Veja 5 dicas para proteger seus investimentos em meio a uma eventual crise nos bancos

Está com medo da volatilidade que a crise nos bancos está gerando? Descubra quais investimentos ajudam a proteger seus investimentos.

Uma crise nos bancos em escala global vem sendo especulada no cenário internacional desde o anúncio da falência do Silicon Valley Bank (SVB). Considerado um dos principais bancos dos Estados Unidos, foi uma das poucas instituições a anunciar o fechamento das portas desde a crise de 2008. 

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A situação preocupou investidores em todo o mundo. Não por menos. Crise no First Republic Bank e no PacWest vieram à tona logo em seguida e o temor se agravou ainda mais após o Signature Bank seguir um caminho similar ao do SVB. Somam-se a isso problemas registrados em instituições financeiras da Suíça e o fato do Credit Suisse precisar ser “resgatado” pelo UBS, afetando também outros bancos europeus e contaminando o sentimento das bolsas globais.

Mesmo com a oferta de linha de crédito do Federal Reserve (Fed) solucionando o caso do Silicon Valley Bank e outras instituições agindo em prol do equilíbrio do sistema bancário, parte do mercado questiona se outras instituições poderiam vivenciar um problema semelhante nos próximos meses. 

O cenário contempla ainda a nova alta de juros promovida pelo próprio Fed na última quarta-feira (22). Há o medo de que hajam saques em massa da população nos bancos, levando as instituições bancárias americanas a uma crise mundial.  Para os especialistas, no entanto, embora seja difícil de mensurar a extensão da crise, essa é uma possibilidade remota no momento.

Crise dos bancos com impacto global ainda não é uma realidade, mas requer atenção

Os especialistas consultados pela Suno descartam uma crise sistêmica neste momento, afirmando que o problema é pontual. Para Luiz Felipe Bazzo, CEO do transferbank, o rápido resgate do Credit Suisse pelo UBS e do SVB pelo FDIC e Fed foram essenciais para não ampliar os temores, contendo um eventual efeito ‘bola de neve’.

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“É muito precoce afirmar que haverá uma crise bancária global, mesmo apesar do cenário externo não parecer nada favorável”, explica Luiz Felipe Bazzo, CEO do transferbank. Para ele, se comparada a crise de 2008, por exemplo, o que vivenciamos agora são problemas isolados. 

A analista de alocação e fundos da XP Investimentos, Clara Sodré, é da mesma opinião que Bazzo. “Quando o primeiro problema surgiu, o Fed teve uma ação rápida. Hoje a discussão não é mais se os bancos vão quebrar, mas até onde o Banco Central vai dar este suporte para o sistema bancário”.

De qualquer forma, a XP descarta uma crise dos bancos sistêmica. No entanto, uma eventual recessão ainda deve ser um temor para os investidores — considerando a alta inflação dos Estados Unidos, movimentando, assim, o mercado e aumentando a volatilidade.

O que fazer com os investimentos neste momento de incertezas com a crise nos bancos?

Mesmo que a crise pareça momentânea, é preciso atenção do investidor. Afinal, se os problemas com bancos de renome se agravarem, as carteiras de investimento podem sofrer com a volatilidade. Neste cenário, até mesmo o Brasil poderia ser afetado, já que uma crise nos Estados Unidos envolveria todo o cenário mundial.

Para a especialista da XP, em cenários de incerteza o ideal é sempre o investidor manter a diversificação da carteira, evitando cair no ‘efeito manada’. “Não sugerimos mudanças radicais ou abruptas nas carteiras. No entanto, se nos próximos meses as incertezas se aprofundarem, é preciso aumentar a porcentagem de aplicações em renda fixa”, recomenda Sodré.

Pensando em ajudar o investidor neste momento de incertezas, a Suno elencou com a ajuda de especialistas algumas alternativas para a proteção do patrimônio, que são os ativos ideais para se ter em carteira para proteger o seu portfólio. Confira abaixo:

Renda fixa brasileira

De uma maneira geral, sempre que falamos em segurança lembramos imediatamente da renda fixa. No entanto, com a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, estando no patamar de 13,75%, esta categoria de investimentos une alta rentabilidade com previsibilidade.

