Outback e Pizza Hut no mesmo grupo? IMC (MEAL3) confirma conversas com Vinci
Outback, Pizza Hut e Frango Assado podem acabar reunidos em uma mesma estrutura empresarial. A IMC (MEAL3) confirmou que uma assessoria contratada pela companhia mantém conversas com diferentes agentes do mercado, entre eles a Vinci Partners. As discussões, porém, ainda estão em estágio exploratório e não há operação concluída.
O esclarecimento foi publicado pela International Meal Company no domingo (20), em resposta a um ofício da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A autarquia pediu explicações após reportagens apontarem uma possível combinação entre os negócios da IMC e as operações de restaurantes ligadas a um fundo da Vinci.
Segundo o fato relevante publicado no RI da IMC, não existe contrato, proposta vinculante ou outro instrumento firmado com terceiros para compra, venda ou combinação de negócios.
O que a IMC confirmou sobre as conversas?
A primeira manifestação da companhia ocorreu em 18 de setembro. Na ocasião, a IMC informou apenas que não havia documento assinado relacionado à operação noticiada. A resposta deixava em aberto se existiam conversas entre as partes.
Dois dias depois, em novo comunicado, a empresa acrescentou que contratou uma assessoria especializada para estudar alternativas capazes de viabilizar a expansão estruturada de seus ativos estratégicos.
Essa assessoria vem mantendo interlocuções com diferentes participantes do mercado, incluindo a Vinci Partners. A IMC classificou as discussões como exploratórias, o que significa que as partes ainda avaliam possibilidades e não chegaram a um desenho definitivo para a transação.
A empresa também informou que seu Conselho de Administração sabe da existência das conversas. Entretanto, segundo o comunicado, o colegiado não tem conhecimento de proposta nem de condições econômico-financeiras para uma eventual operação.
Na prática, a confirmação das tratativas não significa que haverá uma fusão. As conversas ainda podem avançar, mudar de formato ou terminar sem acordo.
Como seria a possível fusão entre IMC e Vinci?
Reportagens do Valor Econômico e da Reuters apontaram que as tratativas envolveriam a IMC e o VCP IV, fundo de private equity administrado pela Vinci Compass.
A IMC (MEAL3) opera marcas como Pizza Hut, Frango Assado, Viena e Batata Inglesa. A companhia atua em diferentes formatos, incluindo restaurantes em rodovias, aeroportos, shopping centers e áreas urbanas.
Do outro lado está a Bold Hospitality Company, plataforma que reúne no Brasil as redes Outback Steakhouse, Abbraccio Cucina Italiana e Aussie Grill. O controle da operação pertence ao fundo da Vinci.
Uma possível combinação poderia, portanto, colocar essas marcas em uma mesma estrutura empresarial. Ainda não se sabe, entretanto, quais ativos entrariam na operação, se haveria troca de ações, aporte de recursos, incorporação societária ou criação de uma nova companhia.
Também não foram divulgadas estimativas oficiais de valor, eventuais sinergias, cronograma ou participação que caberia a cada acionista no negócio resultante.
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Qual é a participação da Vinci no Outback?
A Vinci Partners adquiriu 67% das operações brasileiras da Bloomin’ Brands em uma transação anunciada em novembro de 2024. A antiga controladora permaneceu com os 33% restantes.
A operação envolveu as redes Outback, Abbraccio e Aussie no Brasil. Segundo a própria Bloomin’ Brands, os 67% foram vendidos por R$ 1,4 bilhão, considerando um valor empresarial total de R$ 2,06 bilhões para o negócio brasileiro.
Essa é a participação atual da Vinci nas operações. Não há informação oficial sobre quanto o fundo teria em uma eventual companhia resultante da combinação com a IMC.
A definição desse percentual dependeria da avaliação de cada negócio, dos ativos incluídos, das dívidas, de possíveis aportes e do modelo societário escolhido. Nenhuma dessas condições foi anunciada até agora.
O que ainda precisa ser definido?
Antes que uma possível combinação seja considerada concreta, as partes precisariam negociar e divulgar uma série de pontos. Entre eles estão o valor atribuído a cada operação, a participação dos atuais acionistas, a estrutura de governança e o tratamento das dívidas.
Também seria necessário definir quais marcas, contratos e ativos fariam parte da transação. Dependendo do formato, o negócio ainda poderia exigir aprovação dos conselhos, dos acionistas, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e de outros órgãos competentes.
Outro ponto relevante é que o comunicado da IMC fala em conversas com diferentes agentes do mercado, não apenas com a Vinci. Isso indica que a companhia estuda alternativas para seus ativos estratégicos e que a possível combinação divulgada pela imprensa é uma das opções avaliadas.
Para o investidor, a principal diferença entre os dois comunicados é que a IMC passou a reconhecer oficialmente a existência das conversas. Ainda assim, não existe proposta, preço, relação de troca ou compromisso assinado. Portanto, a eventual fusão entre IMC e Vinci continua sendo apenas uma possibilidade em análise.