Semana do Fiagro

Radar: SEC processa ex-executivo do IRB (IRBR3), ações da Rede D’Or (RDOR3) em queda há 9 dias, Auren (AURE3) pagará R$ 100 mi em dividendos

Radar: SEC processa ex-executivo do IRB (IRBR3), ações da Rede D’Or (RDOR3) em queda há 9 dias, Auren (AURE3) pagará R$ 100 mi em dividendos
IRB Brasil teve renúncia de presidente executivo e CFO por conta de escândalos contábeis e notícias falsas - Foto: Reprodução)

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, equivalente à CVM no Brasil, está processando o ex-vice-presidente executivo de finanças do IRB (IRBR3) por mentir sobre o investimento que a Berkshire Hathaway (BERK34), de Warren Buffet, havia feito na companhia. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (18) pela agência de notícias Reuters.

O ex-vice-presidente, que também era responsável pela a relação com o investidor, Fernando Passos, teria circulado a história do investimento de Buffett no IRB entre fevereiro e março de 2020 para sustentar o preço das ações do IRB.

A SEC acusa Passos de fabricar documentos falsos sobre um investimento inexistente da Berkshire no IRB. Com isso, a resseguradora fez declarações falsas e enganosas aos investidores e a um analista, após a gestora Squadra questionar os resultados financeiros da empresa.

Segundo a agência, a Comissão de Valores dos EUA relata que as ações do IRB subiram 6% após a notícia falsa ter se tornado pública em 26 de fevereiro, mas caíram mais de 40% dois dias após a Berkshire dizer que nunca tinha investido na empresa e não tinha a intenção de se tornar acionista  do IRB.

Em fevereiro de 2020, a gestora de recursos Squadra Investimentos publicou uma carta em que questionava as práticas contábeis da resseguradora.

No documento, que constava mais de 30 páginas, a gestora apontava que os lucros recorrentes eram inferiores aos lucro contábeis reportados nas demonstrações financeiras da companhia.

“Desde que o IRB Brasil realizou sua abertura de capital em bolsa de valores, no ano de 2017, acreditamos ter encontrado fatores que, em nossa opinião, indicam lucros contábeis reportados nas demonstrações financeiras significativamente superiores aos lucros normalizados. Essa disparidade entre lucro reportado e lucro normalizado (recorrente) foi crescente durante esse período e atingiu sua maior diferença nos nove primeiros meses de 2019”, escreveu a gestora.

Com a imagem manchada, o preço das ações do IRB despencou de R$ 41,43 para R$ 6,47 em apenas dois meses, entre janeiro e março de 2020.

Desde então o IRB vem tentando recuperar a credibilidade junto ao mercado com o trabalho de estruturação. Mas os investidores permanecem examinando com lupa nas divulgações de resultados da companhia.

Além de IRB Brasil, confira outros destaques desta segunda-feira:

Rede D’Or (RDOR3) cai por nove pregões seguidos: o que está acontecendo com a ação?

  • Há 9 pregões consecutivos as ações da Rede D’Or (RDOR3) caem na bolsa, ficando cotadas a R$ 42,44, baixa de 0,07%, ao final do pregão desta segunda-feira (18).
  • No acumulado dos últimos 30 dias, foram 18% de baixa e, se considerados os últimos seis meses, 35% de retração na cotação de RDOR3. Segundo um relatório divulgado nesta segunda (18) pelo BTG Pactual, as ações estão sendo pressionadas por vários fatores, que incluem o cenário macroeconômico e a dinâmica causada pela troca de ações com a SulAmérica (SULA11), depois que as empresas anunciaram uma integração.
  • Isso porque as ações da SulAmérica ainda estão sendo negociadas com um desconto de cerca de 8% em relação às da Rede D’Or.
  • “Nós preferimos comprar SULA11 porque é uma maneira mais barata de se expor à RDOR3”, afirmou o relatório.
  • Também pesaram sobre os papéis da Rede D’Or fatores macroeconômicos, como a inflação dos Estados Unidos mais alta do que o esperado em março.
  • “Acreditamos que a recente liquidação (o RDOR3 caiu 15%) foi impulsionada principalmente por fatores macro (impressão do CPI alta para março decepcionado, sugerindo que o pico das taxas de juros deve levar mais do que o esperado para retroceder)”, dizem os analistas do BTG.
  • Em meados de fevereiro, foi anunciada a compra da SulAmérica. Na ocasião, as ações da Rede D’Or subiram 13% entre os dias 21 e 23 de fevereiro. A operação envolve troca de ações: acionistas receberão novas ações ordinárias de emissão da Rede D’Or em troca das ações ordinárias ou preferenciais da SulAmérica.
  • A Sasa, holding que controla a SulAmérica, será extinta, e a SulAmérica vai deixar de ser listada na Bolsa. Seus acionistas vão migrar para a base acionária da Rede D’Or, que permanecerá uma companhia aberta listada no Novo Mercado.
  • Na última quinta-feira, os conselhos de administração das duas empresas aprovaram o negócio. A decisão já era amplamente esperada, e deve passar pelo crivo das autoridades reguladoras (como o Cade).
  • Apesar da queda recente nos papéis, os analistas do BTG Pactual veem uma melhor perspectiva para o negócio. “Em nossa opinião, o movimento é positivo para a Rede D’Or, marcando uma grande e oportuna mudança em sua estratégia. Sinergias devem ser capturada em várias frentes”, diz o relatório mais recente do BTG.

