O3 Capital quer unir Abilio Diniz e demais investidores em uma só tese

O3 Capital quer unir Abilio Diniz e demais investidores em uma só tese
O3 Capital quer unir Abílio Diniz e demais investidores em uma só tese - Foto: Divulgação

A democratização do acesso ao mercado de capitais brasileiros traz possibilidades quase inimagináveis até alguns anos atrás. E é neste mar de novas oportunidades que a O3 Capital está de olho, ao oferecer ao investidor pessoa física cotas no mesmo fundo de investimentos em que Abilio Diniz, fundador do grupo Pão de Açúcar, aloca parte do seu capital.

Fundada em 2014 para gerir parte dos recursos do empresário após a venda da participação de Diniz no Pão de Açúcar (PCAR3), a O3 Capital oferece desde o início deste mês a possibilidade de ingressar no mesmo fundo onde o empreendedor possui cerca de R$ 1,5 bilhão sob gestão.

“É um fundo novo que é um fundo antigo ao mesmo tempo. É bem legal essa coisa de democratizar o acesso. A pessoa investe R$ 1.000 com o R$ 1,5 bilhão do Abilio, com estratégias iguais”, disse Paulo Castilho, diretor de Relações com Investidores do O3.

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A gestora oferece apenas uma estratégia multimercado focada em empresas globais, dividida apenas em um fundo para investidores qualificados, que possuem maior exposição ao exterior, e outro fundo aos demais.

“Criamos dois veículos, um para qualificados e outro para os demais investidores, mas com a mesma estratégia”, disse Daniel Mathias, CIO da gestora. “São empresas globais, com diversificação ou grandes onde atuam e diferenciais claros”, afirmou.

De acordo com os gestores, o foco da tese de investimentos é buscar ativos que ofereçam retornos por terem liderança de mercado e  diferenciais competitivos claros em diferentes mercados, como EUA, China e Europa.

“Navegamos entre as classes de ativos que deem mais oportunidades. Costumamos carregar um pedaço importante das melhores empresas, líderes [de seus mercados]. Por exemplo, Louis Vuitton que é luxo e tem um recorte geográfico por ser da Europa. Então ela é um grande conglomerado de luxo, dono de diversas marcas do setor, e até do Copacabana Palace”, disse Castilho.

Confira a entrevista completa com Daniel Mathias e Paulo Castilho:

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-Primeiro queria entender um pouco da história e da filosofia de investimento de vocês.
Daniel – “Lá em 2014, quando a gestora foi criada, o Abilio [Diniz] se capitalizou com a venda do Pão de Açúcar por meio da Península [a family office de Abilio]. Após ele alocar boa parte do total por lá, sobrou pouco mais de R$ 1 bilhão que era um recurso de caixa, líquido, e como é um montante relevante, ele resolveu profissionalizar a empresa nessa parte.

A O3 Capital surgiu para tocar esse dinheiro. Não era a ideia abrir para outros investidores, mas sim profissionalizar o recurso do Abilio e da família dele. Esse valor ficou de lado para eles, então não tinha uma situação de entrar ou sair dinheiro, e a gestão foi feita nos últimos sete anos, como um fundo de global macro.

Esse time, que cresceu com o tempo, fazia uma gestão desse recurso buscando oportunidades de todos os tipos de ativos e regiões. Em 2015, começamos a olhar para China, EUA e Europa, então nunca ficamos presos a somente a fazer aportes no Brasil.

A performance foi boa. Durante esse período o montante quase que dobrou. Então eu tinha uma performance muito boa, um time que trabalha junto há 7 anos fazendo um ótimo trabalho, e tenho um mercado super aquecido, com diversas novas assets, gestoras, etc.

A gestora é independente e quando transformamos ela e pensamos em abrir ao público, discutimos a gestão e alguns pontos. O primeiro deles é que recebemos esse aporte de R$ 1,5 bi da Península Participações, que é o family office de Abilio. Então, pegamos isso, abrimos o fundo O3 retorno global e abrimos o fundo para o mercado geral há duas semanas.

Nós somos uma casa mono produto. Tudo que temos de bom dentro da gestora estará dentro do produto.

Ele é classificado como um fundo multimercado exatamente para ter mais liberdade na alocação. Criamos dois veículos, um para qualificados e outro para investidores normais, mas com a mesma estratégia.

Ele é 2/20 (2% de taxa de administração e 20% do que exceder o CDI), mas a única diferença entre qualificado e investidor geral é que o qualificado pode ter até 40% e geral até 20% no exterior.

