Oi (OIBR3): Em que pé está o plano de recuperação judicial da tele em 2024?

Nos primeiros três meses deste ano, a Oi (OIBR3) anunciou agrupamentos de ações, marcou e adiou assembleias e reformulou seu plano de recuperação judicial.

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Com tantos acontecimentos embaralhados, fica difícil entender em que pé está a recuperação judicial da Oi ou o que esperar da companhia adiante.

A seguir, confira os principais momentos da Oi (OIBR3) entre janeiro e março de 2024.

Linha do tempo da Oi no 1T24

O Grupo Oi já começou o ano com uma nova alta diretoria. Em janeiro, a empresa anunciou a troca do antigo diretor-presidente, Rodrigo Modesto de Abreu, que acordou com o conselho de administração de não renovar o mandato para o próximo período.

Para o cargo de CEO da Oi, foi indicado então Mateus Affonso Bandeira, que atuava como membro independente do conselho de administração, onde liderava até então o Comitê de Gente, Nomeações e Governança.

Além disso, a companhia se comprometeu apresentar o novo plano de recuperação judicial ainda no primeiro mês do ano, junto com a conclusão das discussões com Anatel, TCU e AGU.

Este planejamento acabou sendo adiado, com a aprovação da nova proposta de RJ em 6 de fevereiro, perante a 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro.

Na nova versão do plano de recuperação judicial da Oi consta:

  • Equalização do passivo financeiro;
  • Reestruturação de créditos concursais da companhia,
  • Potencial alienação e oneração de bens do ativo permanente (não circulante) das recuperandas, sob a forma de Unidades Produtivas Isoladas (UPIs) ou não, incluindo as UPIs ClientCo. e V.tal
  • Reestruturação dos créditos de fornecedores Take or Pay, em particular com empresas de Torres e Satélites.

Para os dois primeiros pontos, a estratégia da companhia telefônica prevê a captação de recursos na forma de um empréstimo extraconcursal superprioritário, no valor de até US$ 650 milhões, em negociação de um compromisso firme quanto a este montante.

O andamento da RJ durante o mês de fevereiro inclusive beneficiou as ações da Oi, que tiveram dias com altas de mais de 10% e até uma alta intradia de 30%, em 7 de fevereiro.

“A aprovação da nova versão do plano de recuperação judicial acaba trazendo uma maior segurança para alguns investidores que tinham alguma incerteza sobre a companhia. O principal movimento que poderia provocar uma disparada desse tipo na Oi é a aprovação do projeto,” explicou João Daronco, analista CNPI da Suno Research, na ocasião.

Além disso, a nova versão da RJ previa a venda de ativos avaliados em mais de R$ 15 bilhões, além de desconto e conversão de dívidas antigas. Para isso, a Oi precisa entrar em um acordo com credores em assembleia.

Dando sinais de aceleração, no final de fevereiro a Anatel pediu à Justiça que adiasse a homologação do plano da Oi, caso fosse aprovado pela Assembleia Geral de Credores (AGC), agendada para a primeira semana de março (dia 5).

Mesmo sem conceder o pedido da Anatel, a AGC acabou sendo igualmente adiada pela maioria dos credores, para o dia 26 de março.

Enfim realizada, a AGC da Oi levou a companhia a um “bom termo com relação aos termos e condições comerciais com credores titulares de créditos”, divulgou a tele.

Segundo o comunicado foram firmadas negociações com a maioria dos créditos concursais presentes da companhia telefônica, incluindo os grupos de credores relevantes, como Ad Hoc Group, os Noteholders e os fornecedores take or pay.

Apesar das negociações, os ativos da Oi tornaram a cair em meados de março, rondando os R$ 0,65. Com o valor equivalente a uma penny stock, a companhia anunciou que fará um agrupamento de ações na proporção 10 para 1.

A medida foi tomada seguindo as exigências regulatórias da bolsa de valores brasileira. Conforme as regras, o preço das ações em negociação deve ser igual ou superior a R$ 1,00 por unidade.

Durante todos esses meses, a empresa foi mantida em “stay period”, período equivalente à suspensão das ações e execuções em face da RJ da Oi.

Agora, a próxima Assembleia de credores está agendada para o dia 17 de abril, junto com a prorrogação do ‘stay period’.

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O que o mercado espera das ações da OIBR3?

As ações OIBR3, assim como as preferenciais OIBR4, parecem ter sido “esquecidas” pelo mercado.

Na página oficial de Relações com Investidores (RI) da tele, das 12 grandes instituições que cobriam o papel, oito não acompanham mais a empresa, enquanto três apresentam recomendação neutra (New Street, UBS e BTG Pactual).

O Santander (SANB11) recomenda a venda dos papeis, com preço-alvo a R$ 0,15.

O que sobrou da Oi?

Em seu segundo pedido de recuperação judicial, em março de 2023, a dívida da Oi é estimada em R$ 44,3 bilhões.

Desde 2021, as unidades de negócios da Oi vêm sendo negociadas para quitar débitos da empresa, desde a sua primeira RJ. No ano, as unidades de data centers e torres de telefonia fixa foram alienadas.

Em 2022, os ativos de telefonia móvel foram vendidos para as concorrentes Tim (TIMS3), Vivo (VIVT3) e Claro.

Além disso, a Oi vendeu o controle da unidade de fibra ótica, V.tal, para fundos do BTG Pactual.

Atualmente, os ativos da operadora são:

  • Participação de 34% na V.tal;
  • Participação na ClientCo, braço de prestação de serviços a clientes;
  • Oi Soluções, que atende o mercado corporativo.

As duas últimas, entretanto, já foram cogitadas em alienações do atual plano de RJ.

Além disso, o portfólio da Oi (OIBR3) tem ainda as subsidiárias Tahto, de atendimento, e Serede, responsável pela implantação, operação e manutenção em redes de fibra.

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Camila Paim

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