Marco Carnut

Resistência é Fútil: o Bitcoin Foi Assimilado

Ficou difícil negar que a era dos criptoativos chegou para ficar. E não só pela quantidade de usuários (mais de 100 milhões), corretoras (centenas) e volume diário (mais de um bilhão de dólares) negociado globalmente -- além de empresas gigantes, como Tesla (TSLA34),e Microstrategy, entesourarem centenas de milhões de dólares em bitcoin

Ficou difícil negar que a era dos criptoativos chegou para ficar. Não só a quantidade de usuários (mais de 100 milhões), corretoras (centenas) e volume diário (mais de um bilhão de dólares) negociado globalmente têm aumentado ano após ano, segundo um estudo da Universidade de Cambridge, mas também temos visto empresas gigantes, como Tesla (TSLA34), a mesma dos carros elétricos, e Microstrategy, entesourarem centenas de milhões de dólares em bitcoin.

Gigantes do ramo de pagamentos, como Paypal e Square vêm anunciando planos de incorporar criptomoedas em suas redes e a capitalização do mercado como um todo já excede os trilhões de dólares.

Em resposta, os governos vêm gradualmente atualizando suas legislações para melhor regulá-las. Aqui no Brasil, a publicação das Instruções Normativas 1888 e 1899 da Receita Federal, que explicam como declarar posse, compras e vendas de criptoativos, trouxeram uma sensação geral de “agora é oficial”, gerando ânimo no mercado.

Nos EUA, o presidente Joe Biden editou uma Ordem Executiva para “Garantir o Desenvolvimento Responsável dos Ativos Digitais” que, entre várias coisas, direciona todas as agências federais daquele país a estudarem que papéis competem a cada uma delas no que diz respeito aos criptoativos.

Muita gente encara os criptoativos como uma espécie de “bem”, só que inteiramente digital – existem “apenas” no “mundo virtual” dos computadores e da internet –, cuja posse pode ser transferida de uma pessoa para outra meramente tocando no botão “Enviar” de um aplicativo no celular e digitando uma senha pra confirmar.

O bitcoin, o mais famoso dos criptoativos, frequentemente é descrito como “ouro digital teleportável”: imagine que você não apenas pudesse guardar toneladas de ouro no seu celular, mas também transportar qualquer quantidade de um lado para o outro do mundo em minutos e a custo irrisório. É isso que o bitcoin em particular, e os criptoativos em geral, permitem. A analogia com o ouro é que é “algo valioso”, que funciona como “reserva de valor”, que vale a pena guardar.

Isso também explica por que os governos costumavam olhar os criptoativos com desconfiança: por serem um sistema financeiro paralelo totalmente independente, à primeira vista pareciam incontroláveis e impossíveis de regular. Mas o faroeste acabou quando os governos perceberam que bastava controlar as corretoras (já que 99% do volume negociado passa por elas), o que também torna possível rastrear a vasta maioria das transações e “seguir o fluxo de dinheiro”.

No princípio, os bancos tradicionais olhavam os criptoativos com um receio semelhante aos dos operários das fábricas que temiam estarem prestes a serem substituídos por robôs (foram!) ou do motorista de táxi quando se fala em carro autônomo (não chegamos lá ainda). Ainda há os que persistem nessa visão, mas o mercado falou mais alto: com o bitcoin e afins caindo cada vez mais nas graças até dos investidores mais sisudos, não demorou muito para surgirem produtos que “embalam” o bitcoin em roupagens de mercado tradicional, como os fundos da Hashdex aqui no Brasil, ou os derivativos de Bitcoin do tradicionalíssimo Chicago Mercantile Exchange, ou o Grayscale Bitcoin Trust.

Os mercados de capitais tratam os criptoativos como uma mercadoria qualquer, tal como petróleo, soja, suco de laranja congelado concentrado ou gás natural. Claro, cada uma dessas “commodities” tem todo um ecossistema produtivo por trás delas – algumas, como o petróleo, tão grandes que influenciam a geopolítica mundial.

Os criptoativos também têm toda uma cadeia produtiva por trás deles: há a rede global de “mineradores” que, como recompensa por auditarem as transações, ganham o direito de criar uma certa quantidade de novas criptomoedas, atuando simultaneamente como “cartório” e “casa da moeda”; e há as centenas de corretoras ou “exchanges”, em que  esses criptoativos podem ser trocados por dólares, euros, reais ou por outros criptoativos. As corretoras e mineradores se retroalimentam, um viabilizando o negócio do outro: os mineradores vendem parte das criptomoedas que produzem para pagar suas contas de energia elétrica e demais custos operacionais.

Contudo, a grande maioria dos investidores não está nem aí para como os Bitcoins ou Ethers nascem ou funcionam. A maioria quer saber apenas do preço deles, comprar na baixa, vender na alta e embolsar o lucro. Como a lendária volatilidade desses mercados às vezes permite obter em semanas resultados que com ativos convencionais leva-se meses ou anos, muita gente acaba se viciando em uma visão estreita de que “o bitcoin” é apenas “o preço do bitcoin”. Como vamos explorar em futuros artigos, o bitcoin e os criptoativos são muito, muito mais do que só isso.

Mas o fato inescapável é que os criptoativos fincaram raízes no sistema financeiro tradicional que não param de se aprofundar. Portanto, se você, investidor afeito às recompensas que níveis mais arrojados de risco e volatilidade podem trazer, ainda não embarcou nesse “universo cripto” porque tinha dúvidas sobre sua longevidade, talvez seja hora de abrir sua conta em uma corretora ou banco digital com criptoativos integrados (sim, eles já existem aqui no Brasil, como o Zro Bank). Assim como o mercado assimilou os criptoativos, é mais que hora de assimilá-los no seu portfólio.

Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

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