No atual cenário, todos os investimentos atrelados ao Certificado de Depósitos Interbancários (CDI), que acompanha a Selic, rendem, no mínimo, 1% ao mês. Com isso, apostar nesta categoria pode ser um trunfo para proteger a sua carteira.

Neste cenário, é possível apostar em diversas categorias dentro da renda fixa. Para Luiz Felipe Bazzo, CEO do transferbank, o mais recomendado são os fundos de renda fixa, uma opção interessante para quem busca proteção do patrimônio e uma fonte de renda estável. 

Esses fundos investem em títulos públicos, CDBs, LCIs e outras modalidades de investimentos de renda fixa que oferecem rentabilidade previsível e baixo risco de perda de capital.

Para Clara Sodré, especialista da XP Investimentos, neste cenário as melhores opções para os investidores brasileiros são ativos pós-fixados e títulos IPCA+, considerando a alta taxa de juros do Brasil e uma proteção para a inflação.

Fundos de renda fixa internacionais

Neste cenário, não só a renda fixa brasileira se torna interessante, mas também os fundos de renda fixa com foco no mercado internacional. Os juros mais altos fazem com que a renda fixa americana, investimento mais seguro do mundo, de repente torne-se ainda mais atrativa.

“Os juros mais altos puxam os rendimentos dos títulos de renda fixa para cima, assim como acontece no Brasil. A diferença é que estamos falando de um investimento na maior e mais sólida economia do mundo, que oferece, ainda por cima, rendimentos em dólar”, explica Luiz Felipe Bazzo.

Títulos de dívida

Os títulos de dívida também são uma excelente opção neste momento de incertezas. Nesta modalidade, o investidor empresta dinheiro a uma empresa ou governo em troca de juros através de investimentos como debêntures, bonds ou notas promissórias.

A maior vantagem deste investimento frente a outras opções é que eles podem oferecer uma rentabilidade superior a outros tipos de investimentos em renda fixa. Para Sodré, investimentos atrelados a crédito ou dívidas neste momento são opções boas. No entanto, em momentos de crise, é essencial ter mais diligência e seletividade na escolha destes ativos.

“Estamos falando de um problema no sistema bancário em que o Fed teve uma atitude rápida. No entanto, quando falamos de juros elevados por muito tempo, a manutenção da taxa é uma questão a ser considerada nos resultados das empresas, já que elas geram menos caixa”, explicou, destacando que o investidor deve ter mais reservas na hora de optar por este ativo neste momento.

Fundos multimercado

Os fundos multimercado são uma opção vantajosa para os investidores neste momento. Nesta modalidade, os fundos aportam em diferentes tipos de ativos, como ações, renda fixa, câmbio e commodities. Esses fundos buscam diversificar o patrimônio e obter rentabilidade superior ao investimento em uma única classe de ativos.

No entanto, é importante avaliar as características e riscos de cada fundo antes de investir. “Neste momento, com estratégias tanto no Brasil quanto no exterior, os fundos multimercado conseguem trazer rentabilidade sem precisar de uma análise sobre o futuro do mercado financeiro”, explica Clara Sodré, destacando que o investidor precisa analisar em detalhes o fundo antes de aportar efetivamente.

Dólar e ouro são sempre boas opções

Para a especialista da XP, a alocação em commodities, empresas com crescimento secular e empresas de qualidade com preços atrativos continuam sendo boas opções na renda variável, mesmo em meio a um momento de incerteza.

O CEO do transferbank, Luiz Felipe Bazzo, destaca que o investimento em outras moedas, como o dólar ou o euro, podem ser opções, principalmente considerando que historicamente são consideradas reserva de valor.

“Elas podem ajudar a reduzir o impacto da inflação e dos juros altos no patrimônio. No entanto, é importante avaliar as condições econômicas e políticas dos países investidos antes de tomar a decisão de investimento”, explica Bazzo.

Para Sodré, a exposição em dólar através de fundos é uma das melhores opções para quem deseja se expor a uma moeda estrangeira, conseguindo lidar com a volatilidade de forma mais tranquila.  Mesmo que sejam ativos considerados reservas de valor historicamente, para ela a renda fixa agora é um dos investimentos mais atrativos para uma eventual crise nos bancos.

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Beatriz Capirazi

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