Nubank (NUBR33) tomba 8,2% em Nova York e chega à mínima. O que aconteceu?

Nubank tem pior dia da história na NYSE

O Nubank (NUBR33) teve seu pior dia desde a abertura de capital em Nova York, em dezembro do ano passado. As ações da fintech chegaram à mínima histórica com um tombo de 8,22%. Os papéis fecharam negociados a US$ 5,47. As BDRs afundaram ainda mais: 10,07%, cotadas a R$ 4,55.

Na estreia na B3 as ações do Nubank estavam cotadas a R$ 8,36. Em Nova York, as ações NU eram vendidas a US$ 9 no primeiro dia na bolsa dos EUA. Os papéis já perderam cerca de 40% do valor e têm recomendações bem cautelosas ou pessimistas de analistas, que indicam manter em carteira ou vender. O banco está agora avaliado em US$ 24 bilhões – ante os US$ 41 bi de dezembro de 2021.

Na última quinta (26) o Itaú BBA revisou sua recomendação para as ações do Nubank (NUBR33). Os analistas optaram por reiterar a visão underperform, de “venda” dos papéis, com rebaixamento do preço-alvo de US$ 7,0 para US$ 6,6.

Eis uma das explicações: a equipe de análise do BBA, liderada por Pedro Leduc, sugere que a incerteza sobre a qualidade do crédito do Nubank está aumentando, enquanto os custos de financiamento estão pressionando a receita líquida com juros (NIIs).

Mas afinal o que fez as ações do Nubank caírem tanto nesta terça (3), um dia antes de o Federal Reserve (Fed) anunciar as novas taxas de juros? Como se sabe, o Fed deve aumentar os juros em um cenário de inflação em alta no país. As bolsas de Nova York tiveram pregão instável nesta terça-feira, entre perdas e ganhos, na expectativa da decisão do Fed, mas acabaram encerrando o pregão no positivo. Ganhos modestos, na verdade: o Dow Jones fechou em alta de 0,20%, o S&P 500 subiu 0,48% e Nasdaq avançou 0,22%.

Nubank: tempestade feroz

O que derrubou os papéis do banco digital foi uma conjunção de fatores, quase um tempestade perfeita, e feroz. Começando pela notícia da antecipação do lock-up. O esperado balanço do 1T22 do Nubank tem data de divulgação: 16 de maio. Com a data de apresentação dos resultados, o Nubank revelou o fim prematuro do lock-up para as ações (NY: NU) e os BDRs (NUBR33).

Relembrando: ao realizar a abertura de capital dupla, em Nova York e na B3 (B3SA3), o banco digital estabeleceu que membros do conselho de administração, diretores e os clientes que receberam o “pedacinho” na forma de BDR (NuSócios) estavam sujeitos à regra do lock-up.

É uma cláusula contratual que impede a venda das ações antes de um período pré-estabelecido pela empresa. À época, o prospecto do IPO indicou que “trava” poderia terminar em duas possíveis datas:

  • 180 dias após a oferta ser protocolada – ou seja, no início de junho -, ou
  • na abertura do segundo pregão, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre – ou seja, em 18 de maio.

Mesmo com essa segunda possibilidade, o Nubank adiantou em um dia. A partir de 17 de maio de 2022, todas as ações e recibos de ações do Nubank estão liberados para negociação.

US$ 26 bilhões em venda de ações?

Segundo o comunicado do roxinho, o Morgan Stanley concordou com a modificação da data do fim do lock-up. “O período de lock-up será encerrado em 17 de maio de 2022, de forma a coincidir com a divulgação dos resultados, sem nenhuma relação com qualquer oferta”, diz o Nubank em comunicado.

Com o fim do lock-up, cerca de US$ 26 bilhões, como calculou a Bloomberg, devem ser negociados com a venda de ações do Nubank.

O Goldman Sachs disse em relatório, que, após conversas com a empresa, a antecipação do fim do lock-up não implica em potencial oferta de ações. “A mudança de data serve para encurtar o potencial ‘overhang’ de curto prazo, encerrando o lock-up logo após o balanço, em vez de três semanas depois”, explicou o Goldman Sachs. O IPO aconteceu em 8 de dezembro, Desde então as ações do roxinho perderam precisamente 39,2%.

Explicou o Nubank: “Nosso foco é impulsionar o crescimento de longo prazo e gerar valor para nossos acionistas e clientes. Nossa posição é buscar o longo prazo e a qualidade de investidores que estejam alinhados à nossa visão estratégica para o negócio”.

Salário

Outra notícia havia colocado o Nubank como alvo de discussões no mercado: nesta segunda (2), depois de a cifra quase bilionária de remuneração dos diretores Nubank ter vindo à tona, a fintech justificou a média de quase R$ 100 milhões para cada diretor com ‘metas agressivas’ e acrescentou que o dinheiro deve vir por meio de emissão de ações. Se for concretizada, a remuneração será a maior do Brasil, ultrapassando a JBS (JBSS3), que distribuiu o maior pagamento aos seus diretores, de R$ 24 milhões para cada um dos cinco executivos.

O mercado havia tomado conhecimento dessa bolada após o Nubank arquivar um formulário de referência à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com uma remuneração total prevista de R$ 804,423 milhões.

O Nubank afirmou, por meio de comunicado, que pretende “corrigir e esclarecer informações incorretas e descontextualizadas”. A fintech ponderou que a cifra não será distribuída de forma igualitária – ou seja, não serão cerca de R$ 100 milhões por diretor –. mas não negou o volume da remuneração dos diretores mesmo em meio a uma baixa de 57% nos BDRs do banco.

Segundo o Nubank, o Formulário de Referência 2022 da companhia é uma previsão de remuneração para os diretores do Nubank, com R$ 804,4 milhões sendo pagos em 2022, sendo R$ 678,9 milhões (84%) do Contingent Share Award (CSA”) e outros R$ 125,5 milhões (16%) do restante da remuneração da Diretoria Estatutária.

Marco Antônio Lopes

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