Juros em alta na América Latina podem desestimular investimentos, diz Cepal

Juros em alta na América Latina podem desestimular investimentos, diz Cepal
Estimativas são de que os juros terminem o ano de 2021 acima de 8% ao ano - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom Agência Brasil

As elevações de juros recentes – e as estimadas para o futuro – podem desestimular os investimentos na América Latina, segundo a secretária-geral da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alícia Barcena.

A advertência sobre o cenário de juros se deu nesta quinta-feira (14), em declaração feita durante evento virtual com a presença da diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, no lançamento de um relatório das duas entidades sobre os impactos da covid-19 na região.

Bárcena, da Cepal, disse que “se preocupa” com a possibilidade de que altas nos juros e ajustes tributários possam “desencorajar investimentos e também medidas para mitigar os efeitos da pandemia”.

Ela destacou a importância de se fazer investimentos agora para apoiar o quadro econômico e social, inclusive no setor de saúde, lembrando que este tem uso intensivo de pessoal, gerando portanto empregos.

Ao mesmo tempo, notou que houve uma deterioração das contas públicas na região, sobretudo em algumas nações do Caribe.

Bárcena mencionou também como dificuldade no quadro atual o aumento no custo da dívida da região, que reduz o dinheiro disponível para outros gastos.

Etienne, por sua vez, foi questionada sobre uma perspectiva para a pandemia nas Américas. Em sua resposta, ela ressaltou que o quadro ainda é de incerteza, com acesso desigual e limitado a vacinas entre os países.

Disse ser necessário redobrar esforços na vacinação e nas medidas para conter as transmissões, a fim de evitar que a doença se torne “endêmica” e também o surgimento de novas variantes potencialmente mais perigosas do vírus.

Fitch estabiliza rating de emergentes com juros e riscos no radar

A Fitch afirma em comunicado que os ratings soberanos de mercados emergentes “têm em geral se estabilizado em 2021”, após “um número substancial de rebaixamentos” no auge do choque da pandemia da covid-19, em 2022. As perspectivas negativas superam as positivas, o que sinaliza riscos de baixa para as classificações, aponta a agência em relatório.

A agência diz que rebaixou apenas dois países emergentes desde maio de 2021, Colômbia e Tunísia, enquanto Costa do Marfim e Gabão tiveram elevações no rating.

Em 2020, houve resultado líquido de 30 rebaixamentos, com outros dois no primeiro trimestre do ano atual.

Já as perspectivas negativas superam as positivas em 19, “sinalizando que mais rebaixamentos líquidos são prováveis”. Tem havido, porém, um ponto de inflexão desde agosto de 2020, considera.

Muitos emergentes enfrentam desafios para reduzir déficits orçamentários e estabilizar a dívida pública, após mais gastos causados pela pandemia, diz a Fitch.

O crescimento desses países deve desacelerar e há pressões sociais substanciais em muitos casos, adverte. “A crescente inflação e taxas de juros mais altas se somam aos desafios.”

Com informações do Estadão Conteúdo

Eduardo Vargas

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