Dólar chega a R$ 5,31 e desencadeia intervenção do Banco Central

Dólar chega a R$ 5,31 e desencadeia intervenção do Banco Central
BC: recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal, de aumento dos gastos públicos, já se traduzem em elevação de prêmios de risco - Foto: Agência Brasil

Seguindo na escalada recente, o dólar apresentou valorização frente ao real nesta quinta-feira (8) batendo na cotação máxima no acumulado dos últimos 30 dias, a preço de R$ 5,3133, representando uma alta de 1,39% e refletindo o cenário turbulento da semana.

Depois de ter ficado abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em meses em cotações de dias anteriores, o dólar, agora, chega ao seu oitavo dia seguido de alta.

Com o momento crítico, o Banco Central (BC) anunciou leilão de venda de US$ 500 milhões como forma de amenizar o panorama, tirando o Real da colocação de pior moeda emergente – posição agora ocupada pelo peso chileno.

Assim, em momentos seguintes, o preço do dólar caiu para R$ 5,239 às 15h.

Crise política e inflação no radar

A alta no preço da moeda americana se dá a fatores como a tensão política recente no Brasil, cujo foco é a CPI da Covid. Ainda na quarta (7), o presidente da comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM), determinou a prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias.

Somado a isso, a inflação apresenta um alta de 0,53% em junho, ante 0,83% em maio no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em dado que destoou das expectativas do mercado, que projetava um cenário próximo com 0,6% de alta.

Além disso, os mercados ainda contam com ata do Federal Reserve (Fed), que revisou para cima sua projeção para inflação no curto prazo.

“Nos EUA, a ata do FOMC revelou que as discussões acerca do início do tapering já começaram, apesar de ainda gerar divergência entre os dirigentes do Fed. Por aqui, o IPCA de junho surpreendeu positivamente, exibindo alta de 0,53% frente à expectativa do mercado de 0,59%”, analisa a Ativa Investimentos.

Segundo levantamento recente do suíço UBS, a esmagadora maioria dos bancos centrais tem a inflação como o principal problema. Na pesquisa, foram 30 bancos entrevistados, sendo que dois terços esperam que o Fed suba os juros em 2023 e um terço prevê a alta ainda em 2022.

Da mesma forma, na terça (6), o Morgan Stanley passou a ter visão “neutra” sobre o real, justificando o movimento pela postura hawkish do BC.

Junto com o dólar, Ibovespa cai em cenário de quedas intensas

No cenário de bolsa, o Ibovespa segue em queda, com influência das preocupações com a variante Delta do coronavírus, caindo em 1,45% às 15h, aos 125.162 pontos.

Também seguindo os mesmos fatores que ocasionam alta do dólar, a bolsa abriu em queda generalizada, refletindo o cenário internacional que exibe quedas bruscas em bolsas do exterior.

Eduardo Vargas

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