Pedro Signorelli

O furacão econômico que ronda todos nós

Se as pessoas lidam com crises financeiras, as empresas enfrentam furacões econômicos

Não é novidade que vivemos um período econômico difícil para todos. Mal saímos de uma pandemia, se é que já saímos, e entramos em uma guerra. Sob a perspectiva das empresas, todas são afetadas, ainda que algumas saiam ganhando. Mas, no geral, a situação pode ser ainda pior para a maioria, pois, dependendo do segmento em que atuam, decisões erradas podem acelerá-las de maneira inexorável em uma direção não desejada. Se as pessoas lidam com crises financeiras, as empresas enfrentam furacões econômicos.

Com o primeiro semestre de 2022 chegando próximo do fim, a onda de demissões de colaboradores nas startups e até mesmo em unicórnios ganha cada vez mais força e podem indicar um cenário de incertezas e problemas mais amplos. Para Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, um dos maiores bancos do mundo, está se formando um furacão econômico nos Estados Unidos e os investidores deveriam estar se preparando.

Segundo o executivo, a economia do país enfrenta incertezas e desafios, devido a alguns fatores, como o aperto da política monetária e a invasão da Rússia na Ucrânia, cujo fim não se consegue vislumbrar, e que pode agitar ainda mais o mercado de commodities e elevar os preços do petróleo acima de US$ 150 o barril. Exagero? No início da guerra entre os dois países, o barril do petróleo custava US$ 95,76, em junho havia saltado para US$ 128,40.

Em um mundo globalizado, é certo que os problemas apontados pelo executivo, logo mais serão problemas de todos nós. E, na verdade, já sentimos parte desse reflexo, afinal a alta do petróleo vem provocando sucessivos aumentos no preço da gasolina aqui no Brasil.

Em momentos como esse, os donos de empresas ficam mais avessos ao risco, param, analisam e pensam sobre os potenciais impactos nas margens de lucro, para que não metam os pés pelas mãos e se arrependam depois. A situação externa, caso da guerra, independe de cada um, mas traz reflexos para praticamente todos. Por isso é preciso criar estratégias e saber utilizar as ferramentas que estão à disposição para manter e quem sabe até ampliar o alcance dos negócios.

Por essa razão, conhecer melhor o seu cliente, usando especialmente a tecnologia como alavanca, é fundamental para ter a melhor informação disponível para tomar uma decisão. Porém, se o seu sistema de execução não for bom o suficiente, suas boas ideias não vão sair do papel na velocidade necessária e você vai perder o timing.

O ideal nesses momentos de maior incerteza, em que o rumo dos negócios são afetados por fatores sobre os quais você não tem qualquer tipo de gerência, é entender rapidamente o que deu certo e o que não deu, para mudar a rota da companhia sempre que preciso, sem que isso seja visto como um sinal de alerta para os funcionários ou para o mercado.

Ferramentas de gestão como o OKR – Objectives and Keys Results – Objetivos e Resultados Chaves -, são o que há de melhor na atualidade para fazer ajustes de curto prazo no plano de execução da estratégia e garantir que ninguém, nenhum time, fique para trás na hora da re-priorização das agendas do negócio e, principalmente, para sinalizar, que as mudanças fazem parte do processo, que elas não são nenhum indicativo ruim. Afinal, o OKR exige que as avaliações e os possíveis ajustes sejam realizados com frequência.

O OKR não é uma ferramenta milagrosa, mas quando bem implementado traz resultados encantadores. Sua aplicação precisa de uma análise criteriosa com o entendimento de todo o cenário da companhia e o do mercado, o entendimento da atuação de cada integrante/funcionário e, dentre outros pontos, os objetivos almejados.

Com base nesses apontamentos e com o envolvimento de todos – aqui não se pode dividir a estratégia apenas com o CEO e seus líderes diretos, é preciso que todos estejam alinhados – é que são elaborados os caminhos a serem trilhados por um curto período de tempo, normalmente de três meses, e as tarefas de cada um. Após esse período, é preciso repetir todo o processo, o que deve ocorrer regularmente, principalmente no início da implantação da ferramenta.

Nota

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