-Por que abriram para aportes?
Paulo – “É um fundo novo que é um fundo antigo ao mesmo tempo. É bem legal essa coisa de democratizar o acesso. A pessoa investe R$ 1.000 com o R$ 1,5 bilhão do Abilio, com as estratégias iguais.

-Vocês dizem “somos uma gestora local, com teses globais.” Quão importante é o investimento no exterior e quais são os benefícios?
Temos um mandato bem amplo. Podemos investir em qualquer classe de ativo, em qualquer região. Focamos muito nossos esforços em EUA, China, Brasil e Europa em alguns segmentos específicos. Acabamos focando em alguns temas específicos.

Em relação à classe de ativos, gostamos de navegar. Em uma situação de mais normalidade, temos uma alocação de ações e renda fixa, com um mix.

Mas como o mundo não está normal, com as taxas de juros muito baixas, estamos alocados em ações. Hoje em dia temos muito mais ações do que renda fixa, mas lá atrás, com taxas normais, tínhamos muito mais renda fixa do que bolsa.

Navegamos entre as classes de ativos que deem mais oportunidades. Costumamos carregar um pedaço importante das melhores empresas, líderes [de seus mercados]. Por exemplo, Louis Vuitton que é luxo e tem um recorte geográfico por ser da Europa. Então ela é um grande conglomerado de luxo, dono de diversas marcas do setor, e até do Copacabana Palace

Nos EUA, temos Microsoft, Facebook, Visa, algumas no setor de healthcare. Na China, temos Alibaba. Então são empresas globais, com diversificação ou grandes onde atuam e diferenciais claros.

A gente vai fazendo um ajuste quando queremos aumentar posição e optamos por trabalhar por tema. Temos o tema de transição energética. Todos os países têm uma diretriz muito clara de diminuir a quantidade de carbono na economia. Investimento em energia eólica, energia solar, então fomos atrás de como poderíamos expressar nossa visão.

Outro tema é o efeito de todos esses estímulos na economia. Como esses bancos centrais, que estão estimulando a economia, e a reabertura pós-pandemia devem impactar e quais são os investimentos que irão se beneficiar de um cenário um pouco mais inflacionário.

No Brasil temos pouca alocação, pois temos uma visão de que o mundo está em estágios mais avançados de recuperação da crise. Sempre temos Brasil no portfólio, mas, no momento, a gente está com alocação maior lá fora, pois vemos mais oportunidades.

Tratamos o dólar como investimento. Compramos e fazemos hedge e tratamos investimento no dólar real como uma alocação de risco específica.

-O que mais preocupa vocês daqui para frente? Inflação nos EUA, recuperação lenta por aqui?
Daniel – “Quando olhamos o mundo, gostamos de separar as duas potências, China e EUA. EUA estão em um movimento muito mais cíclico, com estímulos e juros baixos, com projeto de infra para colocar mais fiscal na economia, com a economia reabrindo, em um momento de baixos estoques.

Os EUA reabrem em um momento de choque de oferta. A inflação surpreendeu e o FED está seguindo o que ele vem falando, ele já esperava a inflação, mas acha que é transitória.

Depois dos auxílios, reduzindo a oferta de mão de obra, os estoques devem se normalizar e a inflação deve voltar a patamares mais baixos porque as questões demográficas e de produtividade permanecem baixas.

O mercado vai ficar arisco, sempre se perguntando se é transitório ou não.

Estamos posicionados em coisa mais cíclicas mesmo. Temos algumas proteções em taxas de juros, então o que pode fazer o mercado ir mal é o FED subir as taxas, então temos proteção em nosso portfólio.

A China não fez o estímulo que o resto do mundo fez, ela faz uma política monetária menos expansionista, estão agora fazendo uma força-tarefa regulatória. Então, a China está em um movimento bem menos cíclico, é um momento diferente. Ela soltou o que ela diminuiu metas quantitativas e colocou qualitativas de crescimento da economia.

-E o Brasil?
Por aqui, o cenário está com um processo de vacinação. Deve demorar um pouco mais para a reabertura mais sólida, mas o País tem se mostrado resiliente, mais forte do que era esperado. No Focus, já há algumas revisões de PIB para cima, mas também de inflação.

Aqui, estamos mais ligados ao setor de commodities e temos empresas muito boas nesse setor. Também temos investimento em juro real.

Paulo: “Com a vacinação pegando tração, acreditamos que o Brasil pode ter um ciclo de melhora, então a nossa filosofia de investimento é buscar o melhor lugar para colocar o dinheiro e tem coisas que só conseguimos fazer fora do Brasil e outros que só aqui tem, fazemos essa avaliação o tempo todo para a O3 Capital ver onde investir.

Vinicius Pereira

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