Inteligência artificial avança, mas só 1 em 5 projetos dá ROI, diz Gartner
A adoção de inteligência artificial (IA) continua avançando dentro das empresas, mas transformar a tecnologia em retorno financeiro ainda é um desafio. Dados apresentados pelo Gartner nesta segunda-feira (21), durante a Conferência Gartner CIO & IT Executive 2026, em São Paulo, mostram que apenas uma em cada cinco iniciativas de IA entrega ROI positivo, apesar de 58% dos executivos afirmarem já enxergar algum valor na tecnologia.
A distância entre adoção e resultado vem acompanhada de outra preocupação: 86% dos CIOs consultados pelo Gartner dizem que os riscos associados à tecnologia estão crescendo mais rapidamente do que o valor gerado dentro das organizações. Ao mesmo tempo, apenas 25% afirmam que decisões sobre riscos tecnológicos são incorporadas de forma proativa às principais decisões de negócio.
Inteligência artificial: maturidade muda forma de investir
Durante a coletiva de imprensa, os analistas do Gartner destacaram que o perfil de investimento muda conforme aumenta a maturidade da companhia em IA. Empresas em estágios iniciais precisam direcionar mais recursos para treinamento, estrutura e desenvolvimento de capacidades. À medida que amadurecem, os investimentos tendem a ficar mais equilibrados e mais próximos das áreas que efetivamente geram resultado.
O problema, segundo o Gartner, é que aumentar o número de aplicações não significa necessariamente melhorar a produtividade. As organizações registraram crescimento de 400% nos casos de uso de IA no último ano, enquanto 40% dos trabalhadores disseram já ter recebido conteúdos gerados pela tecnologia que não estavam prontos para serem utilizados.
Outro ponto levantado na apresentação é que companhias que utilizam os mesmos modelos de IA tendem a capturar benefícios semelhantes. Para ampliar o retorno, a estratégia passa por identificar usos capazes de gerar diferenciação competitiva e combinar a tecnologia com dados, processos e conhecimento próprios da empresa.
Nesse cenário, o Gartner defende uma participação maior dos CIOs nas decisões corporativas. Uma das propostas apresentadas foi a criação de uma espécie de “AI Central Bank”, estrutura responsável por estabelecer critérios de governança, financiamento, integração de tecnologias e responsabilidade sobre os projetos.
Cortar custos com IA pode sair caro
O Gartner também alerta para o uso da tecnologia exclusivamente como instrumento para reduzir despesas com pessoal. A consultoria projeta que, até 2029, 30% dos funcionários demitidos devido à substituição por IA precisarão ser recontratados, muitas vezes a um custo mais elevado.
“Quando executivos de negócios e de TI olharem para o início da era da IA, perceberão que seu maior erro foi acreditar que a automação do trabalho era o objetivo”, afirma Tori Paulman, vice-presidente analista do Gartner. Para a executiva, a oportunidade está em ampliar a capacidade da força de trabalho, em vez de buscar apenas sua substituição.
A avaliação é que empresas mais preparadas devem combinar tecnologia e capital humano, utilizando IA para fortalecer julgamento, criatividade, liderança e tomada de decisão dos funcionários. O relatório também recomenda investimentos em letramento em IA e desenvolvimento contínuo das equipes.
Para os próximos anos, a diferença pode aparecer diretamente na competitividade. O Gartner prevê que, até 2027, 75% das empresas que priorizarem transformar os ganhos de produtividade da inteligência artificial apenas em redução de custos serão superadas por concorrentes que reinvestirem esses recursos em inovação, modernização e capacitação.