Balanços da semana

Fundos de renda fixa com gestão ativa: corte dos juros aumenta busca por esses ativos

O início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central, iniciado em 2 de agosto com a redução da taxa Selic de 13,75% para 13,25%, fez aumentar a busca maior diversificação, buscando ‘apimentar’ o portfólio com fundos que tenham uma parcela de maior risco em sua composição.

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No entanto, o apetite pela renda variável ainda não é dos maiores, visto que a taxa básica de juros segue elevada e a expectativa é de que os cortes sejam graduais. Diante disso, os bancos e as gestoras intensificam as estratégias de renda fixa com gestão ativa.

O investimento preferido é o fundo de renda fixa com gestão ativa, que traz um pouco mais de risco, mas mantém a segurança com maior peso em renda fixa.

Esses fundos podem operar com juros e títulos de dívida no Brasil e no exterior e até moedas, com ou sem proteção cambial, têm volatilidade maior que a renda fixa “pura”, mas retornos acima do CDI. A gestão ativa serve para oxigenar o portfólio e aumentar a possibilidade de ganhos para os cotistas.

Fundos: oportunidades no segundo semestre, segundo a Az Quest

“A beleza do fundo multimercado é essa: proteger o portfólio quando a situação não está muito clara, e ir dosando o risco conforme a conjuntura permite. A gente foi super bem com os fundos macros da AZ Quest no primeiro semestre, principalmente por focar na renda fixa brasileira a tomada de risco, via juros nominais aplicados e juros reais de longo prazo, que na nossa visão apresentava uma oportunidade muito grande”, diz Gustavo Menezes, gestor dos fundos multimercados e renda fixa da AZ Quest.

“E por mais que o cenário não esteja tão claro, é quando os prêmios maiores se encontram. Quando o cenário macro está mais claro, a gente paga mais caro pelo ativos de risco. Apesar disso, o grande movimento da renda fixa que a gente conseguiu capitalizar foi no primeiro semestre, mas ainda no segundo temos oportunidades. A situação lá fora atrapalha um pouco, mas ainda é atrativo”, acrescenta o gestor da AZ Quest

Gustavo Menezes afirma ainda que a AZ Quest tem adicionado mais risco em bolsa, mas de uma forma um pouco lenta. “Por mais que os juros estejam fechando, ainda são restritivos. A gente quer esperar clarear o cenário externo para adicionar risco em renda fixa internacional, mas estamos num compasso de espera, pois precisamos de mais informações para ver se a gente entra num bom ciclo no Brasil.”

Ele conclui: “É o momento do investidor tomar risco de, paulatinamente, nos próximos meses, sem pressa, para arriscar um pouco mais e apimentar os portfólios. Tem que sair um pouco do conservadorismo, mas sem pressa.”

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Gestão ativa em renda fixa: destaque

Em reportagem publicada pelo jornal “Valor Econômico” no dia 4 de setembro, o chefe de renda fixa do Santander Asset, Cal Constantino, afirmou que não tem observado reação nos fundos de ações, mas a gestão ativa em renda fixa, que é um pé antes de um multimercado, é destaque total na Asset, quinta maior gestora de recursos no país, com R$ 311 bilhões sob gestão.

A matéria do Valor também traz a Bradesco Asset, outra gestora que lançou recentemente um fundo na linha. O Exitus, que acaba de chegar a R$ 1 bilhão, foi aberto em maio, faz gestão ativa de títulos indexados à inflação com vencimento acima de cinco anos e tem objetivo de render CDI mais 1,5% ao ano, com volatilidade máxima de 2% ao ano.

O Bradesco Asset prevê para setembro um outro fundo nesse segmento, mas com dívida corporativa.

Já o gestor de portfólio da Guide Investimentos, Rodrigo Fontana, vê os fundos de renda fixa ativos receberem expressivos fluxos, com assets independentes dando ênfase à estratégia.

“Começamos a fazer alocações mais pesadas nessa classe no ano passado e tem dado certo”, afirmou.

Por fim, a BB Asset, maior gestora do Brasil com R$ 1,4 trilhão, viu seu fundo de renda fixa com gestão ativa saltar de R$ 200 milhões em abril para R$ 1,4 bilhão. fundo tem alocações em títulos públicos pós e prefixados, operações na curva de juros doméstica e americana por meio de contratos futuros de dez anos negociados na B3. Investe ainda em dólar e euro, as moedas mais líquidas, mas permite outras como peso mexicano e iene.

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Allan Ravagnani

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