Por que as ações da Lojas Renner (LREN3) estão caindo mais de 12%? Entenda
As ações das Lojas Renner (LREN3) caíam mais de 12% na manhã desta sexta-feira (7), após a varejista divulgar resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026 e cortar pela metade o intervalo de seu guidance de receita para o ano.
Por volta das 10h50, as ações da Lojas Renner recuavam 12,17%, a R$ 11,84. A forte queda reflete justamente a combinação de crescimento fraco de vendas e revisão das projeções anuais.
Resultados do 2T26 da LREN3: números abaixo das projeções
A companhia registrou lucro líquido de R$ 404,6 milhões no segundo trimestre, praticamente idêntico aos R$ 404,5 milhões do mesmo período de 2025. O lucro líquido ajustado foi de R$ 397,3 milhões, alta de 8% na comparação anual e de 113,8% em relação ao primeiro trimestre.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado somou R$ 845 milhões, queda de 5% frente ao 2T25. A receita líquida consolidada atingiu R$ 4,2 bilhões, crescimento de apenas 1% na base anual. Esses números ficaram abaixo das estimativas de bancos e corretoras.
A receita líquida de varejo foi de R$ 3,689 bilhões, alta de 1,1% na comparação anual. As vendas em mesmas lojas (SSS), métrica que mede o desempenho de lojas abertas há pelo menos um ano, avançaram apenas 0,5%. No segmento de vestuário, principal negócio da Renner, a receita cresceu 2,5%, com SSS de 1,5%.
O canal digital teve desempenho mais robusto. O GMV (volume bruto de mercadorias) digital cresceu 13,1%, chegando a R$ 837,6 milhões e atingindo participação recorde de 16,9% nas vendas do varejo. Os investimentos totalizaram R$ 167 milhões no trimestre, ante R$ 165,9 milhões um ano antes, com abertura de 14 novas lojas no período.
Corte de guidance e reação dos analistas
O principal ponto de atenção do balanço foi a revisão da projeção de crescimento da Receita Operacional Líquida (ROL) de varejo para 2026. A Renner reduziu o intervalo de 9% a 13% para 4% a 8%, uma queda de 5 pontos percentuais na faixa.
A empresa atribuiu a revisão ao desempenho da receita abaixo do planejado no trimestre, afetado pela queda mais intensa do que o esperado no fluxo de clientes durante a Copa do Mundo, pelo maior endividamento das famílias, pela redução mais lenta dos juros e pela concorrência crescente de plataformas internacionais de comércio eletrônico transfronteiriço. As demais projeções do Formulário de Referência permanecem inalteradas, incluindo a meta de crescimento anual da ROL de varejo entre 9% e 13% para o período de 2027 a 2030.
O Bradesco BBI classificou os resultados como negativos e avaliou que o corte de guidance ofusca os avanços operacionais da companhia, enfraquece a tese de investimento e reforça a percepção de maior vulnerabilidade ao cenário macroeconômico.
O JPMorgan afirmou esperar reação negativa das ações da Lojas Renner (LREN3) e destacou que o novo guidance confirma preocupações com a demanda.