CDIB11 ou B5P211: quais as diferenças entre os dois ETFs da Itaú Asset?
Os ETFs de renda fixa ganharam espaço entre investidores que buscam acessar títulos públicos por meio da bolsa, mas produtos com aparência semelhante podem responder a estratégias bastante diferentes. É o caso do CDIB11 e do B5P211, da Itaú Asset.
O CDIB11 tem mais de 90% da carteira, em média, alocada em Tesouro Selic e busca acompanhar um índice composto por LFTs e NTN-Bs. Já o B5P211 acompanha o IMA-B 5 P2, formado por títulos públicos indexados ao IPCA com prazo inferior a cinco anos. Na prática, um está mais ligado ao comportamento da Selic, enquanto o outro combina inflação e juros reais.
Essa diferença faz com que os dois ETFs possam desempenhar papéis distintos dentro de uma carteira, especialmente em um momento em que a Selic ainda está em patamar elevado, mas o mercado já discute a trajetória dos juros nos próximos meses.
CDIB11: exposição majoritária ao Tesouro Selic
O CDIB11 foi lançado em junho de 2026 e acompanha o índice Teva ITBR Selic IPCA Target 800. A estratégia prevê investimento mínimo de 95% do patrimônio nos ativos que compõem o índice ou em posições compradas no mercado futuro correspondente.
Na prática, a carteira mantém alocação média superior a 90% em Tesouro Selic, complementada por uma parcela de Tesouro IPCA+ de longo prazo. A combinação foi estruturada também para permitir que o ETF seja tributado com alíquota de 15% sobre o ganho de capital independentemente do prazo do investimento, sem come-cotas e sem IOF.
O resultado é um produto com comportamento predominantemente pós-fixado. Quando a Selic permanece elevada, a maior parte da carteira acompanha esse ambiente de juros.
Essa característica também ajuda a explicar por que o CDIB11 pode ser utilizado como parte mais conservadora de uma carteira. Em vez de escolher individualmente diferentes vencimentos de títulos públicos, o investidor acessa uma cesta por meio de uma única cota negociada em bolsa.
B5P211: juros reais e inflação
O B5P211 segue uma estratégia diferente. O ETF acompanha o IMA-B 5 P2, índice da Anbima composto por NTN-Bs com vencimentos inferiores a cinco anos e prazo médio de repactuação de pelo menos dois anos.
Isso significa que as fontes de retorno são diferentes das do CDIB11. O investidor está exposto à inflação medida pelo IPCA e à taxa de juros real dos títulos públicos. Como os papéis são negociados a preços de mercado, as cotas também oscilam de acordo com as expectativas para inflação e juros.
O prazo relativamente curto da carteira reduz a sensibilidade às oscilações da curva em comparação com ETFs que investem em NTN-Bs mais longas. Ainda assim, o B5P211 não funciona como um investimento pós-fixado: uma mudança nas taxas reais pode provocar valorização ou desvalorização das cotas.
Dois ETFs, funções diferentes
A diferença entre os produtos também ajuda a entender uma característica dos ETFs de renda fixa: eles não precisam ser vistos apenas como alternativas que competem entre si, mas sim como peças diferentes dentro de uma mesma carteira.
Essa lógica aparece na própria evolução do mercado de ETFs de renda fixa. Em vez de substituir necessariamente todos os investimentos tradicionais, os produtos podem ser utilizados para construir exposições específicas: pós-fixada, prefixada ou ligada à inflação.
No caso de CDIB11 e B5P211, essa diferença é especialmente clara. O primeiro concentra a maior parte do risco em títulos atrelados à Selic. O segundo busca capturar juros reais e inflação por meio de uma carteira de NTN-Bs de prazo curto e intermediário.
CDIB11 ou B5P211: qual dos ETFs faz mais sentido?
A escolha depende, portanto, da exposição que o investidor pretende adicionar à carteira.
O CDIB11 está mais próximo de uma estratégia pós-fixada. Com mais de 90% de alocação média em Tesouro Selic e taxa total de 0,20% ao ano, o ETF tende a acompanhar de perto o ambiente de juros básicos.
O B5P211, por sua vez, oferece exposição a títulos públicos indexados à inflação com vencimentos de até cinco anos. A taxa de administração é de 0,20% ao ano, e a estrutura do índice busca limitar a exposição aos papéis mais longos.
Assim, a diferença não está simplesmente em qual dos dois ETFs pode apresentar maior retorno. O ponto central é entender qual fonte de retorno o investidor quer carregar: a remuneração dos juros nominais por meio do Tesouro Selic ou a combinação entre inflação e juros reais das NTN-Bs.