

Cade aprova venda da Amil para fundador da Qualicorp (QUAL3)

  • Segundo o Cade, em seu parecer sobre a operação da venda da Amil, a Superintendência-Geral observou que todas as empresas nas quais o comprador detém participação indireta pertencentes ao Grupo QSaúde não estão em operação.
  • Foi apontado também que o empresário José Seripieri Filho não possui ações em outras empresas com atividades em mercados horizontal ou verticalmente relacionados àqueles em que atua o Grupo Amil.
  • “Assim, a operação representa apenas uma substituição de agente econômico e decidiu pela sua aprovação sem restrições”, disse o Cade, lembrando que o negócio também está sujeito à aprovação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
  • Se o Tribunal do Cade não avocar os atos de concentração para análise ou se ninguém recorrer da decisão dentro de um prazo de 15 dias, o aval da SG para a venda será definitivo.
  • “A Amil atua na operação de planos de saúde médico-hospitalares e de planos exclusivamente odontológicos, individuais, familiares e coletivos em todo o Brasil. O grupo possui ainda hospitais e centros médicos (unidades ambulatoriais) para a prestação de serviços médico-hospitalares, além de contar com rede credenciada de médicos, hospitais e laboratórios. Já o comprador possuiu atividades no ramo de investimentos financeiros e imobiliários”, apontou o Cade.

CVC (CVCB3): analistas recomendam compra e veem ação “pronta para decolar”; veja análise 

  • O Itaú BBA iniciou a cobertura de ações da CVC (CVCB3) com recomendação outperform, equivalente à compra, e preço-alvo de R$ 5,10. Para o BBA, é esperado que o mercado revise suas estimativas de ganhos à medida que a empresa entrega resultados promissores com o processo de reestruturação interna. 
  • “Considerando o fraco desempenho das ações da CVC  (queda de 12% no último mês e 27% nos últimos 12 meses), acreditamos que este seja um bom ponto de entrada para aproveitar a recuperação, embora esperemos que a empresa comece a relatar um lucro consolidado positivo somente no segundo semestre de 2024”, afirma o BBA. 
  • Os analistas citam que, apesar do cenário macroeconômico incerto, vê um “céu claro à frente” para a CVC e para o setor de turismo, que tem se aproximado dos níveis pré-pandêmicos a cada trimestre.
  • Como principais vantagens competitivas da CVC, o BBA cita a capilaridade e seu modelo multicanal no Brasil, possuindo mais de 1.088 lojas, além de uma rede independente de 8 mil agentes de viagens. “A posição de liderança da CVC no Brasil e a segunda posição na Argentina destacam sua escala, permitindo que a empresa ofereça aos clientes destinos novos a preços acessíveis.”
  • Além disso, os analistas detalham que a CVC não possui quartos de hotel ou aviões, portanto, o risco de inventário é praticamente inexistente. Em um mercado normalizado, o BBA estima que o ROIC (retorno sobre capital investido) da empresa poderia ser superior a 30% nos próximos anos.
  • A casa ainda ressalta que a estrutura de capital da CVC está equalizada, com uma provável redução de alavancagem em 2025, com 90% da dívida sendo de longo prazo
  • Em relação aos riscos, os analistas citam uma previsão de menor expansão de capacidade por parte das companhias aéreas, o que torna os bilhetes mais caros e afeta a demanda. 
  • Neste contexto, o BBA estima que os papéis da CVC apresentam potencial de valorização de 54% em relação ao preço atual.

Banco do Brasil (BBAS3) terá provável aumento de dividendos, diz BBA

  • Em revisão sobre sua tese do Banco do Brasil (BBAS3), analistas do Itaú BBA reiteraram otimismo com a companhia, destacando que se trata de um banco que oferece ‘valor, crescimento e fortes dividendos‘ – citando os 12% de yield dos papéis.
  • A recomendação da casa para as ações do Banco do Brasil é de compra, com preço-alvo de R$ 65. Atualmente os papéis BBAS3 são negociados a cerca de R$ 55,80 em bolsa.
  • “Depois de um 2023 já forte, esperamos 9% de crescimento de receita na base anual e 10% de crescimento do lucro líquido, rendendo outro ROE de 21%, acima da média da indústria”, destaca o BBA acerca do BB.
  • Segundo os especialistas da casa, é possível e cabível um aumento nos dividendos do Banco do Brasil. A expectativa é de que a companhia anuncie seus próximos proventos com seus resultados trimestrais referentes ao quarto trimestre de 2023 (4T23).
  • “A decisão leva em conta mais do que um ano de lucros, mas sim uma visão plurianual sobre aspectos positivos e negativos. Para avaliar o potencial de uma aumento de pagamento, testamos os índices de capital sob um cronograma de pagamento aumentado. Consideramos o payout atual, atualmente em cerca de 40%, aumentando em 10 pontos percentuais (p.p.) para 50% no Período 2024-2026”, detalham os especialistas.
  • Nas projeções, os analistas ainda consideraram possíveis contrações no ROE em relação ao patamar atual e outros fatores que podem funcionar como detratores para o banco.

Da MRV à Gerdau, essas foram as empresas que se destacaram hoje. Para ler todas as matérias clique aqui.

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Vanessa Loiola

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