Petrobras (PETR4): Acelen investe R$ 500 mi para ampliar produção de ex-refinaria da estatal

  • Quatro meses após assumir o controle da Refinaria de Mataripe, que fica na Bahia e pertencia à Petrobras (PETR4), a Acelen, braço do fundo de investimento árabe Mubadala, vai investir R$ 500 milhões para modernizar a unidade e aumentar sua capacidade de produção, que deve passar de um fator de utilização médio de 65% em 2021 para 97%.
  • As mudanças levarão um ano para serem concluídas e vão atingir 11 das 26 unidades de produção, informou a Acelen. A parada programada vai gerar quatro mil postos de trabalho até o pico das atividades, previsto para outubro de 2022.
  • Segundo a companhia, o objetivo é fazer com que a refinaria de 70 anos vendida pela Petrobras atinja os mais altos níveis e padrões de segurança e excelência internacionais, aumentando assim a competitividade da unidade dentro e fora do Brasil
  • “Esta estratégia possibilita a Acelen a oportunidade de apresentar novos produtos, otimizar o atendimento aos seus clientes, expandir sua produção para outros mercados, e, simultaneamente, garantir segurança no abastecimento do mercado regional e nacional”, explicou a empresa em nota.
  • A Refinaria de Mataripe, ex-Landulpho Alves, tem capacidade para processar mais de 300 mil barris de petróleo por dia, o que corresponde a 14% da capacidade total de refino do País. Responde também por mais da metade do abastecimento na região Nordeste. A empresa tem mantido seus preços mais alinhados ao mercado internacional do que a Petrobras, e já admitiu a possibilidade de exportar produtos se os preços internos não seguirem a livre concorrência.
  • A falta de reajustes mais intensos da Petrobras chegaram a ameaçar o abastecimento do País antes do mega aumento concedido pela Petrobras em 11 de março, após dois meses de congelamento, quando anunciou aumento da gasolina em 18,7%, do diesel em 24,9% e do gás de cozinha em 16%.
  • Nesta segunda-feira, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem no porto de Aratu, na Bahia, era de 9% para o óleo diesel e de 6% para a gasolina, enquanto o porto de Santos, em São Paulo, estado atendido pelas refinarias da Petrobras, essa defasagem é de 18% e 10%, respectivamente, inviabilizando as importações dos produtos.
  • Os preços defasados no mercado interno têm sido um obstáculo para a venda de sete refinarias que fazem parte do plano de desinvestimento da Petrobras, em acordo feito com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
  • O prazo para a venda foi estendido pelo órgão, mas a Petrobras tem enfrentado a incerteza dos investidores diante de uma eventual interferência na política de preços da empresa pelo governo, que já trocou três vezes o presidente por causa dos altos preços dos combustíveis e vem dando sinais nesse sentido, com a proximidade das eleições e a pressão dos caminhoneiros. A categoria apoiou o presidente Jair Bolsonaro em 2018 e agora cobra a redução do preço do diesel.

Ferbasa (FESA4) pagará R$ 129,5 milhões em dividendos; confira o valor por ação

  • R$ 42,7 milhões em dividendos obrigatórios mínimos, referentes ao exercício de 2022; e
  • R$ 86,7 milhões em dividendos adicionais, com base nos recursos provenientes do saldo da reserva de lucro para investimento de exercícios anteriores de 2021.
  • Há divisão ainda por data de pagamento dos dois tipos de rendimentos
  • Para os obrigatórios, serão pagos R$ 0,4719 por ação ordinária e R$ 0,5191 por ação preferencial, no dia 29 abril
  • Para os adicionais, o valor por ação ordinária é de R$ 0,9573 e, por preferencial, R$ 1,053, no dia 12 de maio.
  • Apenas os investidores com ações da Ferbasa no dia 26 de abril terão direito de receber os rendimentos. A partir de 27 de abril, as ações serão negociadas sem direito aos dividendos.

