Grana na conta

Dividendos: Santander reduz peso de Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) em abril; Cury (CURY3) ganha destaque na carteira

O Santander anunciou alterações na composição de sua carteira recomendada visando a estratégia de dividendos para abril. Os analistas do banco aumentaram o peso da Cury (CURY3) e da Santos Brasil (STBP3), ambas de 8% para 9%, e da SLC Agrícola (SLCE3), de 9% para 10%. Por outro lado, os pesos de Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) foram reduzidos em 1% e 2%, respectivamente.

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O Santander vê a Petrobras negociando com um dividend yield de 9%, o que está em linha com os pares da América Latina/Europa. Com isso, a casa optou por manter a petroleira na carteira com um peso de 11%, levemente abaixo do peso da empresa no Ibovespa, que é de 12%. Já a Vale continua sendo a Top Pick do setor de Siderurgia & Mineração, uma vez que, segundo a casa, é negociada a um valuation atraente (rendimento de FCL de 8% e 3,2x EV/EBITDA 2024E). 

Em relação ao aumento de posição da Cury, o banco acredita que a ampliação do programa Minha Casa, Minha Vida e a redução da curva de juros de longo prazo beneficiaram a construtora, além da empresa ter um dos maiores dividend yields (6,5%) esperados para 2024 dentro da Construção Civil.

O Santander projeta um lucro líquido de R$ 640 milhões para 2024 e R$ 777 milhões para 2025, aumentos de 1% e 5% em relação às estimativas anteriores. “Nossa visão positiva sobre a Cury é sustentada por três fatores principais: sua força de vendas e pipeline de projetos diferenciados nas principais áreas de São Paulo e Rio de Janeiro, contribuindo para um sólido desempenho de vendas; robusto dividend yield em 2024E de 6,5%; e valuation atraente, com P/L 2024E de 9,0x”, afirma o banco. 

Sobre a Santos Brasil, a empresa é a Top Pick do setor de Transportes & Infraestrutura do banco. A visão favorável para a companhia é impulsionada por forte expansão do Ebitda (CAGR de 34% em 2024-26E), ajudada por uma combinação de crescimento de volume e preço real. 

Além disso, o início do ciclo de geração de FCL (rendimento de FCL de 12% em 2025E) e um dividend yield de 7% esperado em 2024. 

A tese de investimento da SLC Agrícola, por sua vez, está centrada em  yields crescentes, maior área plantada, e custos estáveis em meio a um potencial La Niña que se aproxima. “Projetamos que 2024 será um ano positivo para a SLC ampliar sua área locada. As temporadas que antecederam 2023/24 foram altamente favoráveis para os produtores, marcadas por um forte aumento nos preços das commodities”, diz o banco. 

Dividendos: veja a carteira do Santander e os pesos de cada ação

  • Banco do Brasil (BBAS3): 11%
  • Itaú Unibanco (ITUB4): 10%
  • Cury (CURY3): 9%
  • Eletrobras (ELET6): 10%
  • CPFL Energia (CPFE3): 9%
  • Petrobras (PETR3): 11%
  • Santos Brasil (STBP3): 9%
  • SLC Agrícola (SLCE3): 10%
  • Telefônica (VIVT3): 10%
  • Vale (VALE3): 11%

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Petrobras e dividendos extraordinários: vale a pena migrar para as ‘junior oils’?

Em meio ao conflito gerado pelo não pagamento de dividendos extraordinários por parte da Petrobras, o mercado passou a questionar se a migração para empresas de exploração e produção de petróleo de menor porte – as petroleiras juniores (ou ‘junior oils’, como são conhecidas) – poderia ser uma boa alternativa para investimento.

Em relatório setorial divulgado no final da semana passada, o BB Investimentos chegou a recomendar ‘compra’ para as ações de PRIO (PRIO3), mas sem pontuar preço-alvo e sem avaliar os resultados do quarto trimestre de 2024.

Em contrapartida, o banco tem recomendação de ‘compra’ para os papéis da Petrobras, com preço-alvo a R$ 42,00. Segundo o analista Daniel Cobucci, os números do 4T23 da Petrobras ficaram ligeiramente abaixo das expectativas de mercado, mas as ações desabaram desde o que dividendos extraordinários não foram anunciados, como esperava o mercado.

“No ano, a companhia entregou um Ebitda 23% menor a/a, dada a queda nos preços de petróleo e câmbio, em linha com pares globais. Seguimos vendo boas perspectivas de crescimento da produção, com custos de extração reduzidos, o que deve seguir produzindo boa geração de caixa e dividendos”, escreve Cobucci.

Para Vinicius Moura, economista e sócio da Matriz Capital, as “junior oils” podem se beneficiar da questão do não pagamento de dividendos extraordinários por diferentes motivos. Em um primeiro momento, diz ele, a migração de investidores em busca de alternativas com potencial de dividendos mais atrativos ou menor percepção de risco político pode aumentar o capital disponível para essas empresas.

“Além disso, se a Petrobras reduzir seu ritmo de investimentos ou exploração, pode haver oportunidades de mercado para essas companhias. Empresas como a Enauta (ENAT3) e a 3R Petroleum (RRRP3) podem se posicionar para aproveitar essas oportunidades, dependendo de sua capacidade de operação e estratégia de crescimento”, avalia.

“Empresas como 3R Petroleum, PRIO e PetroReconcavo (RECV3) podem estar entre as que devem se beneficiar no momento com a questão da Petrobras sobre os dividendos. Contudo, é importante que o investidor avalie, pois, mesmo sendo ‘junior oils’, elas possuem números distintos, e uma boa análise entre elas pode ser um grande diferencial”, finaliza Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

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Vinícius Alves

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