Ibovespa cai 0,87%, apesar das altas de Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4); Itaú ITUB4) cai. IRB (IRBR3) e Casas Bahia (BHIA3) sobem

O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira (1º) em baixa de 0,87%, aos 126.990,45 pontos, registrando a mínima de 126.771,80 pontos e a máxima de 128.658,86 pontos. Enquanto isso, o volume financeiro diário somou R$ 19,8 bilhões. Vindo de perda de 0,71% em março, o Ibovespa cede agora 5,36% no ano.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2024/05/1420x240-2.png

Nesta abertura de semana da movimentação do Ibov, mês e trimestre, os rendimentos dos Treasuries se mantiveram pressionados pelas incertezas em torno dos juros do Federal Reserve, após novos dados de atividade sobre a maior economia do globo – o que resultou também em retração nos índices de ações em Nova York, na maior parte da sessão. A aversão a risco desde o exterior afetou os ativos domésticos como um todo, com efeito sobre a curva de juros e o câmbio.

Assim, o dólar foi a R$ 5,07 na máxima do dia – ao fim, à vista, mostrava alta de 0,87%, a R$ 5,0591.

Pela manhã, o índice de atividade PMI do setor industrial nos Estados Unidos, do Instituto de Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês), passou pela primeira vez em um ano e meio a terreno de expansão, a 50,3 em março, ante expectativa de leitura a 48,5 para o mês. A percepção de aquecimento da economia americana vem em momento no qual o mercado tem se posicionado para início do processo de cortes dos juros americanos em junho.

Na sessão, o desempenho na B3 foi amplamente negativo para as ações de grandes bancos, com destaque para Itaú (ITUB4 -3,41%), mas o mergulho do Ibovespa foi relativamente moderado por Vale (VALE3, +0,64%) e Petrobras (PETR3 +0,73%, PETR4, +0,78%), com as grandes ações de commodities respondendo ao movimento de preços do minério e do petróleo, frente a indicações um pouco mais favoráveis sobre a China.

Os preços da commodity vinham sob pressão da crise imobiliária no país asiático e de aumento das exportações australianas, o que trouxe sinal de mais oferta em meio a demanda deprimida, recentemente. Nesta segunda, contudo, responderam também ao índice de gerentes de compras (PMI) industrial da China, que passou de 49,1 em fevereiro para 50,8 em março, segundo anunciou o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) no fim de semana.

O Ibovespa hoje se alinhou ao desempenho das principais Bolsas de Nova York, que também fecharam o dia em queda.

  • Dow Jones: -0,61%, aos 39.565,79 pontos;
  • S&P500: -0,20%, aos 5.243,72 pontos;
  • Nasdaq: +0,11%, aos 16.396,83 pontos.

Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, destaca a queda da cotação do Ibovespa no primeiro dia do mês, e lembra que nesta semana serão divulgados novos indicadores importantes dos EUA, como ADP e Payroll.

“Semana passada tivemos o PCE, o principal índice de inflação nos Estados Unidos que o Banco Central norte-americano mais olha de perto para poder decidir sobre a taxa de juros“, disse Cohen.

“Jerome Powell não deu sinais se os juros vão cair ou não em junho, expectativa do mercado. Não pode antecipar a queda porque podemos ter um repique da inflação, o que pode ser muito ruim para os Estados Unidos e para o mundo todo. Então isso deixa o mercado, com certeza, pressionado”, acrescenta o analista de investimentos.

O que movimentou o Ibovespa hoje?

As ações da Vale (VALE3) avançaram hoje (1º), acompanhando a alta do minério de ferro no exterior. A commodity alcançou uma das maiores cotações ontem (31) à noite. Dados econômicos da China mostram que a atividade industrial no país está em expansão, o que também ajuda a impulsionar a commodity.

Em Dalian, o contrato mais negociado de minério, para maio de 2024, subiu nesta segunda 2,61%, ao correspondente a US$ 106,26 por tonelada. No noticiário sobre a Vale, o processo para escolha do novo presidente da empresa – sobre quem sucederá Eduardo Bartolomeo a partir de 1º de janeiro de 2025 – foi lançado no mercado, e executivos de empresas começaram a ser sondados por consultorias de headhunting de renome internacional, apurou o jornalista Ivo Ribeiro, do Estadão, junto a fontes próximas ao processo e especialistas. O cronograma de definição e contratação está previsto para até o final de novembro.

Além do comportamento favorável do minério, os contratos futuros de petróleo atingiram os maiores níveis desde outubro, em Londres e Nova York, ajustando-se à surpresa positiva dos PMIs chinês e americano, antes da reunião desta quarta-feira da Opep+. “Há algum ânimo sobre a economia chinesa que se transfere para as commodities, mas, para o calendário que se teve hoje, o desempenho da Bolsa não foi positivo”, diz Helder Wakabayashi, analista da Toro Investimentos.

“Os dados mostraram um crescimento da atividade industrial pela primeira vez em seis meses, o que ajudou a aumentar a confiança e colaborou para a alta do minério”, explicou o especialista, que complementou dizendo que a alta das ações de Petrobras (PETR4) acompanha a valorização do petróleo no exterior.

O IRB (IRBR3) é outra ação que sobe na Bolsa de Valores hoje (1º), depois que o presidente da companhia disse que ela pode pagar dividendos a partir de 2025. Isso fez com que os investidores ficassem animados, mesmo encerrando o ano de 2024 com prejuízo.

Outra alta do Índice Bovespa hoje foi das ações da Hapvida (HAPV3), depois que a companhia anunciou um novo balanço positivo na quinta-feira, registrando R$ 330,5 milhões de lucro líquido ajustado.

“Com a alta dos juros futuros, setores do varejo e consumo apresentam mau desempenho hoje, já que são setores e empresas que se prejudicam em cenário de juros altos”, completa Cohen, destacando o desempenho de Pão de Açúcar (PCAR3), Petz (PETZ3), Assaí (ASAI3) e CVC (CVCB3).

“Para além do desempenho das ações de commodities, especialmente as de mineração e siderurgia, o dia foi bem negativo para o mercado como um todo. Há bastante tempo não se via uma queda como essa, de 3%, em Itaú, ainda mais nesse patamar de preço. Desde o exterior, há ceticismo com relação ao momento em que os juros dos Estados Unidos, de fato, começarão a cair – o que reduz ainda mais o apetite do investidor estrangeiro pela Bolsa brasileira”, diz Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos, em referência ao recuo do estrangeiro na B3 que marcou a performance da Bolsa no primeiro trimestre.

Maiores altas do Ibovespa

  • Hapvida (HAPV3): +6,49%
  • IRB (IRBR3): +2,44%
  • Casas Bahia (BHIA3): +2,36%
  • Minerva (BEEF3): +1,48%
  • Suzano (SUZB3): +1,42%

Maiores quedas do Ibovespa

  • Locaweb (LWSA3): -6,34%
  • CVC (CVCB3): -5,86%
  • Raízen (RAIZ4): -5,09%
  • Petz (PETZ3): -5,06%
  • GPA (PCAR3): -3,72%

Último fechamento do Ibovespa

O Ibovespa encerrou o pregão de quinta-feira (28) em alta de 0,33%, aos 126.990,45 pontos.

https://files.sunoresearch.com.br/n/uploads/2023/04/1420x240-Planilha-vida-financeira-true.png

João Vitor Jacintho

Compartilhe sua opinião