Tupy (TUPY3) dispara 6% após aquisição com foco em descarbonização

  • A Tupy (TUPY3) anunciou nesta segunda-feira (18) a aquisição da MWM do Brasil, subsidiária da americana Navistar International Corporation, por R$ 865 milhões.
  • Com o anúncio, as ações da Tupy dispararam na Bolsa, subindo mais de 6%.
  • Segundo o fato relevante divulgado pela Tupy, a MWM é referência em montagem, usinagem e teste de motores a óleo diesel. Além disso, a multinacional brasileira de metalurgia destacou os serviços de valor agregado da empresa, que teve uma receita líquida operacional de R$ 2,68 bilhões em 2021.
  • “Esta combinação está alinhada à estratégia de crescimento de ambas as empresas, tanto nos negócios atuais, por agregar valor aos produtos, quanto na promoção de soluções viáveis para descarbonização“, escreveu a Tupy, em comunicado.
  • Para o Bradesco BBI, a transação é positiva para a Tupy, pela diversificação de produtos e a entrada da empresa no setor de geradores que utilizam biocombustíveis como solução sustentável.
  • A MWM está presente no mercado de energia e descarbonização com a fabricação de grupos geradores e a criação de parcerias para a conversação de motores que consomem gás natural, biodiesel, biogás e biometano. Segundo a Tupy, são rotas importantes para o agronegócio brasileiro e apresentam alto potencial de crescimento.
  • Para a multinacional brasileira, o conhecimento técnico e os serviços de engenharia da MWM têm forte valor por atender às necessidade de seus atuais clientes: fabricantes de caminhões, máquinas agrícolas, de construção e motores do Ocidente.
  • Com a aquisição, a Tupy espera estender os serviços prestados pela MWM a todos os seus clientes.
  • “Vamos nos unir a uma empresa com grande capital intelectual e tecnológico, formada por líderes experientes, cultura empreendedora e que possui elevada credibilidade técnica em nossa indústria”, diz Fernando Cestari de Rizzo, CEO da Tupy.
  • E acrescenta: “Com a competência técnica desse time, estenderemos os serviços por eles oferecidos aos nossos clientes atuais”.

Pé no agronegócio: Itaú (ITUB4) compra fatia de 12,82% da plataforma Orbia

  • O Itaú Unibanco (ITUB4) comunicou nesta segunda-feira (18) a aquisição de participação minoritária de 12,82% na Orbia.
  • Empresas como Bayer, Yara Brazil Fertilizantes e Bravium já possuem participação na plataforma de agronegócio. Incluindo o Itaú, todas as companhias acionistas da Orbia terão participação no Conselho de Administração, que operará de forma independente
  • De acordo com nota enviada à CVM, o Itaú afirma que a compra da participação permitirá que o banco consiga oferecer soluções de acesso ao crédito à base de clientes da companhia com mais eficiência.
  • O Itaú destaca ainda que a Orbia “ampliará sua atuação no agronegócio, alcançando um novo patamar no acesso do crédito ao produtor”.
  • O fechamento da transação está sujeito à aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Banco Central do Brasil.

Auren Energia (AURE3) vai pagar R$ 100 milhões em dividendos; veja valor por ação

  • A Auren Energia (AURE3), chamada de Cesp até março último, anunciou nesta segunda-feira (18) que vai pagar R$ 100 milhões em dividendos aos seus acionistas.
  • A soma de rendimentos é detalhada pela companhia da seguinte forma:
  • R$ 42 milhões referentes ao exercício de 2021;
  • R$ 44 milhões sobre a reserva de retenção de lucros anteriores ao exercício de 2021; e
  • R$ 13,9 milhões correspondentes aos dividendos obrigatórios de 2022, correspondentes a 25% do lucro líquido ajustado da Auren Energia do exercício.
  • O valor dos proventos por ação, no total, será de R$ 0,10. A data de pagamento ainda não foi anunciada. O pagamento deve ser deliberado em Assembleia Geral Ordinária (AGO) marcada pela companhia para dia 29 de abril.
  • Apenas os investidores com ações da Auren Energia no dia 3 de maio terão direito a receber os rendimentos. A partir do dia 4 de maio, as ações serão negociadas sem direito aos dividendos.
  • Dividendos da Auren Energia:
  • Valor total: R$ 100 milhões
  • Valor por ação: R$ 0,10
  • Data de corte: 03 de maio
  • Data do pagamento: a ser definida

Do IRB Brasil a Auren Energia, essas foram as empresas que se destacaram hoje. Para ler todas as matérias clique aqui.

Victória Anhesini

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